Runas, deuses e rituais IV – Estrutura Psicológica

… continuando o post anterior…

TENHA AUTO-ESTIMA

Qual a postura mental de uma pessoa que se coloca na posição de um servo ou escravo? Sofrimento. O “coitadinho de mim”.

Servir não implica em sofrer, a maioria de nós, pagãos, adora servir ao deus ou deusa de sua preferência porque compreendemos o espírito do servir, mas historicamente aprendemos que a palavra “servo” está ligada à idéia de quem ocupa uma posição emocional (carência) ou socialmente inferior. A posição que quem se deixa dominar – só se reconhece uma fraqueza quando se está diante de alguém ou algo mais forte. Assim, associamos a idéia do servo à do escravo - e escravos apanham quando fazem algo errado.

Para quem alimenta essa desvantagem interna, o melhor é se nutrir com a idéia de que aliados humanos são ensinados a fazer a coisa certa quando erram e que são vistos como filhos – ou iguais – pelos deuses. Isso é reconhecer o seu valor. O nome disso é Honra.

NÃO DUVIDE

Tenha convicção.

Convicção é diferente de fanatismo. Os deuses nórdicos não apreciam a incerteza e costumam sacanear quem acredita nela.

Eu enfatizo isso porque existem pessoas que não têm estrutura psicológica para trabalhar com arquétipos tão fortes. Com a magia nórdica você consegue o que quer, mas existe uma regra, oposta à regra cristã, e, é de seu livre-arbítrio decidir se vai aceitá-la ou não: aqui, um presente requer outro presente, essa é a sabedoria rúnica, legado de Odin - nada é de graça.

Na natureza nada é de graça. No eco-sistema nada é degraça. Mesmo em templos e igrejas paga-se o dízimo. Se você conversa com “Deus” (o do seu coração e de sua compreensão), alguma coisa muda em você. E se você não faz uma reforma íntima básica, pode ser que teu pedido não seja atendido, não por castigo, mas porque a reforma íntima é necessária para movimentar as energias a teu favor. É você quem libera a energia do que vai acontecer – e não “Deus”.

Falo isso por experiência própria. Eu me comportava como uma menina mimada e aos 30 anos de idade ainda não sabia como andar com minhas próprias pernas. De tanto “apanhar”, em um ano aprendi a me ver como uma pessoa íntegra – não dependo de terceiros para tomar uma atitude em minha vida para algo que só dependa de mim mesma para acontecer – e não chateio os deuses com isso.

Saiba que o que você pede já lhe pertence por direito divino. Sinta isso enquando pede. Esteja convicto do que pede.

SUSTENTE O VOCÊ QUE PEDE = SUSTENTE A ESTRUTURA

Então, conforme estudamos no texto anterior, você tem duas coisas paradoxais: não prometer, mas saber que para receber o que tanto deseja você deverá doar algo em troca também.

É como se você estivesse com os braços cheios de presentes. Para receber mais presentes, você terá que escolher entre retirar alguns e colocar outros no lugar. Abrir mão de algo importante em função de algo mais prioritário – e quem determina isso é a sua necessidade, saiba se escutar.

“Nossa mas o que eu vou ter que pagar?” Isso é fácil de saber, se você se fizer, por exemplo, as seguintes perguntas (não necessariamente essas) de forma sincera e sem mácaras:

  1. Estou realmente disposto a abrir mão da vida que levo agora para viver a vida que desejo?
  2. Posso sustentar minha tranquilidade mediante a pressão e a arrogância de terceiros?
  3. Posso não me incomodar e superar a inveja alheia?

O que você paga não é em dinheiro, mas é na estrutura nova que você desenvolve ;-)

Eu tive uma surpresa muito desagradável ao descobrir que, pessoas me viraram a cara e sacrificaram anos de amizade só porque eu quis ir em busca de uma vida melhor. Tenho que contar a verdade e dizer que abri mão de muita coisa – do conforto de viver perto de meus pais, da vida sem problemas, tive que aprender a acordar mais cedo, tive que mudar de casa, mudar meus hábitos, cuidar mais de minha aparência, tive que aprender a administrar minha vida financeira e não permitir que o dinheiro controlasse meus impulsos.

Abre-se mão de muita coisa. Inclusive de pseudo-amigos que não compreendem sua mudança e querem que você continue sendo o que era para o conforto deles ;-)

No entanto, o feedback que você recebe da Vida por decidir alimentar-se e se abraçar… Vive-se mais feliz – e o mais importante, vive-se como se deseja.

Muita Paz e Boa Sorte em teu caminho!

Com Honra e Amor,

VindaárR

Runas, deuses e rituais III – Princípios

Continuando o post anterior…

NÃO PROMETA – SE NÃO SABE O QUE PROMETER

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

Promessas devem ser feitas com honra e honra pressupõe a consciência de sua existência. Numa sociedade que não valoriza a honra, é difícil ter a consciência que ela ainda é importante para nós.

Prometer algo levando em consideração a possibilidade do seu não-cumprimento, pode lhe trazer consequências indesejáveis, porque sua consciência sempre lhe cobra depois – e lidar com a consciência da culpa não é a melhor das proezas humanas. Pessoas se matam por causa dela.

Entenda que honra é um princípio que expõe sua elegância espiritual. Se você nunca parou para pensar no assunto, esse é o momento. Desenvolva. Treine. Deixe fluir.

Ter honra é como ter sangue: você nasce com ela. Apenas não foi educado para saber como cuidar bem dela.
No entanto, assim como um ladrão pode lhe ferir e você perder o seu sangue, você também pode perder sua honra. E dependendo do tipo de ferimento, você até pode se recuperar embora nunca mais seja o mesmo – assim também é com sua honra. A não ser que você já não tenha mais vida.
Eu não entrarei no mérito de discutir mais sobre o tema honra, porque existem “N” casos paradoxais para serem estudados, como por exemplo, a questão da flexibilidade. Mas aqui fica minha dica: apenas não prometa o que sabe ou intui que não poderá cumprir – você será cobrado.

OS DEUSES ADORAM PESSOAS FELIZES

Um deus pagão não é um santo católico. Deuses não precisam de servos e sim de aliados - disse-me Odin certa vez durante um seidhr e ele não estava sorrindo passando a mão na minha cabeça- lembre-se sempre disso.
Não é com uma mentalidade cristã do tipo “coitadinho de mim” que você vai conseguir alguma coisa. Deuses apreciam qualidades como força de caráter e boa estrutura emocional.

NÃO BARGANHE – SEJA GRATO E HONESTO

“Um presente requer outro presente”, este é o mais famoso ditado que aplicamos no paganismo nórdico.
Porém algo requer outro algo não apenas pela gentileza, mas pelo espírito de gratidão (funcionalidade) - à mim mesma, pela iniciativa, aos deuses pela companhia e aprendizado  ;-) A gratidão é uma idéia manifesta em nossa realidade (humana, Midgard) porque seu funcionamento é a aplicação de uma lei cósmica ;-) Se eu retiro algo de um lugar no universo é necessário que aquele espaço vazio seja preenchido por uma energia similar, equivalente ou melhor, afinal, o vazio é criativo em potencial. Assim, eu garanto que um ciclo saudável de abastecimento continue.

Se eu tenho convicção de que minhas escolhas são autênticas, nada é capaz de me corromper. Escolher agradecer é uma ação autêntica que é bem vista pelos deuses.

Analise por si mesmo: se você fez algo em favor de alguém que você respeita, mesmo que “não cobre por isso”, você (a maioria de nós, não necessariamente você) vai no mínimo esperar um obrigado, por mais que não seja verbalizado, porque instintivamente (isso se torna consciente quando se conhece o mecanismo da gratidão) você sabe que, aquele minúsculo obrigado, possui uma energia construtora, que irá alimentar e gerar mais alimento energético a favor daquela pessoa. Se os deuses te favorecem é porque respeitam você. Você já parou para pensar nisso?

LEVE OU DENSO COMO UM TECIDO

Odin... sábio, xamã e guerreiro.

Odin... sábio, xamã e guerreiro.

Tua mente precisa estar predisposta, caso contrário os deuses nada fazem, pois a barreira que você coloca não permite que nada atravesse os portões de tua morada.

Além de te respeitarem, eles usam tua própria energia para lhe dar o que você mesmo pediu. O que você pede, lhe é dado conforme a qualidade do material que você doou. Irônico isso néh? Nem tanto.

Se você não sabe costurar, vai à uma costureira e leva o tecido certo? Se você der o tecido o valor é um. Se ela der o tecido, o valor pode dobrar.  E tem mais uma coisa: a manutenção da roupa é responsabilidade sua – não da costureira. A roupa envelhece, rasga, mas você pode mandar consertá-la. Ou pedir para fazer uma nova roupa ;-) A qualidade da roupa é boa? Depende do material. Mas o material que você deu é de boa qualidade?

Transporte agora essa ilustração para sua vida em cima de tudo o que falamos até agora. Você dá o material, os deuses o moldam para você porque ainda não aprendeu a moldá-lo com as próprias mãos. Caso eles dêem o material, trata-se de um presente, e você já sabe que um presente requer outro presente, afinal, nem a costureira trabalha de graça. Mas independente do caso, a manutenção é de sua responsabilidade. Os deuses não têm culpa se você não desenvolveu estrutura para sustentar o que pediu! Se você engordar, vai culpar a costureira?

NÃO DÊ LIXO POR LUXO

Este conhecimento nos leva a pesar o conceito da palavra ”barganha”. Você gosta de lixo? Improvável… Os deuses também não.

MAS COMO ASSIM?

“Ah Odin, faz isso pra mim que eu te dou uma cerveja”.
Na prática da barganha, sua intenção é ser favorecido sem muito fazer em prol de si mesmo ou sequer participar ativamente do processo que leva ao seu objetivo.
E se você estiver mentalmente muito disposto a receber, pode ser que sua própria mente te favoreça e Odin terá recebido uma cerveja de graça ;-) Então, em função da sua trapaça, Odin terá trapaceado você!

Se a intenção é uma troca fraudulenta que envolve o conhecimento psicológico de um estado de pressão, do tipo, “prometer um vinho para Loki por um favor”, sendo que você já tem por hábito lhe oferecer um sumbel* com vinho, então não tem porque Loki te ajudar, principalmente se teu pedido vale uma adega. Uma modificação em sua forma de pensar, que simbolicamente representaria um tipo de sacrifício, uma nova atitude, agradaria muito mais a Loki do que oferecer o que você sempre lhe oferece toda semana, porque a gratidão pressupõe uma troca justa e a barganha pressupõe uma fraude. Tenho certeza que neste ponto do texto alguns pensaram “Principalmente em se tratando de Loki” :-)

Barganhas só ganham atenção se é do interesse do deus ou deusa barganhar com você (entenda-se jogar). O máximo que terá conseguido foi ser um pet divertido para um panteão inteiro. Além do que, você precisa saber com quem está “barganhando”. Se você souber fazer, pode até ser que conquiste a “admiração” de algum deles, principalmente pela burrice mascarada de perspicácia - e nada garante que continue sendo aceito ou respeitado depois ;-)

Agora, vamos parar para pensar: “engraçada” (para não dizer desgraçada) uma cultura como a nossa, que prega a caridade e o amor ao próximo, sendo tão arraigada à barganha. Tanto que a maioria de nós se comporta na base da barganha.

Surpreso? Eu não. Vejo muitos pagãos (pinks em sua maioria) agindo examente dessa maneira. E o pior é que acham que estão certos, tratando os deuses como empregados…

Eu aprendi apanhando. E você?
Será que anda barganhando e por isso seus rituais não funcionam?

… continua …


* sumbel: leia o ato de beber ritualisticamente, por Vagner Cruz.

*** *** ***    *** *** ***    *** *** ***

(ps: peço a gentileza de me informarem e citarem minha autoria caso o texto seja reproduzido.)

Fé ativa é diferente de ansiedade ativa

Como mudar nosso wyrd?
Fé Ativa, vontade mágicka.
Força de vontade ou vontade espontânea?

Luciaurea_gato_misticoA ansiedade ativa vive pelo desejo da pressa.
A fé ativa está consciente de que só vive o agora.

A ansiedade ativa se deixa levar pelas influências externas e pelas ilusões das aparências.
A fé ativa está consciente de que as experiências não param nas expressões do tempo e que o tempo, deixa de existir quando “os olhos se fecham para este mundo e se abrem para o outro”.

A ansiedade ativa escuta as vozes determinantes do destino.
A fé ativa escuta os sons libertadores do criar consciente.

Reconhecer é diferente de encontrar.
Reconhecer o estado de Fé Ativa, é aceitar que o tempo não passa de uma ilusão nas mãos de quem interage consciente no destino – wyrd.

O Sonhar Consciente

Luciaurea.nuvens

Alguns traumas que mantemos às vezes nos impedem de projetar nossa realidade, e confundimos esse projeto com uma infantilidade no sonhar… Mas ao avaliarmos melhor, percebemos que não temos outra escolha a não ser essa, pois viver implica em projetar e mesmo que achemos que não projetamos nada, estaremos vivendo de acordo com o que pensamos, então, marcamos o mesmo ponto com novas palavras, porém dentro do mesmo conceito.

Bom sonhar a todos!
Que o sonhar consciente lhes traga a realização de suas metas.

:-)

Seidhr: uma viagem para dentro…

Em uma de minhas práticas, vejo Lofn a flutuar em minha frente. Ela é bela, formosa e rosada, leve e diáfana, sempre sorridente e com uma voz nada parecida como as vozes humanas.

Luciaurea.ArteKaminskiÀs vezes me falava sem abrir os lábios, e essa tem sido uma das experiências mais interessantes até agora.

Em uma “meditação” que realizei com meu fylgja, que me levou até Lofn, Ela me fez perceber as incoerências que praticamos no amor, através de uma vivência muito profunda, que compartilho aqui:

... Você está dentro de você… e você é uma gruta…. nessa gruta, as paredes
são escuras e choram muito… é possível ouvir o murmúrio triste
das paredes. Elas são os limites do seu ego…

No centro da gruta, no fundo, há uma fonte bem pequena, na verdade uma bica d’água… e a água que vem dessa fonte é cristalina e rosada…
Embora as lágrimnas escuras das paredes sejam em maior quantidade
que a água da fonte, elas não se misturam.

Agora perceba os sons da fonte. Mergulhe nela… há um pequeno espaço para você mergulhar ali dentro…
…Você se sente bem…

Os sons que ela emite são sons da esperança,
não a esperança que espera, mas a esperança que abraça e cura… a esperança em si mesmo.
E você começa a perceber que quanto mais amor recebe da fonte
mais amor fica disponível pra você mesmo, porque agora você tem uma quantidade boa de amor para se dar… você acaba de perceber também, que agora é capaz de receber amor de si próprio, e essa atitude o deixa elegante
e confortável.

Quando sua atenção se volta para fora de novo,
e repara à sua volta, as chorosas paredes escuras da gruta sumiram, se tornaram belas e naturais,
e acima de sua fonte há uma infinita abertura trazendo a claridade…
as paredes eram seu ego… ele deixou de sofrer e agora, a gruta, que é
você mesmo, está repleta de um brilho natural e beleza… a fonte cresce e a ela se juntam vários afluentes, de modo que a água é obrigada a sair
para fora da gruta… essas águas são como suas veias sanguíneas…

Você não vive sem sangue. Seu sangue está repleto de amor e não tem como seu organismo não reagir à tamanha onda de amor…
Você percebe então, que acaba de voltar para casa…

Notas conscienciais de Lofn:

“Não reprima sua fonte de amor apenas porque ainda não apareceu
um novo ou grande amor na sua vida.

Você é sempre seu grande amor.

Não diminua sua grandeza diante da pessoa que você mais gosta. Não que ela não mereça seu amor, mas no caminho da autosuficiência, entenda-se a liberdade plena dentro de si mesmo, o amor próprio continua sendo a experiência mais prazeiroza, e por essa razão, continua sendo o maior aprendizado.”

Meu aprendizado com Lofn através do Seidhr:

Autorealização.

Com ela tenho aprendido que como humanos, vivemos a tendência de nos privar de nossa fonte natural de amor, quando julgamos não ver com os olhos físicos o amor entrar em nossas vidas.

Desde meu primeiro contato com Lofn, comecei a anotar alguns vícios de comportamento que culturamente são aceitos como normais, mas que nos deixam doentes e inadequados para gerenciar nossos pensamentos e emoções, nos impedindo de seguir um caminho saudável repleto de autoestima, autorealização e autosuficiência.

Compreendi que autosuficiência é um termo mal compreendido e mal empregado, muitas vezes o termo é interpretado como arrogância. No entanto, ele não tem haver com discursos feministas preconceituosos, tampouco com discursos sobre o quanto nos sentimos presos ou somos melhores que os outros… a autosuficiência tem mais haver com liberdade do que com independência.

A liberdade é leve. A liberdade não inibe a convivência com outras pessoas, nem o partilhar dos momentos em companhia delas.

A maioria de nós se esquece de que somos nossos primeiros amantes. Escolhemos morrer por causa da falta de amor. Não o ajudamos a crescer, preferindo reprimir a energia do amor…

E, diante desta controvérsia cultural romântica e doentia, me vêm à mente uma frase de Hela durante um diálogo que tivemos em um outro seidhr… “Nada é absolutamente bom ou ruim!”

Já que é profundo, mas tão simples, deixemos a água de dentro de nós correr para fora, porque somos inesgotáveis, amáveis, espirituais, felizes e gentis, quando aplicamos com coragem e bravura, a nossa vontade mágicka.

E as pessoas pensam…

“Por que eu não consigo tudo o que desejo?… Tantos rituais, tanta dedicação para que?…”  Eu ouvi isso diversas vezes de uma amiga wiccaniana…

Odin... sábio, xamã, guerreiro... O Pai.Aí, um belo dia, eu, filosofando a respeito do assunto, vejo* aquele Velho Amigo se aproximar e dizer:

“Francamente, os humanos me divertem! Vocês são cheios de pedir bênçãos para tudo, mas não somos nós (deuses) quem não desejamos lhes dar, na verdade estamos cheios delas para distribuir! A minha pergunta que não quer calar é: Vocês estão realmente à vontade para fazer uso das bênçãos já disponíveis?

Odin é Phºd…! hehe

* o “ver” aqui se refere a um seidhr (viagem xamânica), mas às vezes acontece de durante um momento em que estou distraída, “ver” algumas “coisas” ou de me passarem alguma informação fora de hora também.

Fylgja

...

...

Saído de branca neblina
Espessa e fria nuvem
Tua mão direita toca minha esquerda
E a clara visão me ilumina
Tua imagem desliza à frente
Nossos olhos se interpenetram,
Como dois irmãos que se completam
Em um só espírito,
Uma só mente

Uma visão com o “Barba Branca”

Durante um seidhr…

“Não existe o que vc deve fazer nesse sentido,

O Olho que tudo vê...

certo ou errado, somente aquilo q vc tem como necessidade primordial: resolver. Se mudar algum detalhe resolve tua necessidade, então faça. É apenas uma questão de bom senso.

Se algo lhe parece impossível, prove a si mesmo de alguma forma q o impossível não existe. Na prática parece difícil. Mas aparências são como as roupas que trocamos todos os dias e colocamos para lavar.

Quando algo lhe parecer impossível, desde que dependa apenas de sua vontade mágicka, torne-o praticável.”

Existem pessoas que não saem de casa sem antes ler o horóscopo do dia.

Não precisamos de oráculos para tomar todas as nossas decisões.

O Ritual Rúnico

O valor de nossas habilidades naturais

Háilsa!

Sempre observei o crescimento espiritual das pessoas desde pequena, e gostaria de aproveitar esta oportunidade para fazer algumas observações importantes para quem estuda ou pretende estudar runas, e estas observações dizem respeito às habilidades naturais que carregamos desde que nascemos, e que são passadas geneticamente, de mãe para filho (e de pai também).

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

Todos nós nascemos, uns mais, outros menos, com certo tipo de sensibilidade e grau de sensitividade. Aquela “coisa que não bateu bem a respeito de fulano” é um bom exemplo.

No Brasil, a difusão cristã do espiritismo kardecista introduziu a palavra mediunidade como subsituta da palavra paranormalidade, o que é interessante, pois todos somos normais dentro do nosso processo e grau de sensibilidade, seja ela mediúnica, paranormal, extra-sensorial, ou o nome que você gostaria de lhe dar. Eu prefiro o termo dons naturais. Nomes não importam quando o que está em jogo é a sua vida e sua maneira de interegir nela.

Para quem deseja estudar runas, que tenha em mente seu auto conhecimento, pois é fundamental o estudo da tradição nórdica para compreendê-las, seus príncípios, costumes, singularidades, os nove mundos, as Eddas, seus aspectos psico-mitológicos, a relação com as divindades Aesir e Vanir, as características de cada deus e deusa, como também os aspectos da religião antiga, entre a história e a sociologia.
Destes aspectos podemos citar algumas práticas como seidhr; spae; Ásatrú (fé nos Aesir), Vanatrú (fé nos Vanir) ou Troth; entre outras.

 

COMO NOSSOS DONS NATURAIS SE RELACIONAM COM AS RUNAS?

Obervei que pessoas que nunca tiveram contato com seus dons naturais, seja porque nunca pensaram nisso, achavam que nunca fossem portadores ou simplesmente porque acreditam que são qualidades descartáveis, não conseguem apreender a profundidade de uma vivência dentro de um ritual – e assim não estabelecem com ele o contato energético necessário que as faria compreender os “sutis mecanismos que fazem as coisas acontecerem” em suas vidas.

O imediatismo é pai da burrice.
Esses mecanismos se relacionam diretamente com as melhores oportunidades que aparecem “ao acaso” ou “pela sorte”, o que Jung chamou de Lei da Sincronicidade. E no que para uns opera a sincronicidade, para outros opera a Lei de Murphy.

Então, quando os símbolos e as cerimônicas não são compreendidos pela experiência pessoal cognitiva, interna e cinestésica, transformam-se em dogmas ao invés de se tornarem uma expressão espiritual autêntica.

Ao empenharmo-nos em um trabalho de ritual ou magia*, seja para reverenciar nossos deuses, limpar o ambiente, realizar um pedido, agradecer uma dádiva ou modificar a realidade (popularmente chama-se a isso de “feitiço”), é necessário que antes, tenhamos a compreensão das habilidades naturais que já estão disponíveis e que nos são inerentes. Se não as percebemos, podemos desenvolvê-las com calma e com o tempo, através de uma prática simples como respirar de olhos fechados e estar disponível e atento para as sensações que passeiam pelas diversas partes do corpo. Sem pressa, aceitando aquelas habilidades que estão latentes e dispostas a serem trabalhadas em nós.

Nossa relação com o ritual precisa ter uma abordagem energética profunda, caso contrário, será corrompida, cairemos na prática dos “sem noção” em sua ignorância situacional, que ao realizarem um ritual rúnico, sequer se preocupam em saber que forças realmente atuam para lhes trazer a vitória por intermédio dele. Sem mencionar o perigo que correm ao invocar forças que ignoram em sua natureza intrínseca, metafórica e mnemônica.

“Nossa, mas eu não tenho habilidade alguma então eu não posso participar ou estudar, criar ou fazer um ritual rúnico?”

Observo justamente o oposto.

No início deste artigo eu mencionei que todos, indistintamente, você e eu, somos mais ou menos sensíveis.
Conheço pessoas que não possuem vidência alguma, no entanto, são ótimas na oratória para os estudos em grupo ou são excelentes doadores de energia. Outros se darão bem com inspirações para os cânticos pagãos, outros para organizar estruturas rituais e assim por diante.
O campo da sensibilidade é imenso! Não há como você não ter a sua.

 

O CAMPO DE OBSERVAÇÃO DA FÁBRICA DE PODERES

O termo “fábrica de poderes” é uma observação de minha amiga Pamella. Quando conversamos sobre este assunto, anotamos vários acontecimentos entre novatos e pseudo-experientes.

O que observo aqui é o cuidado e o compromisso com nossa consciência (não com a coerência da vida coletiva), para que não nos tornemos mais um na vitrine que mostra todos os produtos da “fábrica de poderes”, mas que no entando, mal conhece os componentes químicos que compõem sua base.

Deixo aqui o meu recado, com o desejo sincero de que possamos ser cada vez mais responsáveis pelo que somos, nos tornamos e pelo que viremos a ser!

 

ALGUMAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS QUE PODEM AJUDAR

Entre os meus favoritos estão Edred Thorsson, KveldúlfR Gundarson e Mirella Faur.

Edred Thorsson é fantástico em todas as suas abordagens, mas entre elas cito o Futhark – a handbook of Rune Magic. Útil em inglês.

Em Our Throth, KveldúlfR Gundarson explana com o auxílio de diversos autores, o que é Ásatrú, sua identidade cultural e social, seus deuses, deusas e rituais, como também depõe contra alguns dogmas que são formados em torno dele. Útil em inglês.

Em Mistérios Nórdicos, Mirella Faur foca a tradição feminina e o trabalho com runas voltado à mulheres, porém se constitui um excelente referencial para público masculino, principalmente no que se refere às práticas rúnicas. Em português.

Existem outras referências, mas faço uma em especial às Eddas. Elas são formidáveis relatos da espiritualidade nórdica e contém um acervo de citações que instigam a curiosidade do aspirante a vitki.

Acima já temos um bom material, interessante e comparativo, pois as opiniões divergem de um autor para outro.

Parafraseando o “mãos à obra”, Olhos à leitura!

*** *** ***

* ritual ou magia: entenda-se que um ritual não é sinônimo de magia, o mesmo pode existir com o simples objetivo de honrar os deuses. No entanto, um ritual pode compreender a magia se a itenção é essa. Logo, um ritual pode ser mágico ou não, a depender a intenção projetada.

« Entradas antigas