Dança do Ventre, Inv(f)erno e Cólicas Menstruais

Bom, eu adoro frio, mas como todas, detesto sentir dor!

Com o tempo, fui adquirindo alguns hábitos que atualmente me protegem e espero que a sugestão possa nos dar algo para pensar a respeito.
1. Faça uso de meias e sapatilhas – e não dispense o agasalho. Cubra seu ventre se for preciso, para não tomar friagem no ventre e lombar, pois épocas frias intensificam não somente cólicas, mas lombalgias e fribromialgias também;
2. Aquecimento prévio, de longa duração, com muita respiração abdominal e alongamento. Não se trata de aquecimento rápido de academia – mas um carinho, um cuidado e uma mensagem para o corpo de que você está dando atenção ao diálogo dele: toda cólica é um sinal de diálogo do corpo;
3. Diminua a friagem ambiente. Feche janelas e se a aula esquentar em função dos exercícios prefira um ventilador à distância com circulação indireta.
4. Bom humor. Não o deixe guardado na gaveta! Coloque um sorriso em seu rosto

BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE PARA CÓLICAS MENSTRUAIS

Creio que para desfrutarmos de qualquer benefício que a dança do ventre possa nos oferecer, precisamos ter consciência de como nos cuidar.

Cólica menstrual - alivie esse problema com a prática da dança do ventre

Cólica menstrual - alivie esse problema com a prática da dança do ventre

Tornou-se comum o crescente índice de reclamações femininas sobre as cólicas menstruais. E os homens também reclamam, pois as mulheres simplesmente “piram” com a TPM.

Vivendo em meio a uma cultura que ensina a detestar os fenômenos femininos do corpo como um dogma que não deve ser questionado, o resultado só pode ser o aumento do sofrimento da mulher.

O que nós, mulheres, precisamos aceitar, é a nossa condição feminina a nível físico, pois a negação e rejeição de qualquer fenômeno orgânico que envolva a nossa natureza é também responsável pela dor que sentimos por termos nascido mulheres.

No plano sintomático, nos comportamos como se estivéssemos num campo de batalha, travando guerras com obstáculos metafóricos de nosso subconsciente, que mês a mês, a cada ciclo lunar, se renova e fisicamente se reoganiza para receber uma nova vida. Aprendemos a considerar nossos ciclos uma abominação.

Abominação é para mim, ouvir mulheres amaldiçoando a menstruação, projetando mais raiva sobre seus úteros já enfraquecidos por drogas e conceitos depreciativos sobre o ser mulher.

UMA LENTE DE AUMENTO SOBRE “OS CONTOS DE FADAS”

O que você precisa saber sobre cólicas menstruais está dentro de você: no seu útero. E saiba que quanto mais raiva você assumir internamente sobre esse tema, mais dor você irá sentir… Infelizmente isso é cientificamente comprovado.

Em se tratando de arquétipos (C.G.Jung, Joseph Campbell, Jean Shinoda Bolen, Cristina Cairo), carregamos através da construção histórica de nossas ancestrais, a “imagem da mulher que obedece mas que precisa ser uma guerreira no lar”, herança da consciência machista de clãs e povos colonizadores que deturparam culturas femininas de poder. A única maneira de realizarem tal feito foi “massacrificando” as crenças sobre o sagrado feminino. O hábito de arquivar registros históricos nos mostra claramente esse resumo.

Eu costumo dizer que a dança do ventre nos faz pensar como mulheres. Como mulheres somos responsáveis por atacar nossos corpos, nossas formas, nossa psicologia e nossa identidade, em troca de paz e aceitação social, ao invés de desvendar os bloqueios psicológicos projetados sobre nós desde a vida intra-uterina. Paz porque nos consideramos “mulheres modernas”, e não podemos perder nosso tempo, dando mais atenção ao diálogo da dor e à sua cura, porque precisamos trabalhar/ganhar dinheiro/pagar as contas; e aceitação social porque apreciar a própria menstruação é sinônimo de “estranhismo”. Afinal, “sangue é nojento”, “sangue é feio”, sangue é “coisa do diabo”. Uma “coisa do diabo” que nos dá vida.

FISIOLOGIA DA DOR

A dor da cólica menstrual é causada pela contração muscular e má oxigenação do útero. A prostaglandina é a substância que age na ovulação e no sangramento menstrual. Quando a taxa de prostaglandina aumenta, aumenta também a concentração de cálcio dentro da musculatura do útero, e este passa a se contrair. Esta contração por sua vez, dificultará a circulação sanguínea e provocará a diminuição de oxigênio no útero.

Imagine isso: o útero está cheio de cálcio, contraído e quase sem ar. Sua única alternativa á gritar por SOCORRO!!!!!!! Acrescente à ocorrência, o aumento de vasopressina, que elevará a pressão dos vasos uterinos, reduzindo o espaço para o oxigênio ser conduzido. Com certeza isso vai gerar mais dor.

Quer saber mais? Tudo isso é somado a um fenômeno que se chama couraça muscular.

Para que serve uma armadura? Para nos proteger. O subconsciente cria sistematicamente diversas armaduras e as armazena pelo corpo afim de nos proteger de situações consideradas desagradáveis. O sinal de estímulo para ativar uma couraça é a emoção. Cada emoção é associada a um tipo de couraça diferente.

Sabendo disso, pense a partir de agora, três vezes antes de proferir uma palavra que menospreze teu útero – até nas entrelinhas! Faça uma programação neurolinguística em você mesma!

A dança do ventre promove exercícios salutares que diminuem a dor das cólicas menstruais porque estimulam a oxigenação no útero, juntamente com exercícios de abandono das couraças musculares que construímos nele – algumas vezes de maneira dolorosa para algumas mulheres.

As ondulações abdominais são um forte “chamariz” e marca registrada da dança do ventre. São também, exercícios renovadores da auto estima da mulher moderna, que tende a projetar sobre seu ventre, toda a idéia de feiúra que a cultura de mídia ensina como verdade massificada, para fazê-la aceitar paradigmas como se fossem suas verdades pessoais.

Não estrague sua felicidade. Fique de Olho!

DANÇA DO VENTRE, INVERNO E CÓLICAS MENSTRUAIS

Um cuidado prático!

Eu posso dizer que com a experiência, fui adquirindo alguns hábitos que atualmente me protegem e espero que a sugestão possa nos dar algo para pensar a respeito nesta época de frio.

  1. Diminua a friagem ambiente. Feche janelas e se a aula esquentar em função dos exercícios prefira um ventilador à distância com circulação indireta;
  2. Faça uso de meias e sapatilhas – e não dispense o agasalho. Cubra seu ventre se for preciso, para não tomar friagem no ventre e lombar, pois épocas frias intensificam não somente cólicas, mas lombalgias e fribromialgias também;
  3. Aquecimento prévio, de longa duração, com muita respiração abdominal e alongamento. Não se trata de aquecimento rápido de academia – mas um carinho, um cuidado e uma mensagem para o corpo de que você está dando atenção ao diálogo dele: toda cólica é um sinal de diálogo do corpo;
  4. Bom humor. Não o deixe guardado na gaveta! Coloque um sorriso em seu rosto :-)

Boa Dança!

*** *** ***

(Uma parte do presente artigo pode ser acessada no fórum do site central dança do ventre. Outra parte foi retirada do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Movimentos da Dança do Ventre I

PASSOS DA DANÇA DO VENTRE

- CAMELOS E SERPENTES -

Um bom exercício de dança do ventre!

As ondulações de ventre conhecidas como camelo e serpente, são a marca registrada da Dança do Ventre. Elas são a verdadeira causa do nome desta forma de dança, e emprestam o encanto que ela carrega.


Luciaureabela

Durante a realização dos camelos ou serpentes, o processo respiratório é mais intenso, pois é provocado pela movimentação diafragmática. Neste processo, a respiração tonifica os órgãos internos (útero, ovários), limpa os pulmões e os intestinos, movimentando o diafragma, tão esquecido por nossas vidas sedentárias.

As ondulações abdominais, geralmente conhecidas como “camelo” e “serpente”, favorecem a sensação de conforto, e trabalham a voluptuosidade, porque carregam consigo o significado do materno e do útero, de modo que também geram influência no campo da visão interior. O útero também representa a sabedoria feminina e esta visão interna depende da aceitação desta sabedoria. O controle dos músculos abdominais, exigido nos exercícios desta natureza, é desenvolvido na medida em que a mente entende o percurso que a forma realiza no abdômen, ou seja, para cima e para baixo, e desenvolve a consciência corporal da região. Tais movimentos intensificam o fluxo sanguíneo na região, afetando positivamente a estrutura interna dos órgãos abdominais.

As ondulações abdominais podem ser feitas de dentro para fora ou de  fora para dentro. Eu chamo de camelo quando o movimento se inicia de dentro para fora, também conhecido como “ondulação contrária”, e de serpente quando o movimento vem de fora para dentro.

Esquema de ondulação abdominal da dança do ventre

Esquema de ondulação abdominal da dança do ventre desenhado por Luciaurea

O aprendizado das ondulações abdominais da Dança do Ventre requer tempo, paciência e persistência.

A primeira coisa que você deve aprender é a respirar corretamente a respiração diafragmática. A priori, será um exercício mecânico, com o tempo, se tornará uma movimentação tão natural, que sua respiração fluirá sem empecilhos durante a realização dos camelos e serpentes.

Uma sugestão que menciono aqui, e que aplico em aula, é pedir que as alunas se posicionem no chão, deitadas ‘de costas’, sobre um colchonete ou superfície forrada, com os joelhos flexionados e próximos, e os pés separados, para haver um equilíbrio das pernas. As mãos devem estar levemente pousadas sobre o abdome para que possam sentir toda a atividade da região, e o corpo totalmente relaxado.

  • Observe primeiro sua respiração. Com calma, sem pressa. Apenas observe. Não faça nada.
  • Deixe o ar sair e entrar livremente pelas narinas. Só pelas narinas.
  • A boca, os lábios e a língua devem estar relaxados. Respire apenas pelas narinas.
  • Apenas acompanhe os movimentos naturais de seu ventre.
  • Imagine que você deseja limpar o seus pulmões.

Em algumas pessoas o processo de “encouraçamento” é tão forte que não sabem, não fazem e não conseguem realizar a respiração com o diafragma. Estas pessoas devem prestar muita atenção na execução do exercício. Devem primeiro compreender o processo e relaxar para que ele flua.

Segue então, uma dica de relaxamento como exercício:

  1. Deite-se confortavelmente. Você não precisa forçar nada…
  2. Permita que o ar flua livremente, e a cada expiração você se sente cada vez mais relaxada.
  3. Agora, inspire profundamente o ar, imaginando que ele entra pela sua vulva e preenche o seu útero, expandindo todo o seu abdome.
  4. Segure este ar por alguns segundos… 1,2,3…
  5. Agora solte lentamente o ar, esvaziando o abdome e relaxando ao máximo sua musculatura.
  6. Repita o processo.
  7. Com calma. Sem forçar nada. Perceba que, quando seu abdome se eleva, o diafragma se expande, que por sua vez, estimula a base do pulmão para que ela fique mais oxigenada.
  8. Perceba que neste processo, o abdome é o único que se movimenta, o tórax permanece quaaaase imóvel, pois sua ondulação é apenas uma consequência do movimento abdominal.
  9. Acompanhe com sua atenção, todo o movimento de seu ventre, sua expansão e relaxamento, seu ritmo, sua história.
  10. Acompanhe as sensações de descanso, paz e liberdade advindas deste processo curativo e perceptivo.
  11. Deixe-se revitalizar por “Aquela que Restitui” as células, o ser físico e o eu.
  12. Harmonize-se com isso conscientemente.

Depois que você experimentou a respiração diafragmática na posição deitada, você pode tentar, agora, controlar mais a sua musculatura, procurando desenhar uma onda com seu abdome. Utilize suas mãos sobre seu ventre para despertar sua consciência visceral.

Para auxiliá-la, faça uso de um espelho e o coloque ao seu lado, não para se criticar, mas para se observar! Para que você possa observar sua ondulação, pois muitas vezes se tem a sensação de que não se está fazendo nada. Isso é apenas uma sensação. Logo, utilize um espelho para que você se sinta mais encorajada. Se ele te atrapalhar, então dispense-o.

O sentido da onda que você desenhar fica a seu critério. Se de baixo para cima ou de cima para baixo. Tanto faz. Aproveite a ação da gravidade para ondular ainda mais. A posição deitada é ótima para o aprendizado das ondulações abdominais.

Tecnicamente, podemos combinar as ondulações com outros movimentos, com os braços ou ainda em deslocamentos, o que deixa as ondulações com um ar de deslizamento e fica visualmente curioso e muito bonito.

*** Luciaurea ***


(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Dança do Ventre e Metodologia de Ensino

Dança do Ventre e Geometria Corporal Expressiva Aplicada

Como isso funciona na prática?
Vamos dar uma olhada.

Quando eu comecei minhas pesquisas há 14 anos atrás, fui percebendo que a forma geométrica era uma linguagem universal.

COMPREENDENDO A BASE

Luciaurea

Luciaurea - efeito geométrico de duplicação

A forma geométrica não existe com perfeição na natureza, dizia um professor meu.

Se a forma é apenas uma interpretação que o cérebro faz a partir da projeção retiniana, não podemos afirmar que elas realmente existem como as percebemos no mundo externo. Interpretamos o mundo como o percebemos,  não como realmente é – as formas nada mais são que interpretações que realizamos.

Assim, quando dizemos que a forma pode interferir no comportamento humano, estamos, na verdade, dizendo que, como seres da mesma espécie, com equipamentos perceptuais semelhantes, reagimos com padrões de comportamentos parecidos, mediante àquilo que percebemos como real.

Na medida em que nossa percepção cresce, conforme nosso desenvolvimento psicofísico, nossos comportamentos vão se individualizando, pois, embora façamos parte de um mesmo mundo biológico, estamos integrados, cada um, em seu próprio mundo sensorial distinto.

Historicamente, na biologia, a microfísica comprova que a natureza é regida em proporções geométricas variadas, que, em sua maioria, podem ser explicadas pela matemática e pelo estudo da  geometria. Embora nem sempre a geometria consiga explicar tudo, ela está sempre presente em nosso mundo. Nossos cérebros possuem circuitos de reconhecimento de padrões que reconhecem uma árvore triangular e um sol circular – mesmo através de um microscópio, vemos um mundo repleto de formas.

A matemática, através da geometria, pode determinar que o modo como sentimos o mundo depende da sua estrutura. Pode determinar, por exemplo, o perfume de uma rosa: quando se aspira ao seu perfume, na realidade, está-se respondendo ao arranjo dos átomos de hidrogênio, oxigênio e carbono em moléculas, num esquema geométrico que, se não existisse, exalaria cheiro de água e fuligem. Pode também determinar, por exemplo, a configuração do rosto humano: cada átomo do corpo é substituído de 7 em 7 anos e, no entanto, a estrutura geométrica do rosto permanece a mesma, de modo que podemos reconhecer a mesma pessoa daqui a alguns anos, mesmo que não tenhamos mais convivido com ela.

Manifestando “existência” material e biológica, a forma é, naturalmente, absorvida pelos mecanismos inconscientes das formas de vida que já são capazes de interpretá-las ou, de alguma maneira, percebê-las. No reino hominal, conforme a evolução dos equipamentos sensoriais do homem, este, foi desenvolvendo uma organização sistemática de vida que, comprovadamente, refletiu tal manifestação, simbólica e arquetipicamente, desde as artes primitivas até as organizações da urbe atual.

Se, num determinado ambiente, nos sentimos excluídos, amedrontados, ou seguros e harmonizados, é porque, de maneira inconsciente, percebemos as mensagens implícitas transmitidas pelas configurações formais deste mesmo ambiente, através de nossos processos cognitivos – ou melhor, interpretamos o conjunto das interações entre massa e espaço, nos identificando ou repelindo estas interpretações, através de posturas e atitudes que redundam em diversos tipos de comportamento – podendo ser agradáveis ou hostis.

APLICANDO A BASE

Em dança ocorre o mesmo: cada forma, na dança do ventre, será interpretada diferentemente por cada praticante, mediante o significado arquetípico que a mesma assumir no interior de cada mulher.

Se, por exemplo, uma mulher tiver fortes problemas de baixa-estima, possivelmente, tenderá a assumir a postura dos ombros arcados para frente e a colecionar problemas de relacionamento de naturezas diversas. Os movimentos-forma da dança do ventre a serem trabalhados nesta região, então provavelmente, no início, serão bloqueados pelo próprio psiquismo da mulher, que, inconscientemente, numa reação de autodefesa, se manifestará sob a forma de coordenação motora travada e confusa.

Este sistema de defesa que possuímos é parte integrante do nosso subconsciente, que não possui o consciente para tecer julgamentos de valor. O nosso subconsciente é uma fita magnética que executa qualquer coisa gravada nela. Se para esta mulher do nosso exemplo, com dificuldades de relacionamento, echar-se para o mundo consistiu numa alternativa para diminuir seu sofrimento, seu sistema somatizou esta informação em seu corpo, impregnando sua postura com a mensagem de “não sou boa o suficiente”.

Para destravar seus movimentos e corrigir sua postura, será necessária a compreensão consciente do que realizar. Será necessário ver, ouvir e sentir os movimentos da dança do ventre. Ver para compreender o percurso de um tipo de oito por exemplo, ouvir uma explicação para reforçar a memória corporal e auditiva, e sentir o oito para desbloquear sua motricidade.

A forma do oito, na dança do ventre, cujo desenho representa o lirismo e a fluência da continuidade, terá a função de trabalhar a sensualidade emocional, levando a mulher a aceitar, através da representação simbólica da forma deste movimento, que precisa soltar os pensamentos negativos do peito, eliminando quaisquer mágoas que tenham se instalado energeticamente na região; criar coragem de responder por si mesma em quaisquer situações e parar de responsabilizar-se por terceiros, tirando o mundo de suas costas; e a amar-se mais, aceitando seu corpo, o que redundará na elevação de sua auto estima. Como esta aceitação acontecerá: de maneira natural – na perfeita ordem tempo e espaço, de acordo com a realidade pessoal de cada praticante de dança do ventre.

Tal é o processo resumido de como ocorrem as interações de influência da forma sobre o comportamento humano feminino na prática da dança oriental.

(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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O Certo e o Errado na Dança do Ventre, Tribal e afins

Heisenberg.
Princípio da Incerteza.

Luciaurea

Luciaurea

Na experiência cotidiana, tudo possui múltiplos atributos. Só conseguimos observá-los um-de-cada-vez.

Não pretendo colocar em foco a questão da “atenção plena” aqui. Cotidianamente, mesmo com atenção plena, existem inúmeros estímulos e realidades que nos passam despercebidos.

Pois bem, vamos descascar um pepino aqui.

Realmente, mulher é um bicho complicado… Para falar de outra mulher então, xihhhh… Tantasss gentesss (tecla sap: bailarinas) escrevem em tom crítico – como se fossem “Papas da Dança” – sobre o que é certo e o que é errado em outras profissionais sob a máscara do título “certo e errado na dança do ventre”, esticando o pescoço para além de seus murinhos para “espiar o que a outra está aprontando”, que às vezes eu me pergunto porque não nasci homem…

Eu não tenho muros. Sempre que encontro um que construí sem perceber eu destruo. Minha mente adora posicionar-se ao ar livre. Confio nos meus atributos naturais e no meu sistema imunológico emocional.
Quem procura proteção reverencia o útero da terra e ali é acolhida sempre que necessita.

FOFOCAS SENSACIONISTAS

Tenho notado que quanto mais observamos uma coisa ou alguém, fixando apenas uma maneira de enxergar – a nossa – maior é a probabilidade de ficarmos cegas para a beleza de um processo reparador que a dança feminina vem nos trazendo nos últimos anos.

Minha amiga Adriana sempre diz: “a dança serve para unir as mulheres, não para afastá-las.”

A palavra verdade deve ser empregada com cautela, porque nem sempre ela é relativa – ela tem faces que não são nada relativas. Por exemplo, se temos apenas uma maneira de olhar para alguém, essa maneira é sempre limitada, porque nossa tendência é olhar para apenas uma parte das possibilidades que aquela pessoa mostra – mesmo que o julgamento aponte que ela seja tosca :P

Estudando um pouco de física quântica e aplicando esse conhecimento em minha dança, consegui encontrar coragem para conviver com a possibilidade de outras possiblidades… com portas ou sem portas… com janelas ou sem janelas… isso me lembra aquela música de infância “era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada… ninguém podia entrar nela não, porque na casa não tinha chão…” ;-)

ENXERGANDO ALÉM DAS PAREDES E DOGMAS PAPAIS

Eu aprendi com a prática da Dança do Ventre, e na busca de uma dança mais conceitual – padrão de dança que escolhi desenvolver para mim, através da comunhão entre danças que estudei e que aplico em minhas performances – que a ambiguidade sempre me desafiou a superar os limites de minha criatividade.

Se pararmos para pensar na possibilidade de que o ambíguo pode ser estimulante como tática de aprendizado, ensino e convivência, nós teremos a permissão, sem qualquer culpa na consciência, de desistir das respostas corretas, porque teremos o prazer de mostrar soluções mais criativas, tanto na dança quanto no relacionamento ético-profissional – e com esta nova postura nos sentiremos mais seguras para não espiar a vida alheia, tampouco denegrir a imagem do trabalho de outra colega.

EXPLORANDO UMA NOVA RELAÇÃO COM O DANÇAR

Eu faço um convite:
Vamos explorar a verdade em suas muitas faces.
Em cada ponto de escolha.

Saiba que quanto mais faces você explorar, mais ricas serão suas experiências.

Todo processo criativo é revolucionário – porque o ventre é criativo!
Explicações lógicas sempre sucedem, nunca precedem um processo criativo.

… E continuando a música da casinha:

“ninguém podia fazer pipi! porque pinico não tinha ali… mas era feita com muito esmero, na rua dos bobos número zero!”

Benefícios da Dança do Ventre IV

Abrindo Novas Portas: Reverenciando seu corpo para dançar em paz.
Como a Dança do Ventre aumenta a sua auto estima.
Um assunto prático para quem quer se reconstruir de dentro para fora.
Um assunto técnico que não faz abordagem técnica.

Um artigo para dançarinas profissionais e simpatizantes.
Um artigo para as mulheres escrito por uma mulher.

*** *** ***

Luciaurea

Luciaurea

Uma das maiores dificuldades atualmente é aceitar o corpo tal como ele é.

Em razão da ditadura comercial de corpos massificados, encarnamos o conceito de que nunca seremos boas o suficiente se não formos belas segundo as regras do mercado de trabalho.

Com o tempo, escolhemos crer que se trabalhamos com nossos corpos e não satisfazemos os contratantes, mídia, e afins, é porque há algo de errado conosco… Então vamos esclarecer umas coisinhas…

A DANÇA DO VENTRE NOS FAZ PENSAR COMO MULHERES

O fato de dançarmos em um show e obtermos opiniões divergentes não deveria nos abalar já que escolhemos nos sentir tão à vontade com nossos corpos. Mas será que estamos mesmo à vontade? Será que não estamos participando de um dogma industrial e político?

A DANÇA DO VENTRE NOS ENSINA:
NÃO SOMOS O QUE ACEITAMOS, MAS AQUILO QUE ESCOLHEMOS SER

Escolhas, escolhas, escolhas…

O fato é que o corpo em si já possui a matriz de sua própria perfeição, e atitudes como respeito pela sabedoria inata de nossos corpos não são ensinadas em nossa cultura. Acreditamos que devemos enclausurar o corpo em roupas apertadas, mudar sua forma e configuração, segundo o que é estabelecido como bonito – e aceitável. (Anand, em A Arte do Êxtase)

UMA CARTA AO CONTRATANTE

Que tal escolhermos parar de bater em portas fechadas e renovar a maneira como nos apresentamos?

Prazer, o meu nome é Simone. Sou dançarina, acima do peso (até este exato momento), e sou profissional. Na verdade, como o senhor pôde verificar, eu danço muitíssimo bem. Dispenso a modéstia assim como dispenso shows que não me interessam. Tenho auto estima e no momento estou a cuidar de minha saúde, não para ficar magra como o senhor deseja, mas para ser saudável! O tamanho de meu ventre não influencia na beleza do meu dançar, embora influencie na sua opinião. Sim senhor contratante, eu reconheço que o mercado, o público e os formadores de opinião preferem uma dançarina muito mais magra do que eu, mas como o senhor mesmo me informou, “menina! como você dança!”… enfim, não fui eu quem fui bater à sua porta, mas o senhor quem veio bater na minha. Ah! O senhor sabia que eu dançarina, também sou formadora de opinião?

* os dizeres acima são apenas ilustrativos ok?

A DANÇA DO VENTRE ABRE NOSSAS PORTAS MENTAIS

Quando não nos abrimos à beleza que já trazemos dentro de nós, nossos corpos apodrecem. É sério. O termo pode parecer forte, mas observe junto comigo o que acontece… Com o tempo, vamos nos entupindo de remédios para emagrecer, nos embotando de conceitos ridículos que separam o corpo da mente. Oras, a mente está com o corpo! Sua cabeça não flutua acima de seu corpo, seus pés não são separados de seus tornozelos. Uma parte se liga a outra. A mente está inserida no contexto somático.

Beleza é um conceito que tem haver com a palavra em si. Existem gordas bonitas. Existem magras bonitas. Existem voluptuosas bonitas.

O ETERNISMO DO SÍMBOLO SEXUAL

Símbolos sexuais nos impelem a desejarmos uma sensualidade que não é a nossa verdadeira. Inconscientemente, carregamos uma dose de autocrítica que nos impede de amarmos nossos corpos como eles são e de nos soltarmos na dança.

Quem disse que não somos símbolos sexuais da maneira como somos?

Se separamos a mente do corpo não produzimos saúde. Estar acima do peso é uma questão de saúde. Estar abaixo dele também.

Quando separamos corpo de mente, perdemos nossas raízes. É impossível dançar para um público mostrando algo que nós mesmas não valorizamos: nossos corpos. Se interiormente não confiamos em nossos corpos, muito provavelmente atrairemos atitudes hostis do público, porque este perceberá que não estamos confortáveis em nos mostrar – e principalmente, mostrar o que sabemos.

VERDADE SOBRE A ETERNIDADE DA BELEZA FEMININA

Nosso corpo possui uma graça natural, que independe de peso, configuração, idade e cor. Gerações têm provado o quanto a alma feminina é autêntica ao ousar se embelezar além da força dos rótulos.

À medida que entrosamos melhor nosso corpo na dança, desenvolvemos uma elegância que nada tem haver com tendências sociais. Passamos uma idéia de auto-estima que é natural, e o público também se sente confortável com nosso bem estar.

QUANDO DANÇAMOS COM PRAZER O QUE IMPORTA É A MANEIRA COMO USAMOS O CORPO

Se estamos dentro de um padrão de estética definido ou não e se esse tipo de julgamento vai afetar a nota 10 da nossa performance – isso pode acontecer. Mas não pode afetar nossa auto estima profissional.

Beleza não está necessariamente associada a formas perfeitas. A assimetria também possui sua beleza. O caos também tem sua beleza.

O que produz beleza enquanto dançamos é a maneira como nos sentimos. A beleza que transmitimos enquanto dançamos não vem só do nosso corpo, mas do espírito que veste o corpo, da aura da atuação, de dentro da bailarina.

Nós não somos nossos corpos, embora vivamos neles. Nós não somos nossos papéis, embora os tenhamos. Nós não somos nossas frustrações, embora as sintamos.

Não precisamos nos identificar com o conceito de que nossas formas não são popularmente aceitas. Nós somos o que decidirmos ser.

Vamos ser amigas de nossos corpos.

Dançar para o mercado é uma coisa. Dançar para você, é bem diferente disso.

Nosso espírito, nossa essência, está escondido dentro de nossa forma corporal – seu reflexo (expansão) é nossa beleza.

HUMMMMMMMM

Você é gorda, por isso escreveu esse artigo!

Eu escrevi esse artigo porque cansei de ver meninas magras colocando enximento no sutiã só para aparentarem ser mais gostosas e serem aceitas pelo público.

Eu escrevi esse artigo porque cansei de ver meninas como eu, acima do peso, usando cintas para dançar, achando que isso as tornaria mais magras e inibindo a beleza de seus movimentos; trajando roupas que não as vestiam belamente, tornando-as bizarras e alvo de risos e maus comentários, e em nome da auto estima se vestirem de forma vulgar e inadequada para sua natureza feminina. Mulheres redondas são tão lindas como as esguias e hoje possuímos um arsenal de moda especializada em dança do ventre à nossa disposição!

Eu escrevi esse artigo porque cansei de ver meninas com sardas colocando argamassa em seus belos rostos achando que aquilo era maquilagem.

Eu escrevi esse artigo porque cansei de ouvir que para dançar a Dança do Ventre a mulher precisa ter cintura fina – embora eu tenha ;-)

Eu escrevi esse artigo para libertar nossas mentes e abrir as portas do amor ao belo, ao feminino e ao corpo feminino com todas as suas nuances! Do jeitinho que ele é ^.^

Qualquer mudança, até para se tornar um padrão de mercado, começa aí. Como bailarinas somos formadoras de opinião.

Seja você o seu referencial. Construa o seu padrão. Seu nome é sua marca. Se você se respeita, seu nome será respeitado e você estará plantando a semente do reconhecimento com muita tranquilidade, sem estar investindo em neurose sobre ela.

Construa seu caminho sem pressa. Sem apego. Trabalhe bem e feliz, com sua consciência tranquila.

Toda semente plantada em solo fértil e regularmente regada sempre dá bons frutos. O solo não está fora, mas dentro de você. Toda semeadura começa da mente para o coração – e toda colheita parte do coração para o mundo.

Durante o ciclo, você perceberá que vale a pena mudar o filtro que você usa para se perceber, passanado a se contemplar de uma forma mais saudável, porque as pessoas têm a tendência de retribuir nosso bem estar com mais bem estar. E nada é mais prazeroso do que saber que nosso amor pela dança proporciona alegria e alimenta a quem nos assiste!

***Luciaurea***

(Parte do conteúdo do presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Benefícios da Dança do Ventre II

DANÇA DO VENTRE: Sua Saúde – II

Como se cria uma couraça muscular.
Um estudo de caso.

Vamos partir de um exemplo corriqueiro.
Direta e claramente.

Luciaurea, Corpo e Saúde

Luciaurea

Sabemos que emoções como raiva intensa geram úlceras e inflamações diversas, mas preferimos ignorar essa nota científica e continuar como estamos por ser mais fácil.
Reorganizar-se emocionalmente exige uma certa dose de dedicação e trabalho, significa abrir mão de nossas crenças baseadas em (talvez) falsos pontos de vista, e uma boa dose de orgulho também. Além do mais, não fomos ensinados a cultivar uma clareza mental quando algo ou alguém, não é como gostaríamos que ele fosse.

Em razão disso, e por outras, são encontradas em nosso corpo, excessivas concentrações de energia, que ficam abrigadas em nossos músculos, conhecidas como hipertonia ou nodulações.
Nestas condições, a energia acumulada, não consegue circular, criando uma retração ou contratura muscularcouraça muscular.

Exemplificando este processo diríamos que:

  1. Alguém me deixou muito nervoso (percebi e reconheci o alvo);
  2. Senti vontade de bater nele (minha energia se concentrou para organizar esta ação);
  3. Eu simplesmente lhe dei um murro (desprendi minha energia em direção ao alvo).

O problema é que isso foi uma fantasia minha, alimentada por um desejo: eu não dei o soco, embora tivesse sentido muita vontade, mas, mesmo assim, meu corpo concentrou demasiada energia no meu braço e estômago para que eu pudesse socar o indivíduo. Por alguma razão me segurei, talvez porque socialmente isso é considerado uma agressão e minha reação pudesse ser legalmente observada.

Se este tipo de comportamento é constante, se tenho reações como esta quase todos os dias, pronto, acabo de criar uma couraça muscular que me imobiliza: desde o meu trapézio até as pontas dos meus dedos da mão – sem contar a quantidade de toxinas que foram projetadas para dentro do meu estômago.
Mas essa energia precisa sair para algum lugar, e aí entram as práticas corporais terapêuticas, entre elas, a Dança do Ventre que é o foco deste artigo.

E considerando sobre o termo e a emoção raiva: mais saudável que bater ou socar alguém, é educar-se emocionalmente para não se deixar contaminar com idéias que não acrescentam nada de bom à nossa estrutura emocional. E sabemos o quanto isso nos dá trabalho, pois desapegar-se de uma dependência emocional e psicológica é para a maioria de nós, bastante doloroso.

“Lembrando que meu estado emocional afeta o meu dançar, assim como meu dançar melhora o meu estado emocional”, temos na Dança do Ventre aquele poderoso catalisador de emoções-energia mencionado no texto anterior do qual este é uma continuação.

Tanto no caso da hipertonia, quanto no caso da hipotonia (escassez do fluxo de energia nos músculos, que leva à flacidez e ao adormecimento das áreas corporais relacionadas), a Dança do Ventre atua, ao mesmo tempo, como descongestionante e ativadora do fluxo energético, ajudando-nos a concretizar o bem estar físico, a flexibilidade e o equilíbrio do tônus.

Isso é possível porque, assim como exemplifiquei acima e como descreve a própria bioenergética de Lowen, a mudança do estado fisiológico, é seguida pela mudança do estado mental-emocional, e a mudança do estado mental-emocional, por sua vez, é seguida pela mudança do estado fisiológico, e como uma boa postura também está relacionada à auto-estima, a mulher consegue reorganizar-se.

 

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Algumas informações adicionais podem nos ajudar a desenvolver uma boa conscientização postural e equilíbrio no foco do aprendizado da Dança do Ventre.

A distribuição igual do peso entre os dois lados direito e esquerdo, e igualmente entre as faces anterior e posterior do corpo, pode ser conseguida se imaginarmos uma linha vertical que passa através do centro de gravidade do corpo. Distribuindo o peso segundo estas condições, é possível relaxar o corpo e mantê-lo organizado, com esforço mínimo.

Por mais inacreditável que pareça, essa atitude de se equilibrar os quatro lados do corpo, “abre uma porta” em nosso cérebro e passamos a nos sentir mais  relaxadas e atentas para o ato dançar.

Não é necessário sentir dor para se construir uma boa postura. Antes, é preciso consciência.

(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Benefícios da Dança do Ventre I

DANÇA DO VENTRE: Sua Saúde – I

A Dança do Ventre é um poderoso catalisador de emoções-energia, com grande efeito descongestionante.

Muito há o que considerar sobre idéias reducionistas como o ser humano ser um amontoado de células comandadas pelo sistema nervoso central.

Luciaurea, Corpo e Saúde

Luciaurea

A mulher enquanto ser metafísico no processo de auto conhecimento em Dança do Ventre Aplicada, estuda os efeitos dos seus movimentos não somente na dimensão cinesiológica e fisiológica, mas inclusive na psicobioenergética.

Quanto mais as pesquisas avançam, corpo, mente e espírito, passam a ser considerados em sua importância, tanto pela Física Quântica, pela Medicina Psicossomática quanto pela engenharia genética, cujas pesquisas detectaram campos de energias sutis como fatores essenciais à construção do ser humano.

O nosso corpo somatiza emoções.
Nossos pensamentos são energias e podemos dizer, pelos estudos da Psicossomática, que o corpo é uma energia que se “densificou”.
Assim, os nossos pensamentos movem energias pelo nosso corpo.
Emoções-energia inibidas ou congestionadas geram situações enfermiças.

Imagine um rio poluído. Imaginou?
O mesmo ocorre com nossos rios de energia, como nossas veias sanguíneas que nos abastecem com os nutrientes necessários para nossa saúde.

Este fato nos faz pensar:
Por que a mulher de hoje se renova ao praticar a Dança do Ventre, mesmo quando sua prática não envolve a abordagem terapêutica? 
Esta é uma boa pergunta!

E nós temos a resposta!

 

SACADAS INTERESSANTES

A resposta mais adequada seria a de que a Dança do Ventre é um poderoso catalisador de emoções-energia, com grande efeito descongestionante. Mas segue abaixo algumas informações que são de grande interesse das leitoras:

1 - O estado psicoemocional de uma pessoa pode alterar a maneira como ela anda e utiliza o próprio corpo.
Podemos citar Feldenkrais: “A única coisa que você pode mudar é a maneira como você faz o que você faz”.
Isso nos leva a pensar que a musculatura funciona através do hábito. A cada repetição de um movimento, o corpo se organiza e vai assumindo uma configuração específica que se confirma no tempo.

2 - Cada pessoa utiliza seu corpo diferentemente.
A personalidade, a educação emocional, o meio ambiente (cidade, montanha, campo), a raça, o tipo de profissão, a herança familiar, também influenciam na organização da postura.
Levando em consideração que cada povo possui uma consciência corporal diferente, nunca é bom generalizar uma “postura correta” para biótipos físicos diferentes na dança, embora existam regras de estética e estilo a serem seguidas. Cada praticante deve, considerando esse fato, adequar essas regras segundo sua própria estrutura (anatômica e emocional).

3Nossos hábitos de postura são uma conseqüência.
Estão intimamente ligados aos nossos sentimentos, humores e à maneira como nos relacionamos com as pessoas e nos ligamos às situações, e acabam formando estruturas posturais que com o tempo  se tornam construções desconhecidas por nós (“Nossa, mas eu não era assim!”).
Por essa razão entre outras, o “método copiar/colar” (também conhecido como “método fast-food”), é o menos adequado para quem está com o corpo emocionalmente travado.

***

Queridas amigas:

No ritmo adequado vamos caminhando em nosso estudo sobre os benefícios da Dança do Ventre.
No próximo artigo estudaremos: Como se cria uma couraça muscular.

 

(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Geometria Corporal Expressiva I

Este texto foi escrito - na época em que eu ainda assinava como Luciaurea Faruk - há alguns anos atrás para a wikipédia. Lembro-me de na época ter havido uma grande discussão dentro do mundo wiki sobre a importância do mesmo… No fim, a votação dos wikipedistas foi para que o texto permancesse em função de sua relevência didática. No entanto, não pude colocar meu nome como autora do texto e nem do método, pois a ética da wikipédia não permite que um usuário se coloque como autor de algum projeto ali postado – seu objetivo é universalisar o conhecimento. Como sou wikipedista, segui a regra, e tomei a liberdade de postar uma cópia do texto original aqui no blog porque acredito ser de grande auxílio às estudantes de Dança do Ventre, Tribal, Dança Haviana, Flamenco e afins ;-)

Luciaurea.reconsagracao-do-ventreA Geometria corporal expressiva, surgida em 1997 e parte da dançaterapia, é o termo que define basicamente o uso da geometria e da metafísica como recurso didático no ensino da dança.

Inicialmente, o método começou a ser experimentado, por um pequeno grupo de pesquisadoras, no ensino da Dança Oriental.

Em 10 anos, a metodologia provou ser útil, inclusive para outras modalidades de dança, tais como a Dança Havaiana, a Dança Indiana, o Estilo Livre, a Dança Contemporânea e a Dança Étnica Contemporânea do Estilo Tribal Brasileiro (dança de fusão entre Dança do Ventre, Dança Indiana, Flamenco e Danças Folclóricas Brasileiras).

Idéia e origem

O termo que define a nomenclatura, foi desenvolvido posteriormente à sua utilização, apenas para dar um nome àquela forma de ensino.

Os experimentos tiveram início pelo estudo da Gestalt e da Semiótica, numa “leitura semântica” do movimento como forma, e, posteriormente, mais estudos foram sendo agregados, de modo a acrescentar fundamentos à prática e estruturá-la no caminho da eficácia. Portanto, a idéia que originou esta estrutura metodológica, baseou-se em diversos estudos, entre eles:

  • A Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung;
  • A Psicologia Formativa de Stanley Keleman;
  • As couraças musculares de Reich;
  • A Geometria Filosófica de Robert Lawlor.

Segundo a Gestalt, o cérebro possui um circuito de reconhecimento de padrões. Isso significa que somos matematicamente programados para perceber as formas do mundo físico, o que quer dizer que a simbolização é uma função básica da mente (Cetta e Ward, 1994) – e por isso a experiência com a geometria em dança foi bem sucedida: a geometria é uma linguagem universal e biológica (Tuan, 1974), (Lawlor, 1996), (Jung, 1964).

Com base nestes estudos, na visão do método, o mundo é constituído por formas: assim como movimento tem forma, o rosto tem forma, a vida tem forma, de modo que, os diversos tipos de dança que existem, foram percebidas, e então concebidas, como linhas vivas, linhas em movimento, que em sua abordagem poética “conversam” através do corpo do bailarino(a).

Na Geometria corporal expressiva, os estilos de dança são resultados de diferentes tipologias (tipos de formas) de movimentos, que conferem uma plástica única a cada tipo de dança. O aprendizado da dança passa pela estrutura ideológica das formas: quadrado, círculo, triângulo, oito, curvas, retas e variações, não necessária e obrigatoriamente nesta ordem, utilizando gráficos geométricos que representem os eixos e planos corporais de acordo com cada tipo de dança.

A conceituação do termo chegou a ser considerada mística, e não puramente científica, por incluir a abordagem corporal dentro da abordagem filosófica da metafísica, apesar desta metodologia ser largamente aplicada com resultados práticos e não ter qualquer relação original fundamentada no misticismo.

(Segue em brave a segunda parte…)

Canto Pagão

Canto à Airmed

Airmed, Deusa da Cura

Airmed, deusa irlandesa da cura.

Oh Oh Airmed
Escuta a minha prece
Pois responsável sou por
Tudo o que me acontece

Por este corpo
Vem tuas bênçãos espalhar
Tua doce presença
Restaura o meu olhar

Que este canto
Que esta intenção
Cure tudo em mim que
Ainda me prenda à ilusão

Que tua ciência
Em tua mágicka ação
Reforce o equilíbrio
Da mente ao coração

By VindaárR

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