Runas, deuses e rituais IV – Estrutura Psicológica

… continuando o post anterior…

TENHA AUTO-ESTIMA

Qual a postura mental de uma pessoa que se coloca na posição de um servo ou escravo? Sofrimento. O “coitadinho de mim”.

Servir não implica em sofrer, a maioria de nós, pagãos, adora servir ao deus ou deusa de sua preferência porque compreendemos o espírito do servir, mas historicamente aprendemos que a palavra “servo” está ligada à idéia de quem ocupa uma posição emocional (carência) ou socialmente inferior. A posição que quem se deixa dominar – só se reconhece uma fraqueza quando se está diante de alguém ou algo mais forte. Assim, associamos a idéia do servo à do escravo - e escravos apanham quando fazem algo errado.

Para quem alimenta essa desvantagem interna, o melhor é se nutrir com a idéia de que aliados humanos são ensinados a fazer a coisa certa quando erram e que são vistos como filhos – ou iguais – pelos deuses. Isso é reconhecer o seu valor. O nome disso é Honra.

NÃO DUVIDE

Tenha convicção.

Convicção é diferente de fanatismo. Os deuses nórdicos não apreciam a incerteza e costumam sacanear quem acredita nela.

Eu enfatizo isso porque existem pessoas que não têm estrutura psicológica para trabalhar com arquétipos tão fortes. Com a magia nórdica você consegue o que quer, mas existe uma regra, oposta à regra cristã, e, é de seu livre-arbítrio decidir se vai aceitá-la ou não: aqui, um presente requer outro presente, essa é a sabedoria rúnica, legado de Odin - nada é de graça.

Na natureza nada é de graça. No eco-sistema nada é degraça. Mesmo em templos e igrejas paga-se o dízimo. Se você conversa com “Deus” (o do seu coração e de sua compreensão), alguma coisa muda em você. E se você não faz uma reforma íntima básica, pode ser que teu pedido não seja atendido, não por castigo, mas porque a reforma íntima é necessária para movimentar as energias a teu favor. É você quem libera a energia do que vai acontecer – e não “Deus”.

Falo isso por experiência própria. Eu me comportava como uma menina mimada e aos 30 anos de idade ainda não sabia como andar com minhas próprias pernas. De tanto “apanhar”, em um ano aprendi a me ver como uma pessoa íntegra – não dependo de terceiros para tomar uma atitude em minha vida para algo que só dependa de mim mesma para acontecer – e não chateio os deuses com isso.

Saiba que o que você pede já lhe pertence por direito divino. Sinta isso enquando pede. Esteja convicto do que pede.

SUSTENTE O VOCÊ QUE PEDE = SUSTENTE A ESTRUTURA

Então, conforme estudamos no texto anterior, você tem duas coisas paradoxais: não prometer, mas saber que para receber o que tanto deseja você deverá doar algo em troca também.

É como se você estivesse com os braços cheios de presentes. Para receber mais presentes, você terá que escolher entre retirar alguns e colocar outros no lugar. Abrir mão de algo importante em função de algo mais prioritário – e quem determina isso é a sua necessidade, saiba se escutar.

“Nossa mas o que eu vou ter que pagar?” Isso é fácil de saber, se você se fizer, por exemplo, as seguintes perguntas (não necessariamente essas) de forma sincera e sem mácaras:

  1. Estou realmente disposto a abrir mão da vida que levo agora para viver a vida que desejo?
  2. Posso sustentar minha tranquilidade mediante a pressão e a arrogância de terceiros?
  3. Posso não me incomodar e superar a inveja alheia?

O que você paga não é em dinheiro, mas é na estrutura nova que você desenvolve ;-)

Eu tive uma surpresa muito desagradável ao descobrir que, pessoas me viraram a cara e sacrificaram anos de amizade só porque eu quis ir em busca de uma vida melhor. Tenho que contar a verdade e dizer que abri mão de muita coisa – do conforto de viver perto de meus pais, da vida sem problemas, tive que aprender a acordar mais cedo, tive que mudar de casa, mudar meus hábitos, cuidar mais de minha aparência, tive que aprender a administrar minha vida financeira e não permitir que o dinheiro controlasse meus impulsos.

Abre-se mão de muita coisa. Inclusive de pseudo-amigos que não compreendem sua mudança e querem que você continue sendo o que era para o conforto deles ;-)

No entanto, o feedback que você recebe da Vida por decidir alimentar-se e se abraçar… Vive-se mais feliz – e o mais importante, vive-se como se deseja.

Muita Paz e Boa Sorte em teu caminho!

Com Honra e Amor,

VindaárR

Runas, deuses e rituais III – Princípios

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NÃO PROMETA – SE NÃO SABE O QUE PROMETER

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

Promessas devem ser feitas com honra e honra pressupõe a consciência de sua existência. Numa sociedade que não valoriza a honra, é difícil ter a consciência que ela ainda é importante para nós.

Prometer algo levando em consideração a possibilidade do seu não-cumprimento, pode lhe trazer consequências indesejáveis, porque sua consciência sempre lhe cobra depois – e lidar com a consciência da culpa não é a melhor das proezas humanas. Pessoas se matam por causa dela.

Entenda que honra é um princípio que expõe sua elegância espiritual. Se você nunca parou para pensar no assunto, esse é o momento. Desenvolva. Treine. Deixe fluir.

Ter honra é como ter sangue: você nasce com ela. Apenas não foi educado para saber como cuidar bem dela.
No entanto, assim como um ladrão pode lhe ferir e você perder o seu sangue, você também pode perder sua honra. E dependendo do tipo de ferimento, você até pode se recuperar embora nunca mais seja o mesmo – assim também é com sua honra. A não ser que você já não tenha mais vida.
Eu não entrarei no mérito de discutir mais sobre o tema honra, porque existem “N” casos paradoxais para serem estudados, como por exemplo, a questão da flexibilidade. Mas aqui fica minha dica: apenas não prometa o que sabe ou intui que não poderá cumprir – você será cobrado.

OS DEUSES ADORAM PESSOAS FELIZES

Um deus pagão não é um santo católico. Deuses não precisam de servos e sim de aliados - disse-me Odin certa vez durante um seidhr e ele não estava sorrindo passando a mão na minha cabeça- lembre-se sempre disso.
Não é com uma mentalidade cristã do tipo “coitadinho de mim” que você vai conseguir alguma coisa. Deuses apreciam qualidades como força de caráter e boa estrutura emocional.

NÃO BARGANHE – SEJA GRATO E HONESTO

“Um presente requer outro presente”, este é o mais famoso ditado que aplicamos no paganismo nórdico.
Porém algo requer outro algo não apenas pela gentileza, mas pelo espírito de gratidão (funcionalidade) - à mim mesma, pela iniciativa, aos deuses pela companhia e aprendizado  ;-) A gratidão é uma idéia manifesta em nossa realidade (humana, Midgard) porque seu funcionamento é a aplicação de uma lei cósmica ;-) Se eu retiro algo de um lugar no universo é necessário que aquele espaço vazio seja preenchido por uma energia similar, equivalente ou melhor, afinal, o vazio é criativo em potencial. Assim, eu garanto que um ciclo saudável de abastecimento continue.

Se eu tenho convicção de que minhas escolhas são autênticas, nada é capaz de me corromper. Escolher agradecer é uma ação autêntica que é bem vista pelos deuses.

Analise por si mesmo: se você fez algo em favor de alguém que você respeita, mesmo que “não cobre por isso”, você (a maioria de nós, não necessariamente você) vai no mínimo esperar um obrigado, por mais que não seja verbalizado, porque instintivamente (isso se torna consciente quando se conhece o mecanismo da gratidão) você sabe que, aquele minúsculo obrigado, possui uma energia construtora, que irá alimentar e gerar mais alimento energético a favor daquela pessoa. Se os deuses te favorecem é porque respeitam você. Você já parou para pensar nisso?

LEVE OU DENSO COMO UM TECIDO

Odin... sábio, xamã e guerreiro.

Odin... sábio, xamã e guerreiro.

Tua mente precisa estar predisposta, caso contrário os deuses nada fazem, pois a barreira que você coloca não permite que nada atravesse os portões de tua morada.

Além de te respeitarem, eles usam tua própria energia para lhe dar o que você mesmo pediu. O que você pede, lhe é dado conforme a qualidade do material que você doou. Irônico isso néh? Nem tanto.

Se você não sabe costurar, vai à uma costureira e leva o tecido certo? Se você der o tecido o valor é um. Se ela der o tecido, o valor pode dobrar.  E tem mais uma coisa: a manutenção da roupa é responsabilidade sua – não da costureira. A roupa envelhece, rasga, mas você pode mandar consertá-la. Ou pedir para fazer uma nova roupa ;-) A qualidade da roupa é boa? Depende do material. Mas o material que você deu é de boa qualidade?

Transporte agora essa ilustração para sua vida em cima de tudo o que falamos até agora. Você dá o material, os deuses o moldam para você porque ainda não aprendeu a moldá-lo com as próprias mãos. Caso eles dêem o material, trata-se de um presente, e você já sabe que um presente requer outro presente, afinal, nem a costureira trabalha de graça. Mas independente do caso, a manutenção é de sua responsabilidade. Os deuses não têm culpa se você não desenvolveu estrutura para sustentar o que pediu! Se você engordar, vai culpar a costureira?

NÃO DÊ LIXO POR LUXO

Este conhecimento nos leva a pesar o conceito da palavra ”barganha”. Você gosta de lixo? Improvável… Os deuses também não.

MAS COMO ASSIM?

“Ah Odin, faz isso pra mim que eu te dou uma cerveja”.
Na prática da barganha, sua intenção é ser favorecido sem muito fazer em prol de si mesmo ou sequer participar ativamente do processo que leva ao seu objetivo.
E se você estiver mentalmente muito disposto a receber, pode ser que sua própria mente te favoreça e Odin terá recebido uma cerveja de graça ;-) Então, em função da sua trapaça, Odin terá trapaceado você!

Se a intenção é uma troca fraudulenta que envolve o conhecimento psicológico de um estado de pressão, do tipo, “prometer um vinho para Loki por um favor”, sendo que você já tem por hábito lhe oferecer um sumbel* com vinho, então não tem porque Loki te ajudar, principalmente se teu pedido vale uma adega. Uma modificação em sua forma de pensar, que simbolicamente representaria um tipo de sacrifício, uma nova atitude, agradaria muito mais a Loki do que oferecer o que você sempre lhe oferece toda semana, porque a gratidão pressupõe uma troca justa e a barganha pressupõe uma fraude. Tenho certeza que neste ponto do texto alguns pensaram “Principalmente em se tratando de Loki” :-)

Barganhas só ganham atenção se é do interesse do deus ou deusa barganhar com você (entenda-se jogar). O máximo que terá conseguido foi ser um pet divertido para um panteão inteiro. Além do que, você precisa saber com quem está “barganhando”. Se você souber fazer, pode até ser que conquiste a “admiração” de algum deles, principalmente pela burrice mascarada de perspicácia - e nada garante que continue sendo aceito ou respeitado depois ;-)

Agora, vamos parar para pensar: “engraçada” (para não dizer desgraçada) uma cultura como a nossa, que prega a caridade e o amor ao próximo, sendo tão arraigada à barganha. Tanto que a maioria de nós se comporta na base da barganha.

Surpreso? Eu não. Vejo muitos pagãos (pinks em sua maioria) agindo examente dessa maneira. E o pior é que acham que estão certos, tratando os deuses como empregados…

Eu aprendi apanhando. E você?
Será que anda barganhando e por isso seus rituais não funcionam?

… continua …


* sumbel: leia o ato de beber ritualisticamente, por Vagner Cruz.

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(ps: peço a gentileza de me informarem e citarem minha autoria caso o texto seja reproduzido.)

Fé ativa é diferente de ansiedade ativa

Como mudar nosso wyrd?
Fé Ativa, vontade mágicka.
Força de vontade ou vontade espontânea?

Luciaurea_gato_misticoA ansiedade ativa vive pelo desejo da pressa.
A fé ativa está consciente de que só vive o agora.

A ansiedade ativa se deixa levar pelas influências externas e pelas ilusões das aparências.
A fé ativa está consciente de que as experiências não param nas expressões do tempo e que o tempo, deixa de existir quando “os olhos se fecham para este mundo e se abrem para o outro”.

A ansiedade ativa escuta as vozes determinantes do destino.
A fé ativa escuta os sons libertadores do criar consciente.

Reconhecer é diferente de encontrar.
Reconhecer o estado de Fé Ativa, é aceitar que o tempo não passa de uma ilusão nas mãos de quem interage consciente no destino – wyrd.

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