To dance is to design f o r m s in the air… it doesn’t matter how much you try to figure them, they were already there to be done…
Por que minha dança é conceitual? Porque estudo seu propósito antes de apresentá-lo. Dança e romance são coisas muito parecidas. A diferença é que na dança eu me tenho só pra mim
Quando você estabelece um vínculo afetivo com alguém, você procura saber de onde vem a pessoa, como ela reage à você. A Dança precisa ser conceitual, caso contrário deixará de existir e se tornará pura estética artística sem essência de movimento, postura ou desenvolvimento pessoal.
Então, quando me perguntam que estilo eu danço, eu sempre respondo: “Sim, minha dança é conceitual”.
Dança é uma forma de expressão na Arte e na arte.
Ela não apenas descreve elementos simbólicos da música como transcreve para o corpo o movimento que denuncia nossa estrutura psico-espiritual e emocional, mostrando nas entrelinhas, do emaranhado de detalhes alinhavados na espinha dorsal daquilo que criamos, a nossa concepção, nossa forma de agir, pensar, sonhar, e viver a vida.
Miquelina Bar e Arte - Luciaurea, em processo de Dança Conceitual, representando em performance o Tribal Fusion na versão clássica de Schwarze Sonne, do projeto musical E Nomine. A música fala de Cérberus, o cão de 3 cabeças de Hékate, A Senhora Trívia. Cérberus guarda os portões do “inferno” e na música ele “escapa” à procura de sangue e carne humana para se alimentar, enquanto o narrador tenta fugir dele - cantada em latim e alemão.
Dança para mim tem que ser conceitual. Sem sentido ou simplesmente “vamos criar algo mesmo para finalidade puramente estética” serve unicamente para showbizz e nada mais. Aplauso vazio de conceito. É interessante? Sim, eu já tive minha fase de showbizz há anos atrás, quando eu mal sabia o que a música falava e mal podia conceber a grandeza da estrutura de uma frase do alaúde, do violino ou da tonalidade e textura da voz do cantor. Enfim, eu também aprecio o showbizz, mas não me deixo levar por ele.
O que é um conceito? Conceito é tudo aquilo que o entendimento concebe, é a moralidade de um conto cantado e expresso em movimento na música, é o provérbio e a sentença de nossa posição física e mental daquilo que pensamos sobre o “dançar com essência”, ou seria melhor dizer dançar com consciência?
A dança improvisada possui seu conceito. A coreografada também. A dança sonorizada possui seu conceito. A articulada no silêncio também.
Porém, a dança com propósito não apenas vem de dentro, ela parte de todas as direções que meu ser consegue dimensionar, incluve daquelas que não são mensuráveis. Ela é quântica! Saltos imaginativos fazem parte de nossa imaginação e ela cresce em energia, tornando-nos maiores do que realmente somos. Já ouviu aquela expressão: “nossa, ela é pequena mas cresce quando dança” ? É disso que falo e mais além.
Me aborrece o fato de reconhecer que pessoas que também reconhecem esse lado, insistem em continuar na mesmice do bizz e temem dar um passo à frente, cruzando a linha da inovação. Isso quando não o fazem por mera necessidade de mudança copiando idéias que já possuem marcas. Já ouviram falar de Victor Araújo? O rapaz é um pianista ímpar e faz coisas que jamais ninguém ousou fazer com o piano, dançando enquanto toca, tendo orgasmos musicais e convidando a platéia a interagir com ele.
Pois é, minha visão acerca do assunto é composta (para não dizer profana ou promíscua), mas meu aborrecimento jamais afetará a estrutura cultural que disso se alimenta – por isso me afasto e me dou o direito de escolher o que dançar e com quem dançar. Conheço bailarinas e profissionais que pensam como eu e que não abrem mão da originalidade em troca da fama. Resultado: isso as torna únicas, tão únicas que se tornaram bem conhecidas hah! Ironia? Não… conceitual eu diria ^.~ O conceito é também uma estratégia. Mas somente pessoas artisticamente inteligentes captam esse discurso.
Como pagã, cristã, budista e o diablo à 4ª potência, esse paradigma de dança abrange todas as concepções da alma humana, respeitando aspectos que não seriam sequer experimentados em função de rótulos tão mal divulgados atualmente e tão bem aproveitados pela mídia do dinheiro. Dinheiro? Sim! Eu também gosto, mas com princípio e honra aos meus créditos pessoais. Arrogância? Quem a enxerga em mim a tem primeiro dentro de si mesmo… só posso sorrir e me curvar como o bambu para me levantar segundos depois.
Mas fica aqui minha visão: ninguém é obrigado a concordar, no entanto, eu empresto meu slogan.
Não tenha medo de ser polêmico. Não sacrifique sua essência. Seja original. Eu não danço estilo algum, minha dança é conceitual.

Nathashy de Anthares disse,
18 18UTC Junho 18UTC 2009 às 14:46
Querida Simone.
A algum tempo venho passando por situações muito stressantes.
Tenho um grupo de dança a algum tempo,praticamos nossas danças na maioria das vezes em rituais nossos.Dias atráz resolvi,a pedido de amigas,promover um curso,onde ensinaria um pouco desta dança que chamamos de “Dança ritual intuitíva”.
Acho que nem preciso te contar o quanto fomos questionadas,indagadas e até ridicularizadas.Alguns disseram que era uma grande palhaçada,outros que não podiamos dar um curso de uma dança q não existia,que foi criada por nós.Enfrentamos muitos comentários maldosos.Mas resistimos e não paramos de dançar e criar novos movimentos e passos.
Pois dançar para nós esta na alma,no sangue,não há como nos impedirem.
Ontem a noite vendo uns videos no youtube me deparei com vc!
Linda,maravilhosa,talentosa.Cheia de luz,vida e energia!
Hj quando li esta matéria entendi o quanto minha dança é especial e que não devo nada a ninguém.
Parabéns pela bela dançarina que és,mas parabéns principalmente pela pessoa fantástica que vc me pareceu ser.
E meu muito obrigada,pq após ler este texto minha alma se encheu de animo e vontade de dançar cada vez mais!
Que a Deusa Ísis te abençoe!
Bjux
Nathashy
Luciaurea disse,
18 18UTC Junho 18UTC 2009 às 16:23
Nathashy, eu agradeço imensamente sua apreciação e sei o que vc sente quando fala do atrevimento de pseudo-entendidos mediante à sua ousadia em inovar conceitos.
Eu tb já fui mto criticada pelas minhas ousadias mas nenhuma palavra do que já me disseram até hj provou ser verdadeira, visto que cheguei até aqui – e mtos me copiam.
Até certo ponto, em certa medida, eu fico feliz q existam cópias de mim por aíh, porque toda cópia é um bom termômetro do valor que tem seu trabalho.
Então, toda loucura possui embasamento – todos os chamados gênios artísticos foram ridicularizados para serem idolatrados depois… Mozart que o diga…
Existe dança ritual intuitiva assim como existe ballet.
Existe dança conceitual assim como existe dança criativa.
Existe dança assim como existe dança.
Isso é tudo.