Geometria Corporal Expressiva II

Caso esta seja a primeira vez que você tem contato com esta página, sugiro a leitura deste o 1º texto ;-) Ele foi escrito – na época em que eu ainda assinava como Luciaurea Faruk – há alguns anos atrás para a wikipédia. Tomei a liberdade de postar uma cópia do texto original aqui no blog porque acredito ser de grande auxílio às estudantes de Dança do Ventre, Tribal, Dança Haviana, Flamenco e afins ;-)

 

Pedagogia

Luciaurea.reconsagracao-do-ventreA pedagogia baseou-se em gráficos de geometria, representando movimentos corporais com formas e linhas geométricas, para auxiliar na leitura visual do percurso de um determinado movimento, e facilitar o desenvolvimento cinestésico da expressão do mesmo.
Tais gráficos são geralmente esquematizados a partir da forma da esfera (menos comum) e do cubo (mais utilizada). Esta, serve para representar o espaço tridimensional. O movimento-forma é então projetado em um determinado eixo (longitudinal, transversal e/ou sagital) e em um determinado plano (horizontal, vertical e distorções entre ambos), de modo que o “boneco”, corpo do(a) bailarino(a), é posicionado no centro do cubo (ou da esfera) sobre o desenho. Ao compreender o esquema visual, obviamente com as devidas explicações do(a) facilitador(a), o cérebro automaticamente reúne as informações necessárias para executar o movimento que é o objeto de estudo, embora o corpo necessite de um tempo, relativamente curto ou médio, para responder ao exercício:

  • Em Dança do Ventre o método fará uso de gráficos que representem formas como oitos, círculos, linhas ondulatórias e linhas tremidas a serem representadas em movimentos torácicos, de braços e quadris;
  • Em Dança Havaina sua forma de utilização será idêntica, com o adendo do significado inerente dado à cada tipo de movimento, que faz alusão a elementos da natureza;
  • Em Dança Indiana, sendo uma dança cuja característica acentuada, é o uso dos movimentos de mãos (mudrás) para representar uma idéia, e as batidas de pés, a depender do estilo teremos:
  1. se for o Katak, utilizará linhas retas, pontuações e quadrados em profusão;
  2. Se for o Odissi, utilizará linhas retas, pontuações e linhas orgânicas;
  3. Se for o Estilo Bollywood, combinará elementos formais ocidentalizados, porém, sempre baseados na Dança Clássica Indiana (Katak, Odissi) que lhe deu origem;
  • Em Estilo Livre e em Dança Contemporânea o método fará uso de diversas configurações geométricas em gráficos, previamente programados, de acordo com a intenção do professor;
  • Em Dança Étnica Contemporânea, no Estilo Tribal Brasileiro, o método é aplicado conforme a interpretação visual da forma de cada estilo (Dança do Ventre, Dança Indiana citadas anteriormente), para depois realizar a fusão dos movimentos:
  • No Flamenco as curvas e os círculos serão valorizados em sua expressão dramática, com acentos fortemente marcados pelos pés;
  • Nas Danças Folclóricas Brasileiras os gráficos deverão ser previamente elaborados de acordo com o estilo em questão. O Maracatu, por exemplo, utiliza linhas orgânicas nos braços, pequenos passos e círculos, manifestados em acrobacias semelhantes ao frevo e giros.

Geometria Corporal Expressiva I

Este texto foi escrito - na época em que eu ainda assinava como Luciaurea Faruk - há alguns anos atrás para a wikipédia. Lembro-me de na época ter havido uma grande discussão dentro do mundo wiki sobre a importância do mesmo… No fim, a votação dos wikipedistas foi para que o texto permancesse em função de sua relevência didática. No entanto, não pude colocar meu nome como autora do texto e nem do método, pois a ética da wikipédia não permite que um usuário se coloque como autor de algum projeto ali postado – seu objetivo é universalisar o conhecimento. Como sou wikipedista, segui a regra, e tomei a liberdade de postar uma cópia do texto original aqui no blog porque acredito ser de grande auxílio às estudantes de Dança do Ventre, Tribal, Dança Haviana, Flamenco e afins ;-)

Luciaurea.reconsagracao-do-ventreA Geometria corporal expressiva, surgida em 1997 e parte da dançaterapia, é o termo que define basicamente o uso da geometria e da metafísica como recurso didático no ensino da dança.

Inicialmente, o método começou a ser experimentado, por um pequeno grupo de pesquisadoras, no ensino da Dança Oriental.

Em 10 anos, a metodologia provou ser útil, inclusive para outras modalidades de dança, tais como a Dança Havaiana, a Dança Indiana, o Estilo Livre, a Dança Contemporânea e a Dança Étnica Contemporânea do Estilo Tribal Brasileiro (dança de fusão entre Dança do Ventre, Dança Indiana, Flamenco e Danças Folclóricas Brasileiras).

Idéia e origem

O termo que define a nomenclatura, foi desenvolvido posteriormente à sua utilização, apenas para dar um nome àquela forma de ensino.

Os experimentos tiveram início pelo estudo da Gestalt e da Semiótica, numa “leitura semântica” do movimento como forma, e, posteriormente, mais estudos foram sendo agregados, de modo a acrescentar fundamentos à prática e estruturá-la no caminho da eficácia. Portanto, a idéia que originou esta estrutura metodológica, baseou-se em diversos estudos, entre eles:

  • A Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung;
  • A Psicologia Formativa de Stanley Keleman;
  • As couraças musculares de Reich;
  • A Geometria Filosófica de Robert Lawlor.

Segundo a Gestalt, o cérebro possui um circuito de reconhecimento de padrões. Isso significa que somos matematicamente programados para perceber as formas do mundo físico, o que quer dizer que a simbolização é uma função básica da mente (Cetta e Ward, 1994) – e por isso a experiência com a geometria em dança foi bem sucedida: a geometria é uma linguagem universal e biológica (Tuan, 1974), (Lawlor, 1996), (Jung, 1964).

Com base nestes estudos, na visão do método, o mundo é constituído por formas: assim como movimento tem forma, o rosto tem forma, a vida tem forma, de modo que, os diversos tipos de dança que existem, foram percebidas, e então concebidas, como linhas vivas, linhas em movimento, que em sua abordagem poética “conversam” através do corpo do bailarino(a).

Na Geometria corporal expressiva, os estilos de dança são resultados de diferentes tipologias (tipos de formas) de movimentos, que conferem uma plástica única a cada tipo de dança. O aprendizado da dança passa pela estrutura ideológica das formas: quadrado, círculo, triângulo, oito, curvas, retas e variações, não necessária e obrigatoriamente nesta ordem, utilizando gráficos geométricos que representem os eixos e planos corporais de acordo com cada tipo de dança.

A conceituação do termo chegou a ser considerada mística, e não puramente científica, por incluir a abordagem corporal dentro da abordagem filosófica da metafísica, apesar desta metodologia ser largamente aplicada com resultados práticos e não ter qualquer relação original fundamentada no misticismo.

(Segue em brave a segunda parte…)

Paradigmas na formação do ser humano

Alguns paradigmas para a formação de um ser humano… melhor ou pior?  E melhor ou pior sob qual ponto de vista? Certa vez me pediram para efetuar um trabalho de faculdade para uma turma de Pedagogia. E láh fui eu estudar Edgar Morin… só que me empolguei, e não consegui resistir a colocar um tiquinho do meu (t)’oque pessoal aqui no blog – lógico q não no trabalho!

Corredores da percepção

Corredores da percepção

Este texto não é o resultado de uma olhadinha num livro, pegada de frases legais e palavras de efeito. Ele é reflexo de uma gestação. O resuldado da diferença entre VindárR e Morin táih embaixo :P   Pretenciosa néh? hehe Pense q o q realmente tem valor são as idéias compartilhadas e não o tamanho das nossas pretensões. Afinal, pretenção é pra quem pode :P

Beijinho cósmico :*

 

Todos os paradigmas são questináveis a não ser o fato de que você e eu respiramos oxigênio :P

Cada um dá o que tem
Aquilo que um pai não conseguiu aprimorar em si mesmo não pode exigir em seus filhos.

Um bom exemplo disso é a impraticabilidade de um processo de aprendizagem sendo promovido pelo professor que não domina a matéria que ministra - lógico que sua autonomia está corrompida. Já que a aprendizagem é um processo que envolve razão e emoção, o ego do professor faz toda a diferença, principalmente quando não se sente seguro para ensinar sobre um determinado tema. Logo, não permitirá que seus alunos avaliem em detalhes o que está sendo visto em sala de aula, podando-lhes a expressão.

Ao penetrarmos no terreno da família o que encontramos atualmente? O ego dos pais querendo tornar seus filhos à imagem e semelhança daquilo que pensam ser. Mas isso é previsível… filhos não nascem com manual de instrução! – embora essa prática aceita e difundida seja parte de um resquício cultural que veremos logo abaixo ^.^

Conhecimento é diferente de ilusão, embora também possa ser seu produto.
Conhecer implica em saber para poder usar. Ilusão implica em usar sem o saber, diferente de experimentar para poder conhecer.

Um círculo de pessoas que tem por objetivo a transmissão de um conhecimento precisa saber o que é o conhecimento que visa transmitir. Por exemplo: Para a criança o mundo é enorme e ela se intimida com o tamanho das pessoas adultas e de como reagem à ela. Quer se sentir protegida e amada. Para o adulto o mundo dentro das paredes de sua panela não é tão grande assim, ele não relaciona o tamanho do espaço físico com a quantidade de amor ou vazio de amor que existe dentro da panela.

Um outro exemplo. Se a matéria de ciências prevê o ensino do que é a água potável, o professor deverá previamente saber o que é a água. Tomar a água sem saber o que ela é – não o que tecnicamente representa - é o mesmo que se contentar com a informação que é algo que serve para matar a sede – ou seja, apenas aquilo o que tecnicamente representa - correndo-se o risco de beber água contaminada.

O conhecimento é água potável. A ilusão é água contaminada.

Agora vamos bater-latinhas juntos :D  Se a ilusão é água contaminada, não seria todo o conhecimento produzido pela humanidade até agora, uma grande represa de água não potável? Se fosse, essa água não potável seria a mesma coisa que a água contaminada?

Conhecimento e ilusão interagem com erros, acertos e reconstruções atemporais
O que nossos sentidos captam não é a realidade, mas uma interpretação da realidade. Eles atuam como filtros.

Impossível perceber o mundo da maneira idêntica em todos os níveis da existência. Exemplo: um engenheiro não concebe um projeto da mesma maneira que um arquiteto, assim como um músico não vê a matemática da mesma maneira que o físico.

Ao se desenvolver um conceito se tem uma ferramenta de detecção de erros, o método científico é um exemplo disso. Mas ao se desenvolver paradigmas se tem uma arma que cria ilusões, que serão substituídas por outras no decorrer da história da humanidade.

Erros, ilusões, cegueiras e maneiras de perceber, são uma bela sugestão de foco que podemos ajustar em nossas lentes mentais para otimizar novos paradigmas que sejam mais adequados ao nosso bem-estar e cultura pessoal – e social.

Diferença não é defeito.
Nascer, receber um carimbo e ser igual a todo mundo.

Um animal recém nascido tem suas primeiras experiências marcadas pelo “imprinting” (Konrad Lorenz).

O ser humano tem suas primeiras experiências marcadas pelo “imprinting cultural”. Exemplo: ao nascer se recebe um nome, com a família se aprende as coisas consideradas “certas”, como também os vícios hehe, e assim se dá o “processo de normalização” da criatura humana, e todo resquício de originalidade passa a ser visto como contestação ou incoerência – familiar ou social.

Como poderia um professor aceitar um aluno tão criativo se isso não é considerado “normal”? É melhor considerá-lo hiperativo… E assim começa a massificação da consciência pelo carimbo da normalidade…

Agora pense comigo: se vc não fosse esse vc que lhe deram, não tivesse o nome que tem, não usasse as roupas que usa, não fosse filho/filha dos seus pais, vc seria como é hoje? Como vc seria então? Que desejos abrigaria? Que verdades decidiria a respeito de si mesmo(a)?

… Em andamento… (continua…)

Fonte de inspiração:
MORIN, Edgar. Los siete saberes necessários a la educación del futuro. Paris: UNESCO, 1999.

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