Dança do Ventre e Intuição

Perceber a realidade e dançar com a intuição

Dançar constitui um processo que reúne, geralmente, três capacidades:
1. Olhar-ver-enxergar a dança e através dela (técnica da visualização);
2. Ouvir-escutar na música (técnica do desenho do som);
3. Sentir o movimento (técnica do desenho animado).

Luciaurea

Luciaurea

Tratam-se das capacidades visuais, cinestésicas e auditivas. Só então, interpretar. O tato e o olfato, também parecem estar bastante presentes, principalmente no uso dos véus e do perfume, ou incensos – estes, podem nos levar a um estado de consciência maravilhoso – e o paladar, a não ser o psicológico, fica quase naturalmente esquecido enquanto executamos a dança. Por essa razão, estudaremos apenas as capacidades principais – sem desmerecer as demais.

A maneira de ver a dança, ouvir a música, e a de sentir o movimento enriquece muito a performance.

A DIFERENÇA ENTRE APRENDER E IMITAR

“Ensinar” a dançar é como “ensinar” uma nova maneira de enxergar o movimento, uma nova maneira de senti-lo e uma nova maneira de escutar música. Você pode “imitar” os exemplos, mas se não aprender a vê-los, senti-los (vivenciá-los) e ouvi-los, jamais será o suficiente para dançar com a alma. Dançar é também como desenhar com o seu corpo formas da música no tempo-espaço.

Nem sempre a dança é um “dom” nato. Pode ser um “dom” adquirido. Tecendo um paralelo entre a comparação de Betty Edwards (autora de Desenhando com o Lado Direito do Cérebro), em relação a uma pessoa que é capaz de escrever legivelmente em maiúsculas ser amplamente hábil para desenhar bem, eu ouso dizer que se você pode se movimentar normalmente, você também pode aprender a dançar. E a dançar bem. É claro que existem exceções. Elas sempre existem. Ainda bem que são poucas. Entre as exceções podemos nomear algumas: bloqueios emocionais graves que exijam terapia intensiva, acidentes que debilitem o corpo, doenças que limitem os movimentos. Tais exceções às vezes proíbem, permitem ou indicam a necessidade de alguma atividade, sem, contudo, ser necessariamente física. E quando é, o problema tende a se manifestar, impedindo que a pessoa avance em alguns aspectos específicos da prática, o que não a impede de ter a dança como prática terapêutica, desde que autorizada pela medicina.

Aprender a dançar é aprender a processar informações visuais, auditivas e cinestésicas, diferentemente da maneira como você normalmente as processa.

COMEÇANDO NA INFÂNCIA

Normalmente, desde crianças, aprendemos uma maneira convencional de utilizar o cérebro, pois fomos condicionados às pedagogias (inclua-se neste item a educação dada por nossos pais) aplicadas nos sistemas de ensino de nossa sociedade. Devemos sempre lembrar que vivemos num mundo sensorial distinto e pessoal, e que processamos informações a todo instante. Quando compreendemos o mecanismo de processamento de informações cerebrais, fica mais fácil aprender. Por isso, verbalizar coisas positivas em relação ao próprio aprendizado é extremamente importante, pois o cérebro processa as informações corretamente (para ele não interessa se a informação é verdadeira ou falsa), conduzindo nosso corpo a uma aprendizagem mais fluente ou não. Nosso cérebro simplesmente executa o que desejamos, consciente e inconscientemente, seja positivo ou negativo para nós.

A CAPACIDADE DE DANÇAR

Tecendo um segundo paralelo sobre a capacidade de desenhar e a capacidade de dançar, pode-se dizer que, a capacidade de realizar uma mudança, no estado cerebral, em uma direção que mostre um diferente modo de perceber, ver, sentir, se mover, pode levar uma pessoa a dançar melhor. O desenhista artista, não desenha com as mãos, mas com os olhos. Ele as coisas de uma maneira diferente. Se uma pessoa consegue acessar este estado mental, em que a percepção se torna mais apurada, com certeza ela será bem sucedida.

Na dança ocorre o mesmo. Se uma pessoa consegue entrar na mesma freqüência da percepção sensorial, cerebral e intuitiva, de uma grande bailarina, ela pode, perfeitamente dançar tão bem quanto, pois a aprendizagem do movimento passa a ser, além de um treino motor, uma percepção interior. A bailarina não dança com o corpo. Dança com a percepção que tem dos elementos que compõem a dança. Se você quer dançar, mas acha que para isso é apenas necessário um aprendizado mecânico, apenas mexer o corpo, está redondamente enganada. A bailarina de Dança do Ventre dança com todas as suas percepções, inclusive as que envolvem a intuição na representação artística.

CONTEMPLANDO A ARTE NO ARTISTA

O fato de sabermos que existe um processo acessível a todas nós, que nos faz chegar perto de grandes bailarinas não desmerece o trabalho das mesmas. Ao contrário, o valoriza ainda mais, pois demonstra que conseguiram atingir uma modalidade mental artística sem nem mesmo conhecerem como se dava o processo. E também porque nos incentiva a adotar o mesmo padrão mental, por intermédio de transição – quando se compreende o processo e se adota um novo posicionamento mental.

Todos nós nascemos artistas. Todas as crianças são artistas, mas o grande desafio é continuar sendo ao crescer. Antes de entrar na escola, nossa força criativa ainda está fresca, sem muitos condicionamentos. Nossa forma de perceber o mundo é autêntica e natural. Ao entrarmos na escola, os métodos educacionais transformam nossa percepção original das coisas, e vamos com o tempo, abandonando isso dentro de nós. Mas não perdemos nada daquilo que esquecemos. Por outro lado, a percepção que não recebe estímulos externos, fica embotada.

O artista desteme a própria criatividade. É por isso que todo artista que é realmente artista é considerado louco, pois para dar voz à sua criatividade, precisa estar fora dos padrões e da tradição local. Parece contraditório, pois a Arte também vive da Tradição (ver Volume I do meu livro “Metaforma e Movimento – Geometria Corporal Expressiva na Dança do Ventre”). Na realidade, tradição e novidade se complementam. Precisam existir as duas para haver equilíbrio. Se não fosse pela novidade, a vida humana jamais cresceria e, se não fosse pela tradição, jamais possuiríamos uma identidade cultural.

(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Para mais detalhes, acompanhe o Blog da Geometria Corporal Expressiva.

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Contate-me: vindaarr@gmail.com

4 Comentários

  1. milena disse,

    23 23UTC Agosto 23UTC 2009 às 14:46

    eu sou milena tenho 10 anos e sonho dançar a dança indiana

    • Luciaurea disse,

      8 08UTC Setembro 08UTC 2009 às 20:37

      Então se matricule em uma escola de dança indiana. :-)

  2. Elizangela v costa disse,

    23 23UTC Outubro 23UTC 2009 às 9:42

    Eu adorei toda essa explicaçao da dança do ventre, eu particularmente sou apaixonada pela dança, eu faço História na Universidade de Rondonópolis-MT. E procuro sempre pesquisar sobre a História da dança. E posso dizer que é maravilhoso.

    • Luciaurea disse,

      30 30UTC Outubro 30UTC 2009 às 10:25

      Agradeço sua apreciação Elizangela!
      Devo dizer que concordo com você, poder estudar a história da dança é maravilhoso!
      Tenho um outro blog em que o conteúdo é bem mais completo:
      http://www.geometriacorporalexpressiva.wordpress.com
      Confira!
      Bjs.


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