Há alguns dias atrás, Sofia, cujo nome significa sabedoria, passou a demonstrar “mais humildade” sabe, e a maneira que ela encontrou pra tanto foi provando a todos o quanto é justa e correta.
Enfatizando sempre as próprias experiências, costuma falar do quanto sua vida é recheada de afazeres e responsabilidades, que sempre a colocam como o centro das atenções, e de como ela lida com isso. Sua mais recente tática de humildade, foi colocar em “pratos limpos” para sua platéia, o quanto é importante pedir desculpas quando se está consciente dos próprios erros, principalmente quando se perde a paciência com o comportamento do próximo – sempre expondo para o “lado errado” a maneira certa de fazer as coisas.
Se editássemos a história pessoal de Sofia em um vídeo, veríamos o quanto ela fala em alto e bom tom, gargalhando com convicção sobre suas próprias qualidades, o quanto sua “humildade” adora um glamour, para não dizer uma vitrine.
Uma outra qualidade muito difundida por ela, pois ela se considera a rainha da certeza absoluta, é a sinceridade. Ah, esqueci de mencionar o quanto Sofia pensa que é sincera, pois sempre faz questão de impor para as pessoas o que pensa. Na verdade ela sofre de uma espécie de ”sincericídio romântico” (é mal amada pra falar a verdade - não ama a si própria e só atrai pessoas que abusam de sua “boa vontade”), pois não existe momento, lugar ou decência para suas abordagens – a não ser aquele que mais conhece: o seu próprio. Desde que ela consiga fazer valer a sua verdade, a pressão que as pessoas sentem com seu peso vibratório pouco lhe importa. Afinal, táticas são táticas, e quando o assunto é vitrine, ética profissional não precisa incluir amor, reconhecimento, gratidão, lealdade e respeito. Não lhe importa as pessoas que passaram pela sua vida lhe ajudando a se colocar no lugar que hoje ocupa.
Para Sofia, todas elas podem contar com sua bondade. As portas que ela abre são as únicas que estão abertas e todos devem adentrar por elas, porque se não o fizerem ela ameça fechá-las, contando sempre com a volta dos filhos e filhas pródigas…
Vamos agora, tirar proveito da situação de Sofia:
- Ela detesta se sentir inadequada, por isso jamais dá o braço a torcer. Age por impulso deletando as pessoas de seu caminho como se fossem arquivos sem valor, com desculpas educadas e de bom tom, sempre acompanhas de conselhos maduros que observam o quanto a pessoa fica bem na fita com ela, desde que seja obediente e se coloque à disposição para ser manipulada. Se ocorre de ter que pedir desculpas a alguém ou um grupo, chega a ser interessante notar como consegue se desculpar de maneira tão arrogante…
- Sua clareza é tão despretensiosa… O melhor momento é sempre aquele que ela considera justo para dar uma lição em alguém que lhe tenha causado aborrecimentos, mesmo que despropositalmente. Sofia inclusive faz questão de comentar muitas coisas a respeito de seus colaboradores e colaboradoras, sempre com o intuito de mostrar o quanto é coerente com sua vitrine, mesmo que o assunto não seja de sua alçada – estando em público ou nos bastidores.
- Conclusão 1: para quem tem olhos de ver e enxergar, Sofia está presa ao seu Ego e ao glamour em que a colocaram, e sente-se confortável com a imposição que empenha na vida e sobre as pessoas, pois já que não é capaz de enfrentar pessoas mais fortes do que ela, ela desconta naquelas que subestima e considera mais fracas porque julga dependerem de seus projetos pessoais e parcerias. Sua humildade, se é que um dia a sentiu de fato, a coloca no centro do universo através de exemplos de suas próprias atitudes e qualidades.
- Conclusão 2: o desafio do momento é facilitar a compreensão desse ser, genuinamente tão engajado e capaz, de que todo esforço que faz cava sua a própria cova, pois os colaboradores e colaboradoras têm se afastado dela e de sua vitrine… Estou realmente torcendo para que Sofia consiga enxergar essa fase, pois é um ótimo ser humano.
Sofia é organizadora de eventos e podemos considerá-la uma espécie de RH de vitrines. Pense nisso, humildade é fundamental para quem trabalha com público.
Quem escreveu este atigo, é óbvio, não foi nada humilde, talvez sofra de um “sincerinato” crônico, e reconhece sem demagogia que ainda está aprendendo a andar com as próprias pernas, percorrendo talvez o mesmo conceito de caminho que Sofia hoje percorre. A autora não é melhor nem pior que a personagem, admirando o “sincericídio” e a humildade de muitas Sofias que têm muito a ensinar sobre o caminho do bem-viver…
Que essa reflexão sirva, pelo menos, para nos dar parâmetros de como ligar nosso “desconfiômetro” na hora de nos associarmos a pessoas que se vestem como cordeiros porque ainda não conhecem as mordidas dos lobos…
VindárR

