Geometria Sagrada

ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE GEOMETRIA SAGRADA

Existe uma teoria que diz que toda vida e forma de existência são determinadas por relações geométricas abstratas, “um mundo invisível e imaterial de formas puras e geométricas”. Até mesmo os nossos sentidos estariam relacionados às proporções geométricas.

Stadhas - sistema de posições rúnicas. O figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos de "Mãe das Runas".

* Stadhas - sistema de posições rúnicas. A figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos como a "Runa Mãe".

Isso pode ser provado através de um simples exemplo: a fotossíntese.

O carbono, o hidrogênio e o magnésio das moléculas da clorofila estão dispostos num desenho parecido com uma margarida – um desenho simétrico complexo, de 12 arestas.

O mais curioso é que o 12 aparece com freqüência, no pensamento mitológico, como número da Grande Mãe Universal, doadora da Vida. Ao que parece, “este símbolo de doze partes é necessário inclusive ao nível das moléculas”.

Este fenômeno é representado simbolicamente nas rosáceas de muitas igrejas, que transformam a luz num espectro de cores. Estudiosos, magos, engenheiros e arquitetos do Mundo Antigo e Medieval sabiam disto.

São Bernardo de Claraval, inspirado em Paulo de Tarso, disse:
“Que é Deus? É longitude, largura e profundidade.”

Os gregos herdaram o estudo da geometria dos egípcios. No Antigo Egito, geometria era considerada o trabalho de medir a terra, em função do transbordamento do Nilo. Era o restabelecer dos princípios da ordem e da lei sobre a terra, porque a cada ano a zona medida à margem do rio era diferente. Então, também, se as constelações mudavam de posição, a orientação de um templo ajustava-se a isto. Na verdade, a geometria tinha para os egípcios conotações metafísicas, físicas e sociais.

A geometria surgiu, desta maneira, como prática da observação da Natureza, que sempre encarnou as formas arquetípicas do círculo, do quadrado e do triângulo, tão estudadas por Jung, que declarou estarem presentes no inconsciente coletivo.

A geometria mede as relações entre as formas no estudo da ordem espacial. Unida à aritmética, à astronomia ( observação dos movimentos cíclicos no estudo da ordem temporal) e ao estudo da harmonia e da música, constituíam as disciplinas mais importantes da educação clássica.

O objetivo desta educação era fazer da mente um canal para que o nível da forma manifestada, a terra, recebesse a vida cósmica dos céus, o abstrato, ou seja, uma disciplina para desenvolver a intuição intelectual e espiritual.

No livro “A República”, de Platão, há uma citação de que os geômetras utilizavam as formas visíveis e falavam delas, mas na verdade tratavam daquilo que elas eram um reflexo, estudavam o quadrado em si e a diagonal em si, mas não a imagem que eles desenhavam. Eram realidades vislumbradas pelos geômetras que só podiam ser contempladas pela mente.

Assim, as formas matemáticas têm uma primeira estância na alma, de modo que existem círculos invisíveis antes dos corpos que se movem em círculos, razões harmônicas antes das coisas harmonizadas, e figuras vitais antes das aparentes. (Thomas Taylor)

A geometria pode ser considerada como uma metáfora da Ordem Universal, e por isso, sagrada.

Atualmente os estudos científicos de Exatas, se limitam à visão das aparências, mas com a descoberta de novas tecnologias e com o advento da Física Quântica, já é possível observar a presença da Ordem Universal nos ciclos da vida.

Referência Bibliográfica:

GEOMETRIA SAGRADA, de Robert Lawlor, Edições del Prado.

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* Stadhas – sistema de posições rúnicas. A figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos como a “Runa Mãe”, por simbolizar o padrão estrutural do universo físico, sendo uma matriz arquetípica que revela conhecimentos numérios e simbólicos relacionados às runas. Com o apogeu dos estudos sobre magia rúnica da Idade Média, passaram a ser vistas não só como sistema oracular ou alfabeto, mas como padrões energéticos que vibram sobre o “wyrd” ou “fio do destino” individual.

Considerações proxêmicas sobre o comportamento IV – baseadas nas pesquisas de Jun Okamoto e Newman

Comparando os estudos de Okamoto e Hall, chega-se aos prováveis tipos de espaço e suas respectivas distâncias, a saber:

Espaço Íntimo: É o espaço que imprime uma relação de intimidade e confiança. Onde não há esta relação, não se considera como espaço íntimo. Distância próxima de 0 a 15 cm. Distância afastada de 15 a 45 cm;

Espaço Pessoal: É um espaço definido por uma esfera ou bolha invisível, tratada como uma zona pessoal de proteção, cujas relações de hierarquia, subordinação e ostentação estão interligadas. Distância próxima de 45 a 75 cm. Distância afastada de 0,75 a 1,20 m;

Espaço Social: Pode ser comparado a uma corda invisível que mantém todos ligados. É também um fator de distância pessoal e psicológica, variando de uma espécie à outra. Diminui à vista de perigo, ex.: crianças atravessando a rua de mãos dadas. Entre os seres humanos, a distância social foi ampliada pelo telefone, pela televisão, pela Internet, etc., modificando as relações sociais familiares, de trabalho, políticas, etc. Distância próxima: 1,20 a 2,20 m. Distância afastada: 2,20 a 3,65 m;

Espaço Público: Trata-se do espaço em comum socialmente aceito e compartilhado como sendo de uso coletivo, como ruas e praças. Distância próxima: 3,65 a 7,30 m. Distância afastada: > que 4,50 m;

Espaço Privado: É o espaço que confere privacidade ao indivíduo ou a um grupo específico, podendo assim, ser pessoal ou sociocultural. A partir daqui, vale como distância os valores do espaço íntimo, pessoal ou social.

Espaço Territorial: Citado anteriormente, faz parte do sentido biológico e instintivo, em que o território faz parte do “Eu”. Não possui distâncias definidas em razão do seu caráter altamente subjetivo (da dimensão pessoal de cada um), e de depender de outros fatores como hierarquia, filtros culturais e autonomia.

Incluindo os estudos de Oscar Newman, podemos classificar mais um item, dando este, a prioridade a projetos residenciais:

Espaço Defensível: Como o próprio nome diz, um espaço que evita o caráter institucional, o estigma da “mesmice” (peculiaridade) que permite a outros (agentes criminais) perceberem a vulnerabilidade e o isolamento dos habitantes, típico nas construções dirigidas às populações de baixa renda. Trata-se de uma técnica que configura formalmente o espaço para que ele, através do layout e design, possa oferecer conforto proxêmico e maior segurança e domínio ao usuário.

Desta forma, este tipo de espaço, o espaço defensível, como denomina o próprio Newman, define a territorialidade para seus usuários, a partir de um layout criado para operar numa hierarquia que se expande do apartamento à rua. Isto significa que o projeto arquitetônico pode colaborar para que os moradores adotem atitudes territoriais que defendam seu espaço.

Segundo ele, o espaço defensível é uma técnica, aplicável tanto para conjuntos de casas de baixa densidade, como também empreendimentos compostos de edifícios de apartamentos verticais. Em sua pesquisa, foi constatado que edifícios adjacentes, com a mesma densidade, porém diferentes na configuração de seus projetos, diferem dramaticamente em sua vulnerabilidade ao crime: “Parece imperdoável que os projetos de edifícios altos teriam sido projetados para fazer os seus habitantes tão vulneráveis, quando os projetos do outro lado da rua foram capazes de evitar estes problemas simplesmente não os criando, em primeiro lugar (…) Contudo, a arquitetura não é somente uma questão de estilo, imagem e conforto. A arquitetura pode criar o encontro e evitá-lo. Algumas espécies de espaço e layout espacial favorecem as atividades clandestinas de criminais. Um arquiteto armado com alguma compreensão da estrutura de um encontro criminal, pode simplesmente evitar, providenciando um espaço que suporte isso adequadamente”.

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Segundo Hall, o homem sente a distância da mesma maneira que outros animais, sendo que seu senso de espaço e distância, não é estático, tampouco inteiramente linear. Relaciona-se com a ação dentro do espaço, e não com a observação passiva.

REGULAÇÃO DA DISTÂNCIA ENTRE OS ESPAÇOS

Hall verificou que há uma tendência geral a acreditar, que a delimitação do homem começa e acaba com sua pele. Os efeitos não possuem uma causa única e identificável, portanto, se admitirmos que o homem é rodeado por uma série de campos em expansão e redução, fornecedores de informações de diversos tipos, seremos capazes de compreender o comportamento humano mediante o espaço, de acordo com os diversos tipos de graus de personalidades existentes, dos indivíduos, como também, segundo Hall, os diversos tipos de personalidades situacionais que são aprendidas.

Um exemplo de personalidade situacional está nas relações íntimas, pessoais, sociais e públicas. Existem pessoas que jamais desenvolvem a fase pública de suas personalidades, de modo que, segundo a psiquiatria, não podem suportar a proximidade de outras. Neste sentido, o ego (mal trabalhado), que se expande para fora do corpo, determina um comportamento de não-contato agressivo.

Casos como esses acontecem, porque a maior parte do processo de percepção da distância ocorre fora da consciência. Por exemplo, o cheiro do perfume de uma outra pessoa, aliados aos seus traços fisionômicos bem próximos, juntamente com a sensação de calor que se irradia do outro corpo, cria uma sensação de intimidade.

Territorialidade

Como conceito básico, a territorialidade, ou espaço territorial, pode ser definida como o comportamento em que um organismo vivo, caracteristicamente, reivindica e defende uma área contra seres de sua própria espécie. Quando há um aumento da densidade populacional, isso se denomina competição intra-espécies.

Na explicação de Jun Okamoto, o espaço territorial faz parte do sentido biológico e instintivo, em que o território faz parte do “Eu”.

Para se ter uma idéia de como a territorialidade é fundamental em nossas vidas, ela garante a propagação das espécies; regula a densidade populacional; define lugares específicos para aprender, brincar e se proteger, coordenando as atividades de um grupo mantendo-o reunido. Através dela, no reino animal, os seres são capazes de se comunicar entre si e perceberem o alimento ou o inimigo – se um animal estiver em seu próprio território ele pode desenvolver reações automatizadas acerca das características de seu terreno, ao invés de utilizar seu tempo procurando um esconderijo.

A territorialidade é, antes de tudo, um sistema comportamental característico a todos os organismo vivos, inclusive o homem, que desenvolveu-se à semelhança dos sistemas anatômicos, pois, da mesma maneira que se distinguem as diferenças anatômicas é possível discriminar as diferenças entre as espécies.

Na dimensão humana, a territorialidade se manifesta em torno do espaço-moradia em que vive, havendo punições previstas em lei em caso de invasão. Um outro exemplo seria a diferença que se estabelece entre propriedade privada e propriedade pública.

No reino animal, a organização social depende de um fator de distância pessoal. Os animais dominantes ostentam distâncias pessoais maiores que os ocupantes de posições mais baixas na hierarquia social. Os animais subordinados tendem a ceder espaço aos dominantes. Isso demonstra a relação entre a distância pessoal (disposição do espaço) e o status. Foi constatado ainda que, a agressão regulada através das hierarquias e do espaçamento, é um fator essencial para o processo de seleção natural – é o método mais primitivo, por ser menos flexível.

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Historicamente, em razão da competição interespécies e das mudanças ambientais, o ancestral do homem, que vivia no chão, passou a viver em árvores. Conseqüentemente, o apoio olfativo que o homem tinha, próprio dos animais terrestres, teve seu ponto transferido para o olho, cuja extensão maior, proporcionou um desenvolvimento mais abstrato do raciocínio humano.

Interessantemente, quando o ponto de apoio – como direção – é o olfato, o índice de agressão é maior, devido à sensibilidade olfativa captar uma série de mudanças emocionais e hormonais, pois estas, seriam “farejáveis”, tais como a raiva e a ansiedade. Hall comenta que, provavelmente, toda a vida humana seria muito mais complicada e intensa, pois a raiva de um indivíduo se tornaria pública, impossível de ser mascarada – pois, de fato, sua raiva seria “farejada” – e influenciaria muito mais rapidamente o restante dos indivíduos, com uma velocidade surpreendente.

O fato de o homem ter transferido seu centro de apoio para os olhos, lhe deu a capacidade de suportar mais a aglomeração.

O sistema de comunicação humano e a maioria de suas artes, como a arquitetura, a dança, a música e a pintura, são baseadas na cultura da visão e da audição, que é uma receptora à distância dentro de sua percepção espacial.

O conhecimento a respeito dos mecanismos bioquímicos do stress, está demonstrando que a alta densidade populacional leva a um aumento das necessidades individuais coletivas. Isso, produz um excesso de informações e da produção, fazendo crescer a pressão social, de modo que o aumento do stress leva ao colapso populacional.

Isso tende a acontecer entre todas as formas de vida. No entanto, é necessário observar que, cada mundo cultural e individual possui seu próprio modo de perceber sensorialmente o ambiente, e não significa que os fatores de aglomeração sejam idênticos, com o mesmo peso e significado para todas as culturas. Isto significa que um fator de aglomeração para uma cultura, pode ser um fator neutro para outra.

Assim, o papel do arquiteto, como profissional da construção, dentro desta óptica, deve criar ambientes arquitetônicos que evitem conflitos urbanos, respeitando as necessidades proxêmicas do homem de cada país, pois isso equivale a expandir a visão sobre a situação da convivência humana, sendo realista com relação aos demais – ao expandirmos nossa atenção às demais fronteiras culturais – como também conosco mesmo.

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O homem usa o espaço como elaboração especializada da cultura.
Na realidade, muitos sistemas culturais, que caracterizam as mais diferentes culturas, são enraizados na biologia e fisiologia humanas. O homem foi capaz de criar extensões de seu próprio organismo. E. Hall (1989) dá exemplos a este respeito: o computador é uma extensão de parte do cérebro, o telefone é uma extensão da voz, a roda é uma extensão das pernas e dos pés, a língua é uma extensão da experiência humana no tempo e no espaço e a escrita, é uma extensão da língua.

As extensões humanas possuem raízes biológicas, como se pode observar. O homem as especializou  a fim de controlar o mundo natural em que vive, criando assim, a dimensão cultural, de modo que, pode tanto participar da formação de seu meio ambiente, quanto este, participar de sua formação. O homem criou um mundo novo a partir de suas extensões, determinando que tipo de organismo será.

Mecanismos bioquímicos do stress

Estudos comparativos de animais mostraram que as exigências de espaço do homem são influenciadas pelo seu meio ambiente. Entre os animais é possível observar, por exemplo, que, de acordo com a modificação do espaço disponível para eles, há também uma modificação na direção, na proporção e na extensão de seus comportamentos.

Citando alguns estudos de Wilhelm Schäfer, realizados em 1956, Hall constata que mesmo as sociedades animais, crescem até uma densidade, cuja criticidade, se torna uma crise de sobrevivência. O espaço pessoal é afetado, e sem sua existência, a sobrevivência é impossível – é fatal a eliminação de alguns indivíduos.

Concluiu-se que o aumento da população leva a uma aglomeração que desencadeia um stress psicológico e emocional, através da química corporal, que faz com que ocorram o aumento do índice de agressividade, que pode levar à prática de canibalismo, a suicídios em massa e até violência sexual. (Curiosamente, na sociedade humana verifica-se o aumento da agressividade e da violência e o canibalismo no mercado de trabalho).

Os suicídios em massa também são um fenômeno comum (que já ocorreu entre cavalos selvagens), mesmo que o meio ambiente ofereça alimento para todos, pois é a natureza quem determina a necessidade de espaço.

No caso de canibalismo, o hyas araneus, espécie de caranguejo, come os caranguejos mais jovens (de carapaça mole) quando o espaço pessoal é invadido – o que só ocorre quando aumenta o número de indivíduos da mesma espécie. Também se constatou, entre os ratos almiscarados, que  isso acontece em razão das fêmeas e filhotes serem presas muito fáceis mediante o aumento da população, pois não há espaços suficientes para a construção dos ninhos. Muitos filhotes são devorados pelos ratos adultos. As fêmeas ficam tão atordoadas que muitas, não conseguem sequer chegar ao final da gestação, e as que conseguem parir, não cuidam direito dos filhotes.

É necessário acrescentar, no entanto, que a pressão ambiental que os predadores exercem melhora as espécies, chegando mesmo a ser terapêutica. A experiência natural demonstra, que o stress tem um papel fundamental no controle populacional, mesmo quando decorrente da aglomeração.

Citando Paul Errington, Hall revela que existe uma semelhança de comportamento entre o homem e os ratos almiscarados, mediante o aumento da população: tendência à violência, além de uma diminuição no índice de natalidade.

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