Abrindo os canais da intuição e da criatividade espontânea – uma experiência única
“Todo ato criativo requer… uma nova inocência de percepção, livre da catarata da crença tradicional”.
(Arthur Koestler, na citação de Betty Edwards, “Desenhando com o lado direito do cérebro”).
Nos workshops geralmente me perguntam: “Lu, como você começou com essa história de geometria na dança?” Há alguns nos atrás eu sempre respondia de uma maneira curta: “estudei arquitetura na faculdade”. Mas nunca me sentia confortável em dar uma resposta inteira. Hoje, com outra mentalidade, posso falar sobre os “grilos” que eu tinha na cabeça.
Até certo ponto de minha vida, há mais de 12 anos atrás, me considerava um pouco “culpada”, isso mesmo, a palavra é forte mas era assim que me sentia, culpada por estar praticando Dança do Ventre, ministrando, sem ser completamente da área. Como se estivesse “roubando” o espaço de quem já era da área há mais tempo. Sentia-me menos que as demais, por não ter o apoio que elas tinham, até descobrir que o maior apoio estava dentro de mim mesma, e eliminar toda e qualquer expectativa de aprovação em relação a como fazia e ao que fazia. Geralmente, quando se está emergindo numa profissão, é necessário eliminar as expectativas, pois sempre aparecerão aquelas pessoas que se sentirão ameaçadas pelas mudanças e irão desaprovar seu trabalho.
(Para conhecer os aspectos técnicos da origem da Geometria Corporal Expressiva acesse o Blog da Geometria Corporal Expressiva)
UMA QUESTÃO DE ESCOLHA
Hoje muita coisa mudou. Bailarinas que não vivem unicamente da dança e dão um show de conhecimento estão aí para mostrarem sua dedicação. Na verdade elas sempre existiram e vão continuar existindo.
Conheci a Dança do Ventre antes de conhecer a Arquitetura. Levada pela minha insegurança em relação aos conflitos familiares, com uma necessidade imensa de ser aceita em função da baixa auto estima, escolhi a Arquitetura, por sentir medo e opressão (ilusões criadas por mim mesma). Com o tempo, fui me encontrando dentro do curso, ou o curso foi me encontrando. Jamais esqueci a dança, contudo. Sempre fui bailarina, nasci bailarina. Encontrei muita resistência por parte de meus familiares por ter escolhido a dança. Na realidade, A Dança me escolheu. Por que não estudei Dança (na faculdade)? Porque não criei oportunidade.
Durante quatro anos de minha vida eu vivi apenas de dança e foi a época em que mais pude investir em conhecimento, prática, shows e apresentações. Mas com a vida que tenho hoje isso não é possível, pelo menos no momento presente. Talvez eu venha a estudar Dança (faculdade) no futuro, mas não ainda. Os momentos se revelam por si mesmos junto com as oportunidades que criamos, e precisamos vivê-las uma de cada vez, senão jamais seremos capazes de nos sentirmos inteiros dentro de uma experiência real. Penso que é importante compartilhar esta experiência porque sempre temos escolhas. No entanto, eu jamais poderia imaginar que a Vida pudesse estar tão certa ao me oferecer alternativas diferentes das que eu esperava naquela época, para estudar um curso que não fosse o de Arquitetura. Jamais poderia imaginar que, de certa forma, a Arquitetura pudesse me oferecer recursos novos que pudessem me auxiliar com a dança. Pois foi o que aconteceu.
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A COLHEITA
Foi um processo cognitivo, cinestésico, auditivo, o que mais posso dizer?…
Os benefícios que recebi foram incontáveis. O aprimoramento da inteligência espacial, a arte de pensar na coisa pronta, como se tivesse já acontecido, o ato de imaginar as formas arquitetônicas no tridimensional, meu deslocamento através delas, me auxiliou a ponto de ouvir uma música e ver a dança, enxergar o interior dela como um espaço repleto de formas transparentes, numa visão de raio x, relacioná-la a um ambiente específico, uma paisagem, um elemento da natureza que produzisse som semelhante.
Comecei a entender a linguagem dos instrumentos e o que eles pediam. Considerava estranho que o lado visual pudesse auxiliar no auditivo. Esta era uma habilidade que não tinha desenvolvido anteriormente. Comecei a ver formas em meus movimentos. Comecei a refletir sobre essa nova linguagem para o corpo, e a aplicar isso na prática com minhas alunas. Como deu certo! Se tivesse feito faculdade de Dança, talvez não tivesse inovado em nada.
Assim nasceu a Geometria Corporal Expressiva, que poeticamente chamo de Metaforma e Movimento.
“(…) Que você pode fazer com a música quando passa a dedicar-se à física? Você tem que esquecer tudo sobre música, mas ela permanece ao fundo. A física está muito distante dela, mas, se você foi bem treinado na música, mais cedo ou mais tarde, você desenvolverá teorias, hipóteses que, de algum modo, terão a cor e a essência da música. É possível que você comece a achar que o mundo é um todo harmonioso – não um turbilhão caótico, mas um cosmo. Talvez você comece a sentir, a pesquisar os domínios mais profundos da física; a achar que a vida é uma sinfonia. Agora, isso não é possível para alguém que não conheceu nada sobre música.
Se um dançarino se transferir para o campo da música, ele trará algo de sua arte para a nova arte.”
(Osho, Quatro Questões, Criatividade e Cruzamento)
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O PRAZER DA CONSCIÊNCIA – COM CONSISTÊNCIA
Certa vez, numa livraria, fui comprar um livro e acabei levando dois. Na realidade, eu não entendi porque comprei o segundo livro. Algo me dizia para comprá-lo e eu não queria, e no fim… Trata-se do livro de Osho sobre criatividade. Qual não foi minha surpresa ao ler aquelas linhas tão sábias “dizendo” coisas que nunca havia pensado antes, havia apenas vivenciado sem entender, sentindo insegurança por isso.
Osho diz que para haver criatividade, é preciso haver cruzamento, ou seja, para ele, “os melhores exemplos de criatividade ocorrem com pessoas cuja formação é de outra área”. Ele fala em hibridação – cujo processo ocorre quando uma pessoa muda de um ramo de atividade para outro, pois ela levará consigo a essência do conhecimento aprendido, apesar de não poder praticá-lo em seu novo campo de atuação.
Foi o que aconteceu comigo. A partir deste dia, tranqüilizei minha mente e passei a trabalhar em paz com os recursos que utilizava, sem medo por serem diferentes e fora dos padrões que a maioria compreendia naquela época.
Tudo o que precisamos vem até nós no momento certo. Não precisamos ir buscar fora desesperadamente. Tudo conspira a nosso favor.
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(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).
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