Meu amigo Cadu postou um artigo em seu blog sobre o Desejo.
Eu gostei muito do artigo dele e me inspirou a escrever esse.
Desejo é diferente de Vontade.
Na Vontade eu estipulo minhas ações de modo que minha liberdade não fique paralisada sob o julgo de uma decisão que tomei.

O pires pode ter a textura dos acontecimentos, mas a xícara continua sendo transparente para que você possa enxergar dentro e através dela.
No Desejo eu me paraliso em função de um filtro que empreguei para interpretar uma situação.
Então, se minhas experiências têm me causado desconforto de alguma maneira, se meus planos falharam, se me frustrei com as pessoas porque as via sob uma outra ótica, eu passo a querer não desejar mais o que havia me comprometido a conseguir ou o que aparentava ser tão fácil de conquistar.
O NÃO DESEJAR
O não desejar também é uma forma de desejo… o estágio intermediário entre o desejo e o não-desejo é o que elimina todo o conflito da dor: o deixar de desejar.
Não é desapego.
Se você pensa que desapego é honestidade com sua essência está enganado. Desapego é uma forma de se causar mais dor ainda.
Desapego é diferente de deixar fluir.
Desa-pego = eu sei que preciso soltar o que se tornou inútil, que deixar que ele se vá vai me fazer muito bem, mas no fundo no fundo, eu continuo desejando pegar aquilo.
Desapego é segurar o que não quero desejar!
Deixar de desejar é diferente de não desejar, porque não desejar implica ainda no desejo.
Sem dor nem fantasia, é quando você se desprende de qualquer máscara, óculos ou filtro que vinha usando para interpretar uma realidade imediata ou construída há tempos atrás.
FILTROS SENSORIAIS
Por causa dos nossos filtros sensoriais, nós temos a tendência de desejar aquilo que “vemos” (incluindo aquilo que fazemos idéia ou nos contaram que existe, fantasias e imaginações em mundos alternativos, que geralmente temos quando crianças e que continuamos a alimentar depois de adultos).
Como consequência, acabamos por enxergar apenas aquilo que desejamos, ou seja, desejamos porque que já vimos e como consequência vemos apenas aquilo que desejamos – apenas o que estipulamos como necessidade.
Determinando necessidades baseadas em falsos pontos de vista, passamos a sofrer arduamente em busca do objeto de nosso desejo.
Essa pequena “distorção” na retina interna da fuga tem correção: o esvaziamento.
ESVAZIANDO A XÍCARA
Esvazie a xícara dos conceitos.
Esvazie a xícara das opiniões.
Esvazie a xícara do “queria que fosse” ou “mas poderia ter sido diferente”.
Deixe a xícara vazia para que ela possa ser preenchida novamente por um novo chá.
A VIRTUDE DA CORAGEM
Adote uma postura de receptividade amorosa consigo mesmo. Coloque um sorriso em seu rosto. Na receptividade amorosa você descobrirá que somente aquilo o que estiver na mesma sintonia se aproximará de você. Na receptividade amorosa você descobrirá que Sua Verdade continua viva porque Você decidiu trocar o filtro. Você perceberá que o tempo todo, foi somente S i n t o n i a .
Deuses e humanos que fizeram história são amados até hoje porque se propuseram a modificar seus filtros e não tiveram medo do ridículo.
As pessoas também têm seus momentos e nenhum de nós é exatamente aquilo o que faz, mas pensa que é aquilo o que aprendeu a ser! A maioria de nós está passando pela auto descoberta mesmo que não tenha consciência dela.
Nós não somos o resultado do que nossos filtros nos fazem enxergar.
Não somos o que nos propomos a ser porque temos a liberdade de modificar os nossos hábitos mediante nossas descobertas.
Somos apenas um estar constante e mutável que imutavelmente não pára de se expandir.
A VIRTUDE DA PERSEVERANÇA
Como esvaziar a xícara?…
Tome a firme decisão de jogar fora o chá velho.
O chá está velho, o gosto é ruim, mas você insiste em tomá-lo. Seu estômago não aceita mais a consistência dele, mas você ainda insiste em tomá-lo porque aprendeu que ele é o único chá que você pode tomar. Mas isso não é verdade.
Experimente novo chá.
Decida.
E se precisar mudar, decida outra vez.
