Geometria Sagrada

ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE GEOMETRIA SAGRADA

Existe uma teoria que diz que toda vida e forma de existência são determinadas por relações geométricas abstratas, “um mundo invisível e imaterial de formas puras e geométricas”. Até mesmo os nossos sentidos estariam relacionados às proporções geométricas.

Stadhas - sistema de posições rúnicas. O figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos de "Mãe das Runas".

* Stadhas - sistema de posições rúnicas. A figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos como a "Runa Mãe".

Isso pode ser provado através de um simples exemplo: a fotossíntese.

O carbono, o hidrogênio e o magnésio das moléculas da clorofila estão dispostos num desenho parecido com uma margarida – um desenho simétrico complexo, de 12 arestas.

O mais curioso é que o 12 aparece com freqüência, no pensamento mitológico, como número da Grande Mãe Universal, doadora da Vida. Ao que parece, “este símbolo de doze partes é necessário inclusive ao nível das moléculas”.

Este fenômeno é representado simbolicamente nas rosáceas de muitas igrejas, que transformam a luz num espectro de cores. Estudiosos, magos, engenheiros e arquitetos do Mundo Antigo e Medieval sabiam disto.

São Bernardo de Claraval, inspirado em Paulo de Tarso, disse:
“Que é Deus? É longitude, largura e profundidade.”

Os gregos herdaram o estudo da geometria dos egípcios. No Antigo Egito, geometria era considerada o trabalho de medir a terra, em função do transbordamento do Nilo. Era o restabelecer dos princípios da ordem e da lei sobre a terra, porque a cada ano a zona medida à margem do rio era diferente. Então, também, se as constelações mudavam de posição, a orientação de um templo ajustava-se a isto. Na verdade, a geometria tinha para os egípcios conotações metafísicas, físicas e sociais.

A geometria surgiu, desta maneira, como prática da observação da Natureza, que sempre encarnou as formas arquetípicas do círculo, do quadrado e do triângulo, tão estudadas por Jung, que declarou estarem presentes no inconsciente coletivo.

A geometria mede as relações entre as formas no estudo da ordem espacial. Unida à aritmética, à astronomia ( observação dos movimentos cíclicos no estudo da ordem temporal) e ao estudo da harmonia e da música, constituíam as disciplinas mais importantes da educação clássica.

O objetivo desta educação era fazer da mente um canal para que o nível da forma manifestada, a terra, recebesse a vida cósmica dos céus, o abstrato, ou seja, uma disciplina para desenvolver a intuição intelectual e espiritual.

No livro “A República”, de Platão, há uma citação de que os geômetras utilizavam as formas visíveis e falavam delas, mas na verdade tratavam daquilo que elas eram um reflexo, estudavam o quadrado em si e a diagonal em si, mas não a imagem que eles desenhavam. Eram realidades vislumbradas pelos geômetras que só podiam ser contempladas pela mente.

Assim, as formas matemáticas têm uma primeira estância na alma, de modo que existem círculos invisíveis antes dos corpos que se movem em círculos, razões harmônicas antes das coisas harmonizadas, e figuras vitais antes das aparentes. (Thomas Taylor)

A geometria pode ser considerada como uma metáfora da Ordem Universal, e por isso, sagrada.

Atualmente os estudos científicos de Exatas, se limitam à visão das aparências, mas com a descoberta de novas tecnologias e com o advento da Física Quântica, já é possível observar a presença da Ordem Universal nos ciclos da vida.

Referência Bibliográfica:

GEOMETRIA SAGRADA, de Robert Lawlor, Edições del Prado.

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* Stadhas – sistema de posições rúnicas. A figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos como a “Runa Mãe”, por simbolizar o padrão estrutural do universo físico, sendo uma matriz arquetípica que revela conhecimentos numérios e simbólicos relacionados às runas. Com o apogeu dos estudos sobre magia rúnica da Idade Média, passaram a ser vistas não só como sistema oracular ou alfabeto, mas como padrões energéticos que vibram sobre o “wyrd” ou “fio do destino” individual.

Geometria Corporal Expressiva I

Este texto foi escrito - na época em que eu ainda assinava como Luciaurea Faruk - há alguns anos atrás para a wikipédia. Lembro-me de na época ter havido uma grande discussão dentro do mundo wiki sobre a importância do mesmo… No fim, a votação dos wikipedistas foi para que o texto permancesse em função de sua relevência didática. No entanto, não pude colocar meu nome como autora do texto e nem do método, pois a ética da wikipédia não permite que um usuário se coloque como autor de algum projeto ali postado – seu objetivo é universalisar o conhecimento. Como sou wikipedista, segui a regra, e tomei a liberdade de postar uma cópia do texto original aqui no blog porque acredito ser de grande auxílio às estudantes de Dança do Ventre, Tribal, Dança Haviana, Flamenco e afins ;-)

Luciaurea.reconsagracao-do-ventreA Geometria corporal expressiva, surgida em 1997 e parte da dançaterapia, é o termo que define basicamente o uso da geometria e da metafísica como recurso didático no ensino da dança.

Inicialmente, o método começou a ser experimentado, por um pequeno grupo de pesquisadoras, no ensino da Dança Oriental.

Em 10 anos, a metodologia provou ser útil, inclusive para outras modalidades de dança, tais como a Dança Havaiana, a Dança Indiana, o Estilo Livre, a Dança Contemporânea e a Dança Étnica Contemporânea do Estilo Tribal Brasileiro (dança de fusão entre Dança do Ventre, Dança Indiana, Flamenco e Danças Folclóricas Brasileiras).

Idéia e origem

O termo que define a nomenclatura, foi desenvolvido posteriormente à sua utilização, apenas para dar um nome àquela forma de ensino.

Os experimentos tiveram início pelo estudo da Gestalt e da Semiótica, numa “leitura semântica” do movimento como forma, e, posteriormente, mais estudos foram sendo agregados, de modo a acrescentar fundamentos à prática e estruturá-la no caminho da eficácia. Portanto, a idéia que originou esta estrutura metodológica, baseou-se em diversos estudos, entre eles:

  • A Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung;
  • A Psicologia Formativa de Stanley Keleman;
  • As couraças musculares de Reich;
  • A Geometria Filosófica de Robert Lawlor.

Segundo a Gestalt, o cérebro possui um circuito de reconhecimento de padrões. Isso significa que somos matematicamente programados para perceber as formas do mundo físico, o que quer dizer que a simbolização é uma função básica da mente (Cetta e Ward, 1994) – e por isso a experiência com a geometria em dança foi bem sucedida: a geometria é uma linguagem universal e biológica (Tuan, 1974), (Lawlor, 1996), (Jung, 1964).

Com base nestes estudos, na visão do método, o mundo é constituído por formas: assim como movimento tem forma, o rosto tem forma, a vida tem forma, de modo que, os diversos tipos de dança que existem, foram percebidas, e então concebidas, como linhas vivas, linhas em movimento, que em sua abordagem poética “conversam” através do corpo do bailarino(a).

Na Geometria corporal expressiva, os estilos de dança são resultados de diferentes tipologias (tipos de formas) de movimentos, que conferem uma plástica única a cada tipo de dança. O aprendizado da dança passa pela estrutura ideológica das formas: quadrado, círculo, triângulo, oito, curvas, retas e variações, não necessária e obrigatoriamente nesta ordem, utilizando gráficos geométricos que representem os eixos e planos corporais de acordo com cada tipo de dança.

A conceituação do termo chegou a ser considerada mística, e não puramente científica, por incluir a abordagem corporal dentro da abordagem filosófica da metafísica, apesar desta metodologia ser largamente aplicada com resultados práticos e não ter qualquer relação original fundamentada no misticismo.

(Segue em brave a segunda parte…)

Paradigmas na formação do ser humano

Alguns paradigmas para a formação de um ser humano… melhor ou pior?  E melhor ou pior sob qual ponto de vista? Certa vez me pediram para efetuar um trabalho de faculdade para uma turma de Pedagogia. E láh fui eu estudar Edgar Morin… só que me empolguei, e não consegui resistir a colocar um tiquinho do meu (t)’oque pessoal aqui no blog – lógico q não no trabalho!

Corredores da percepção

Corredores da percepção

Este texto não é o resultado de uma olhadinha num livro, pegada de frases legais e palavras de efeito. Ele é reflexo de uma gestação. O resuldado da diferença entre VindárR e Morin táih embaixo :P   Pretenciosa néh? hehe Pense q o q realmente tem valor são as idéias compartilhadas e não o tamanho das nossas pretensões. Afinal, pretenção é pra quem pode :P

Beijinho cósmico :*

 

Todos os paradigmas são questináveis a não ser o fato de que você e eu respiramos oxigênio :P

Cada um dá o que tem
Aquilo que um pai não conseguiu aprimorar em si mesmo não pode exigir em seus filhos.

Um bom exemplo disso é a impraticabilidade de um processo de aprendizagem sendo promovido pelo professor que não domina a matéria que ministra - lógico que sua autonomia está corrompida. Já que a aprendizagem é um processo que envolve razão e emoção, o ego do professor faz toda a diferença, principalmente quando não se sente seguro para ensinar sobre um determinado tema. Logo, não permitirá que seus alunos avaliem em detalhes o que está sendo visto em sala de aula, podando-lhes a expressão.

Ao penetrarmos no terreno da família o que encontramos atualmente? O ego dos pais querendo tornar seus filhos à imagem e semelhança daquilo que pensam ser. Mas isso é previsível… filhos não nascem com manual de instrução! – embora essa prática aceita e difundida seja parte de um resquício cultural que veremos logo abaixo ^.^

Conhecimento é diferente de ilusão, embora também possa ser seu produto.
Conhecer implica em saber para poder usar. Ilusão implica em usar sem o saber, diferente de experimentar para poder conhecer.

Um círculo de pessoas que tem por objetivo a transmissão de um conhecimento precisa saber o que é o conhecimento que visa transmitir. Por exemplo: Para a criança o mundo é enorme e ela se intimida com o tamanho das pessoas adultas e de como reagem à ela. Quer se sentir protegida e amada. Para o adulto o mundo dentro das paredes de sua panela não é tão grande assim, ele não relaciona o tamanho do espaço físico com a quantidade de amor ou vazio de amor que existe dentro da panela.

Um outro exemplo. Se a matéria de ciências prevê o ensino do que é a água potável, o professor deverá previamente saber o que é a água. Tomar a água sem saber o que ela é – não o que tecnicamente representa - é o mesmo que se contentar com a informação que é algo que serve para matar a sede – ou seja, apenas aquilo o que tecnicamente representa - correndo-se o risco de beber água contaminada.

O conhecimento é água potável. A ilusão é água contaminada.

Agora vamos bater-latinhas juntos :D  Se a ilusão é água contaminada, não seria todo o conhecimento produzido pela humanidade até agora, uma grande represa de água não potável? Se fosse, essa água não potável seria a mesma coisa que a água contaminada?

Conhecimento e ilusão interagem com erros, acertos e reconstruções atemporais
O que nossos sentidos captam não é a realidade, mas uma interpretação da realidade. Eles atuam como filtros.

Impossível perceber o mundo da maneira idêntica em todos os níveis da existência. Exemplo: um engenheiro não concebe um projeto da mesma maneira que um arquiteto, assim como um músico não vê a matemática da mesma maneira que o físico.

Ao se desenvolver um conceito se tem uma ferramenta de detecção de erros, o método científico é um exemplo disso. Mas ao se desenvolver paradigmas se tem uma arma que cria ilusões, que serão substituídas por outras no decorrer da história da humanidade.

Erros, ilusões, cegueiras e maneiras de perceber, são uma bela sugestão de foco que podemos ajustar em nossas lentes mentais para otimizar novos paradigmas que sejam mais adequados ao nosso bem-estar e cultura pessoal – e social.

Diferença não é defeito.
Nascer, receber um carimbo e ser igual a todo mundo.

Um animal recém nascido tem suas primeiras experiências marcadas pelo “imprinting” (Konrad Lorenz).

O ser humano tem suas primeiras experiências marcadas pelo “imprinting cultural”. Exemplo: ao nascer se recebe um nome, com a família se aprende as coisas consideradas “certas”, como também os vícios hehe, e assim se dá o “processo de normalização” da criatura humana, e todo resquício de originalidade passa a ser visto como contestação ou incoerência – familiar ou social.

Como poderia um professor aceitar um aluno tão criativo se isso não é considerado “normal”? É melhor considerá-lo hiperativo… E assim começa a massificação da consciência pelo carimbo da normalidade…

Agora pense comigo: se vc não fosse esse vc que lhe deram, não tivesse o nome que tem, não usasse as roupas que usa, não fosse filho/filha dos seus pais, vc seria como é hoje? Como vc seria então? Que desejos abrigaria? Que verdades decidiria a respeito de si mesmo(a)?

… Em andamento… (continua…)

Fonte de inspiração:
MORIN, Edgar. Los siete saberes necessários a la educación del futuro. Paris: UNESCO, 1999.

O Ritual Rúnico

O valor de nossas habilidades naturais

Háilsa!

Sempre observei o crescimento espiritual das pessoas desde pequena, e gostaria de aproveitar esta oportunidade para fazer algumas observações importantes para quem estuda ou pretende estudar runas, e estas observações dizem respeito às habilidades naturais que carregamos desde que nascemos, e que são passadas geneticamente, de mãe para filho (e de pai também).

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

Todos nós nascemos, uns mais, outros menos, com certo tipo de sensibilidade e grau de sensitividade. Aquela “coisa que não bateu bem a respeito de fulano” é um bom exemplo.

No Brasil, a difusão cristã do espiritismo kardecista introduziu a palavra mediunidade como subsituta da palavra paranormalidade, o que é interessante, pois todos somos normais dentro do nosso processo e grau de sensibilidade, seja ela mediúnica, paranormal, extra-sensorial, ou o nome que você gostaria de lhe dar. Eu prefiro o termo dons naturais. Nomes não importam quando o que está em jogo é a sua vida e sua maneira de interegir nela.

Para quem deseja estudar runas, que tenha em mente seu auto conhecimento, pois é fundamental o estudo da tradição nórdica para compreendê-las, seus príncípios, costumes, singularidades, os nove mundos, as Eddas, seus aspectos psico-mitológicos, a relação com as divindades Aesir e Vanir, as características de cada deus e deusa, como também os aspectos da religião antiga, entre a história e a sociologia.
Destes aspectos podemos citar algumas práticas como seidhr; spae; Ásatrú (fé nos Aesir), Vanatrú (fé nos Vanir) ou Troth; entre outras.

 

COMO NOSSOS DONS NATURAIS SE RELACIONAM COM AS RUNAS?

Obervei que pessoas que nunca tiveram contato com seus dons naturais, seja porque nunca pensaram nisso, achavam que nunca fossem portadores ou simplesmente porque acreditam que são qualidades descartáveis, não conseguem apreender a profundidade de uma vivência dentro de um ritual – e assim não estabelecem com ele o contato energético necessário que as faria compreender os “sutis mecanismos que fazem as coisas acontecerem” em suas vidas.

O imediatismo é pai da burrice.
Esses mecanismos se relacionam diretamente com as melhores oportunidades que aparecem “ao acaso” ou “pela sorte”, o que Jung chamou de Lei da Sincronicidade. E no que para uns opera a sincronicidade, para outros opera a Lei de Murphy.

Então, quando os símbolos e as cerimônicas não são compreendidos pela experiência pessoal cognitiva, interna e cinestésica, transformam-se em dogmas ao invés de se tornarem uma expressão espiritual autêntica.

Ao empenharmo-nos em um trabalho de ritual ou magia*, seja para reverenciar nossos deuses, limpar o ambiente, realizar um pedido, agradecer uma dádiva ou modificar a realidade (popularmente chama-se a isso de “feitiço”), é necessário que antes, tenhamos a compreensão das habilidades naturais que já estão disponíveis e que nos são inerentes. Se não as percebemos, podemos desenvolvê-las com calma e com o tempo, através de uma prática simples como respirar de olhos fechados e estar disponível e atento para as sensações que passeiam pelas diversas partes do corpo. Sem pressa, aceitando aquelas habilidades que estão latentes e dispostas a serem trabalhadas em nós.

Nossa relação com o ritual precisa ter uma abordagem energética profunda, caso contrário, será corrompida, cairemos na prática dos “sem noção” em sua ignorância situacional, que ao realizarem um ritual rúnico, sequer se preocupam em saber que forças realmente atuam para lhes trazer a vitória por intermédio dele. Sem mencionar o perigo que correm ao invocar forças que ignoram em sua natureza intrínseca, metafórica e mnemônica.

“Nossa, mas eu não tenho habilidade alguma então eu não posso participar ou estudar, criar ou fazer um ritual rúnico?”

Observo justamente o oposto.

No início deste artigo eu mencionei que todos, indistintamente, você e eu, somos mais ou menos sensíveis.
Conheço pessoas que não possuem vidência alguma, no entanto, são ótimas na oratória para os estudos em grupo ou são excelentes doadores de energia. Outros se darão bem com inspirações para os cânticos pagãos, outros para organizar estruturas rituais e assim por diante.
O campo da sensibilidade é imenso! Não há como você não ter a sua.

 

O CAMPO DE OBSERVAÇÃO DA FÁBRICA DE PODERES

O termo “fábrica de poderes” é uma observação de minha amiga Pamella. Quando conversamos sobre este assunto, anotamos vários acontecimentos entre novatos e pseudo-experientes.

O que observo aqui é o cuidado e o compromisso com nossa consciência (não com a coerência da vida coletiva), para que não nos tornemos mais um na vitrine que mostra todos os produtos da “fábrica de poderes”, mas que no entando, mal conhece os componentes químicos que compõem sua base.

Deixo aqui o meu recado, com o desejo sincero de que possamos ser cada vez mais responsáveis pelo que somos, nos tornamos e pelo que viremos a ser!

 

ALGUMAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS QUE PODEM AJUDAR

Entre os meus favoritos estão Edred Thorsson, KveldúlfR Gundarson e Mirella Faur.

Edred Thorsson é fantástico em todas as suas abordagens, mas entre elas cito o Futhark – a handbook of Rune Magic. Útil em inglês.

Em Our Throth, KveldúlfR Gundarson explana com o auxílio de diversos autores, o que é Ásatrú, sua identidade cultural e social, seus deuses, deusas e rituais, como também depõe contra alguns dogmas que são formados em torno dele. Útil em inglês.

Em Mistérios Nórdicos, Mirella Faur foca a tradição feminina e o trabalho com runas voltado à mulheres, porém se constitui um excelente referencial para público masculino, principalmente no que se refere às práticas rúnicas. Em português.

Existem outras referências, mas faço uma em especial às Eddas. Elas são formidáveis relatos da espiritualidade nórdica e contém um acervo de citações que instigam a curiosidade do aspirante a vitki.

Acima já temos um bom material, interessante e comparativo, pois as opiniões divergem de um autor para outro.

Parafraseando o “mãos à obra”, Olhos à leitura!

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* ritual ou magia: entenda-se que um ritual não é sinônimo de magia, o mesmo pode existir com o simples objetivo de honrar os deuses. No entanto, um ritual pode compreender a magia se a itenção é essa. Logo, um ritual pode ser mágico ou não, a depender a intenção projetada.

A dançarina de Shamahka e o parto

Certa noite, no Cairo, eu vi, com os olhos incrédulos, uma de nossas mais sagradas danças degradada junto a uma bestialidade horrível e revoltante. Ela é o poema de mistério e dor da maternidade, que todo homem asiático assiste com reverência e humildade, nos longínquos cantos da Ásia, onde o sopro destrutivo do ocidente ainda não penetrou. Nesta velha Ásia que tem mantido a dança em sua pureza primitiva, ela representa a maternidade, o mistério da concepção da vida, o sofrimento e a alegria com que uma nova alma é trazida ao mundo. Poderia qualquer homem, nascido de uma mulher, contemplar este tema tão sagrado, expresso numa arte tão pura e tão ritualística como a nossa Dança Oriental, sem menos do que uma profunda reverência? Tanto é a veneração asiática pela maternidade, que há países e tribos cujo mais solene juramento é feito sobre o ventre, porque é desta taça sagrada que a humanidade tem se provido. Mas o espírito do ocidente tinha tocado esta dança sagrada e ela se transformou na horrível Dança do Ventre. (…) Para mim, uma nauseante revelação da insuspeita oculta da bestialidade humana, para outros ela foi – diversão. Ouvi os risos abafados dos europeus. Vi sorrisos lascivos até nos lábios dos asiáticos, e fugi.”

(Texto escrito por Armen Ohanian, em “A dançarina de Shamahka”, citado por Morroco, ao ver uma apresentação vulgar de Dança do Ventre.)

An Almeh with pipe' by Jean-Leon Gerome, French. Oil, 1873.

An Almeh with pipe' by Jean-Leon Gerome, French. Oil, 1873.

Este livro “A Dançarina de Shamahka”, de 1923, citado nos estudos da bailarina e pesquisadora norte-americana Morroco, e da brasileira Cláudia Cenci, reconta as memórias da autora, Armen Ohanian. No trecho citado acima, ela comenta seu desgosto ao ver uma performance de uma dançarina do Cairo.
Armen Ohanian, vinda da Armênia, foi um raro fenômeno para sua época, pois era proveniente de uma família muito próspera e rica.
Tendo sido muito apreciada pelos artistas e intelectuais da época, com os quais tinha grande afinidade, foi uma grande pensadora da Dança Oriental, cujo final de carreira lamentou a influência do ocidente na dança, que segundo ela, jamais compreendeu seu verdadeiro significado sagrado.

O texto de “A Dançarina de Shamahka”, foi citado nos artigos “Roots” (Origens) e “Belly Dancing and Childbirth” (Dança do Ventre e Nascimento), da bailarina e pesquisadora norte-americana Morocco. Trata-se de um trabalho detalhado sobre as danças do Oriente Médio, o qual, Morocco teve o grande prazer de aprender da própria raíz.

Racks Sharqi, ou Dança do Ventre, como é vulgarmente conhecida, tem sua origem diretamente ligada à fertilidade e à maternidade. Segundo informações que a pesquisadora adquiriu no contato com Farab Firdoz (uma bailarina da Arábia Saudita que abordou Morocco logo após uma performance e se tornou sua amiga), os movimentos como tremidos, ondulações abdominais, e outros realizados em alguns solos de chão, foram inspirados nos movimentos de labor e nascimento, que eram parte de uma cerimônia religiosa, de milhares de anos atrás; mas, com o advento do monoteísmo e dos vários estilos de restrições religiosas, deixou de ser religiosa e passou a ser secular, tanto como entretenimento ou como um ritual terapêutico. Em áreas remotas do oriente, que ainda não foram contaminadas pelas idéias ocidentais, todas as mulheres se reuniriam em torno de uma parturiente realizando certos tipos de movimentos, com o propósito de hipnotizá-la encorajando-a a fazer o mesmo, a fim de facilitar o nascimento e reduzir a dor das contrações, e lembrar umas às outras de que compartilham o mesmo destino e experiências como mulheres. De acordo com a informação fornecida por Farab Firdoz a Morocco, os músculos abdominais dessas mulheres estariam fortalecidos e bem mais preparados para o parto, porque desde a infância, já teriam praticado estes movimentos nas danças folclóricas.

Morocco conta que

uma tenda foi construída no final do vilarejo, para onde a parturiente se dirigiria para o parto. Uma pequena cova foi feita no chão, bem no meio da tenda – para a chegada do bebê. A tenda era abastecida por alimentos diversos, frutas e chás, e um divã para a futura mãe. Não era permitida a permanência de homens na tenda das mulheres.

As mulheres passaram o dia cantando, dançando e tocando instrumentos, tomando chá e comendo, enquanto o trabalho de parto não se iniciava. Inclusive a parturiente foi capaz de dançar junto com as outras mulheres da tribo.

Quando trabalho de parto começou, iniciou-se uma espécie de ritual de apoio e confraternização, com a parturiente no centro, agachada sobre a cova. As companheiras formavam uma série de círculos em volta dela, e começaram a cantar lentamente, movimentando-se em sentido horário, e realizando lentas ondulações abdominais – mais fortes do que o que conhecemos por tremidos, como uma forma de apoio psicológico à companheira que estava prestes a dar à luz.

Em alguns momentos, a parturiente se levantava e, no mesmo lugar, realizava os mesmos movimentos do grupo, também em razão das contrações, para depois se agachar novamente. De acordo com Morocco, ela não parecia agitada ou sofrer de alguma dor. O único sinal de esforço percebido por ela foi transpiração efusiva.

Assim que os bebês nasceram (gêmeos), as mulheres deram o grito beduíno, levando a notícia ao pai da criança. Este, se dirigiu à tenda e parou a uma distância exata do local, para onde os bebês foram levados afim de que ele os pudesse ver, depois retornaram para serem amamentados. As mulheres retomaram o canto e continuaram dançando até o pôr do sol.

Recomendo que acessem o texto de Morroco na íntegra, em seu site oficial: http://www.casbahdance.org