DANÇA DO VENTRE: Sua Saúde – II
Como se cria uma couraça muscular.
Um estudo de caso.
Vamos partir de um exemplo corriqueiro.
Direta e claramente.
Sabemos que emoções como raiva intensa geram úlceras e inflamações diversas, mas preferimos ignorar essa nota científica e continuar como estamos por ser mais fácil.
Reorganizar-se emocionalmente exige uma certa dose de dedicação e trabalho, significa abrir mão de nossas crenças baseadas em (talvez) falsos pontos de vista, e uma boa dose de orgulho também. Além do mais, não fomos ensinados a cultivar uma clareza mental quando algo ou alguém, não é como gostaríamos que ele fosse.
Em razão disso, e por outras, são encontradas em nosso corpo, excessivas concentrações de energia, que ficam abrigadas em nossos músculos, conhecidas como hipertonia ou nodulações.
Nestas condições, a energia acumulada, não consegue circular, criando uma retração ou contratura muscular – couraça muscular.
Exemplificando este processo diríamos que:
- Alguém me deixou muito nervoso (percebi e reconheci o alvo);
- Senti vontade de bater nele (minha energia se concentrou para organizar esta ação);
- Eu simplesmente lhe dei um murro (desprendi minha energia em direção ao alvo).
O problema é que isso foi uma fantasia minha, alimentada por um desejo: eu não dei o soco, embora tivesse sentido muita vontade, mas, mesmo assim, meu corpo concentrou demasiada energia no meu braço e estômago para que eu pudesse socar o indivíduo. Por alguma razão me segurei, talvez porque socialmente isso é considerado uma agressão e minha reação pudesse ser legalmente observada.
Se este tipo de comportamento é constante, se tenho reações como esta quase todos os dias, pronto, acabo de criar uma couraça muscular que me imobiliza: desde o meu trapézio até as pontas dos meus dedos da mão – sem contar a quantidade de toxinas que foram projetadas para dentro do meu estômago.
Mas essa energia precisa sair para algum lugar, e aí entram as práticas corporais terapêuticas, entre elas, a Dança do Ventre que é o foco deste artigo.
E considerando sobre o termo e a emoção raiva: mais saudável que bater ou socar alguém, é educar-se emocionalmente para não se deixar contaminar com idéias que não acrescentam nada de bom à nossa estrutura emocional. E sabemos o quanto isso nos dá trabalho, pois desapegar-se de uma dependência emocional e psicológica é para a maioria de nós, bastante doloroso.
“Lembrando que meu estado emocional afeta o meu dançar, assim como meu dançar melhora o meu estado emocional”, temos na Dança do Ventre aquele poderoso catalisador de emoções-energia mencionado no texto anterior do qual este é uma continuação.
Tanto no caso da hipertonia, quanto no caso da hipotonia (escassez do fluxo de energia nos músculos, que leva à flacidez e ao adormecimento das áreas corporais relacionadas), a Dança do Ventre atua, ao mesmo tempo, como descongestionante e ativadora do fluxo energético, ajudando-nos a concretizar o bem estar físico, a flexibilidade e o equilíbrio do tônus.
Isso é possível porque, assim como exemplifiquei acima e como descreve a própria bioenergética de Lowen, a mudança do estado fisiológico, é seguida pela mudança do estado mental-emocional, e a mudança do estado mental-emocional, por sua vez, é seguida pela mudança do estado fisiológico, e como uma boa postura também está relacionada à auto-estima, a mulher consegue reorganizar-se.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Algumas informações adicionais podem nos ajudar a desenvolver uma boa conscientização postural e equilíbrio no foco do aprendizado da Dança do Ventre.
A distribuição igual do peso entre os dois lados direito e esquerdo, e igualmente entre as faces anterior e posterior do corpo, pode ser conseguida se imaginarmos uma linha vertical que passa através do centro de gravidade do corpo. Distribuindo o peso segundo estas condições, é possível relaxar o corpo e mantê-lo organizado, com esforço mínimo.
Por mais inacreditável que pareça, essa atitude de se equilibrar os quatro lados do corpo, “abre uma porta” em nosso cérebro e passamos a nos sentir mais relaxadas e atentas para o ato dançar.
Não é necessário sentir dor para se construir uma boa postura. Antes, é preciso consciência.
(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).
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