Runas, deuses e rituais IV – Estrutura Psicológica

… continuando o post anterior…

TENHA AUTO-ESTIMA

Qual a postura mental de uma pessoa que se coloca na posição de um servo ou escravo? Sofrimento. O “coitadinho de mim”.

Servir não implica em sofrer, a maioria de nós, pagãos, adora servir ao deus ou deusa de sua preferência porque compreendemos o espírito do servir, mas historicamente aprendemos que a palavra “servo” está ligada à idéia de quem ocupa uma posição emocional (carência) ou socialmente inferior. A posição que quem se deixa dominar – só se reconhece uma fraqueza quando se está diante de alguém ou algo mais forte. Assim, associamos a idéia do servo à do escravo - e escravos apanham quando fazem algo errado.

Para quem alimenta essa desvantagem interna, o melhor é se nutrir com a idéia de que aliados humanos são ensinados a fazer a coisa certa quando erram e que são vistos como filhos – ou iguais – pelos deuses. Isso é reconhecer o seu valor. O nome disso é Honra.

NÃO DUVIDE

Tenha convicção.

Convicção é diferente de fanatismo. Os deuses nórdicos não apreciam a incerteza e costumam sacanear quem acredita nela.

Eu enfatizo isso porque existem pessoas que não têm estrutura psicológica para trabalhar com arquétipos tão fortes. Com a magia nórdica você consegue o que quer, mas existe uma regra, oposta à regra cristã, e, é de seu livre-arbítrio decidir se vai aceitá-la ou não: aqui, um presente requer outro presente, essa é a sabedoria rúnica, legado de Odin - nada é de graça.

Na natureza nada é de graça. No eco-sistema nada é degraça. Mesmo em templos e igrejas paga-se o dízimo. Se você conversa com “Deus” (o do seu coração e de sua compreensão), alguma coisa muda em você. E se você não faz uma reforma íntima básica, pode ser que teu pedido não seja atendido, não por castigo, mas porque a reforma íntima é necessária para movimentar as energias a teu favor. É você quem libera a energia do que vai acontecer – e não “Deus”.

Falo isso por experiência própria. Eu me comportava como uma menina mimada e aos 30 anos de idade ainda não sabia como andar com minhas próprias pernas. De tanto “apanhar”, em um ano aprendi a me ver como uma pessoa íntegra – não dependo de terceiros para tomar uma atitude em minha vida para algo que só dependa de mim mesma para acontecer – e não chateio os deuses com isso.

Saiba que o que você pede já lhe pertence por direito divino. Sinta isso enquando pede. Esteja convicto do que pede.

SUSTENTE O VOCÊ QUE PEDE = SUSTENTE A ESTRUTURA

Então, conforme estudamos no texto anterior, você tem duas coisas paradoxais: não prometer, mas saber que para receber o que tanto deseja você deverá doar algo em troca também.

É como se você estivesse com os braços cheios de presentes. Para receber mais presentes, você terá que escolher entre retirar alguns e colocar outros no lugar. Abrir mão de algo importante em função de algo mais prioritário – e quem determina isso é a sua necessidade, saiba se escutar.

“Nossa mas o que eu vou ter que pagar?” Isso é fácil de saber, se você se fizer, por exemplo, as seguintes perguntas (não necessariamente essas) de forma sincera e sem mácaras:

  1. Estou realmente disposto a abrir mão da vida que levo agora para viver a vida que desejo?
  2. Posso sustentar minha tranquilidade mediante a pressão e a arrogância de terceiros?
  3. Posso não me incomodar e superar a inveja alheia?

O que você paga não é em dinheiro, mas é na estrutura nova que você desenvolve ;-)

Eu tive uma surpresa muito desagradável ao descobrir que, pessoas me viraram a cara e sacrificaram anos de amizade só porque eu quis ir em busca de uma vida melhor. Tenho que contar a verdade e dizer que abri mão de muita coisa – do conforto de viver perto de meus pais, da vida sem problemas, tive que aprender a acordar mais cedo, tive que mudar de casa, mudar meus hábitos, cuidar mais de minha aparência, tive que aprender a administrar minha vida financeira e não permitir que o dinheiro controlasse meus impulsos.

Abre-se mão de muita coisa. Inclusive de pseudo-amigos que não compreendem sua mudança e querem que você continue sendo o que era para o conforto deles ;-)

No entanto, o feedback que você recebe da Vida por decidir alimentar-se e se abraçar… Vive-se mais feliz – e o mais importante, vive-se como se deseja.

Muita Paz e Boa Sorte em teu caminho!

Com Honra e Amor,

VindaárR

Runas, deuses e rituais III – Princípios

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NÃO PROMETA – SE NÃO SABE O QUE PROMETER

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

As Nove Nobres Virtudes da Tradição Nórdica

Promessas devem ser feitas com honra e honra pressupõe a consciência de sua existência. Numa sociedade que não valoriza a honra, é difícil ter a consciência que ela ainda é importante para nós.

Prometer algo levando em consideração a possibilidade do seu não-cumprimento, pode lhe trazer consequências indesejáveis, porque sua consciência sempre lhe cobra depois – e lidar com a consciência da culpa não é a melhor das proezas humanas. Pessoas se matam por causa dela.

Entenda que honra é um princípio que expõe sua elegância espiritual. Se você nunca parou para pensar no assunto, esse é o momento. Desenvolva. Treine. Deixe fluir.

Ter honra é como ter sangue: você nasce com ela. Apenas não foi educado para saber como cuidar bem dela.
No entanto, assim como um ladrão pode lhe ferir e você perder o seu sangue, você também pode perder sua honra. E dependendo do tipo de ferimento, você até pode se recuperar embora nunca mais seja o mesmo – assim também é com sua honra. A não ser que você já não tenha mais vida.
Eu não entrarei no mérito de discutir mais sobre o tema honra, porque existem “N” casos paradoxais para serem estudados, como por exemplo, a questão da flexibilidade. Mas aqui fica minha dica: apenas não prometa o que sabe ou intui que não poderá cumprir – você será cobrado.

OS DEUSES ADORAM PESSOAS FELIZES

Um deus pagão não é um santo católico. Deuses não precisam de servos e sim de aliados - disse-me Odin certa vez durante um seidhr e ele não estava sorrindo passando a mão na minha cabeça- lembre-se sempre disso.
Não é com uma mentalidade cristã do tipo “coitadinho de mim” que você vai conseguir alguma coisa. Deuses apreciam qualidades como força de caráter e boa estrutura emocional.

NÃO BARGANHE – SEJA GRATO E HONESTO

“Um presente requer outro presente”, este é o mais famoso ditado que aplicamos no paganismo nórdico.
Porém algo requer outro algo não apenas pela gentileza, mas pelo espírito de gratidão (funcionalidade) - à mim mesma, pela iniciativa, aos deuses pela companhia e aprendizado  ;-) A gratidão é uma idéia manifesta em nossa realidade (humana, Midgard) porque seu funcionamento é a aplicação de uma lei cósmica ;-) Se eu retiro algo de um lugar no universo é necessário que aquele espaço vazio seja preenchido por uma energia similar, equivalente ou melhor, afinal, o vazio é criativo em potencial. Assim, eu garanto que um ciclo saudável de abastecimento continue.

Se eu tenho convicção de que minhas escolhas são autênticas, nada é capaz de me corromper. Escolher agradecer é uma ação autêntica que é bem vista pelos deuses.

Analise por si mesmo: se você fez algo em favor de alguém que você respeita, mesmo que “não cobre por isso”, você (a maioria de nós, não necessariamente você) vai no mínimo esperar um obrigado, por mais que não seja verbalizado, porque instintivamente (isso se torna consciente quando se conhece o mecanismo da gratidão) você sabe que, aquele minúsculo obrigado, possui uma energia construtora, que irá alimentar e gerar mais alimento energético a favor daquela pessoa. Se os deuses te favorecem é porque respeitam você. Você já parou para pensar nisso?

LEVE OU DENSO COMO UM TECIDO

Odin... sábio, xamã e guerreiro.

Odin... sábio, xamã e guerreiro.

Tua mente precisa estar predisposta, caso contrário os deuses nada fazem, pois a barreira que você coloca não permite que nada atravesse os portões de tua morada.

Além de te respeitarem, eles usam tua própria energia para lhe dar o que você mesmo pediu. O que você pede, lhe é dado conforme a qualidade do material que você doou. Irônico isso néh? Nem tanto.

Se você não sabe costurar, vai à uma costureira e leva o tecido certo? Se você der o tecido o valor é um. Se ela der o tecido, o valor pode dobrar.  E tem mais uma coisa: a manutenção da roupa é responsabilidade sua – não da costureira. A roupa envelhece, rasga, mas você pode mandar consertá-la. Ou pedir para fazer uma nova roupa ;-) A qualidade da roupa é boa? Depende do material. Mas o material que você deu é de boa qualidade?

Transporte agora essa ilustração para sua vida em cima de tudo o que falamos até agora. Você dá o material, os deuses o moldam para você porque ainda não aprendeu a moldá-lo com as próprias mãos. Caso eles dêem o material, trata-se de um presente, e você já sabe que um presente requer outro presente, afinal, nem a costureira trabalha de graça. Mas independente do caso, a manutenção é de sua responsabilidade. Os deuses não têm culpa se você não desenvolveu estrutura para sustentar o que pediu! Se você engordar, vai culpar a costureira?

NÃO DÊ LIXO POR LUXO

Este conhecimento nos leva a pesar o conceito da palavra ”barganha”. Você gosta de lixo? Improvável… Os deuses também não.

MAS COMO ASSIM?

“Ah Odin, faz isso pra mim que eu te dou uma cerveja”.
Na prática da barganha, sua intenção é ser favorecido sem muito fazer em prol de si mesmo ou sequer participar ativamente do processo que leva ao seu objetivo.
E se você estiver mentalmente muito disposto a receber, pode ser que sua própria mente te favoreça e Odin terá recebido uma cerveja de graça ;-) Então, em função da sua trapaça, Odin terá trapaceado você!

Se a intenção é uma troca fraudulenta que envolve o conhecimento psicológico de um estado de pressão, do tipo, “prometer um vinho para Loki por um favor”, sendo que você já tem por hábito lhe oferecer um sumbel* com vinho, então não tem porque Loki te ajudar, principalmente se teu pedido vale uma adega. Uma modificação em sua forma de pensar, que simbolicamente representaria um tipo de sacrifício, uma nova atitude, agradaria muito mais a Loki do que oferecer o que você sempre lhe oferece toda semana, porque a gratidão pressupõe uma troca justa e a barganha pressupõe uma fraude. Tenho certeza que neste ponto do texto alguns pensaram “Principalmente em se tratando de Loki” :-)

Barganhas só ganham atenção se é do interesse do deus ou deusa barganhar com você (entenda-se jogar). O máximo que terá conseguido foi ser um pet divertido para um panteão inteiro. Além do que, você precisa saber com quem está “barganhando”. Se você souber fazer, pode até ser que conquiste a “admiração” de algum deles, principalmente pela burrice mascarada de perspicácia - e nada garante que continue sendo aceito ou respeitado depois ;-)

Agora, vamos parar para pensar: “engraçada” (para não dizer desgraçada) uma cultura como a nossa, que prega a caridade e o amor ao próximo, sendo tão arraigada à barganha. Tanto que a maioria de nós se comporta na base da barganha.

Surpreso? Eu não. Vejo muitos pagãos (pinks em sua maioria) agindo examente dessa maneira. E o pior é que acham que estão certos, tratando os deuses como empregados…

Eu aprendi apanhando. E você?
Será que anda barganhando e por isso seus rituais não funcionam?

… continua …


* sumbel: leia o ato de beber ritualisticamente, por Vagner Cruz.

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(ps: peço a gentileza de me informarem e citarem minha autoria caso o texto seja reproduzido.)

Runas, deuses e rituais II – Bindrunes

Continuando o post anterior…

Falamos de Luana no artigo anterior e mencionamos sua conexão com a deusa Freyja. Verificamos a possibilidade de um ritual para ajudá-la a concretizar sua intenção mestra, mediante seu desejo em mudar de área na empresa onde trabalha. Vamos continuar com os esclarecimentos e orientações sobre as questões do desejo e da atitude envolvidas, afim de que os mecanismos do ritual funcionem a contento :-)

SAIBA PEDIR

Por exemplo: “quero mudar de área mantendo meu emprego”.

Odin e seus dois corvos Hugin  e Munin, respectivamente pensamento e memória

Odin e seus dois corvos mensageiros, Huginn e Muninn, respectivamente, Pensamento e Memória

Muitas pessoas pedem uma melhora, uma promoção, porém se esquecem de enfatizar os pontos importantes da maneira mais simples. Elas simplemente querem e pronto, sem saber como querer. Tratam suas vidas adultas como continuação da infância que tiveram (ou não). Eu também fui uma dessas pessoas e aprendi com minhas próprias experiências “o como” e o “o que”. Aprendi “aos trancos e barrancos”. Você porém, não precisa aprender assim.

No caso de Luana, a questão era tornar realidade seu desejo de mudar de área, consciente que o desejo gerava a necessidade, mas que a necessidade não era o desejo.

Se você deseja mudar de área, especifique a área, caso tenha um interesse por alguma em particular, e sempre se lembre de que você também deseja manter seu emprego, caso contrário, você poderá semear uma demissão, seguida de um emprego melhor depois, sem dúvida - mas ainda sim, uma demissão. Se você deseja continuar trabalhando na mesma empresa, especifique – e mais importante: simplifique. Não preencha com subjetividade, seja objetivo!

Se você for compor um bindrune* para consagragrar este fim, fique atento enquanto crava as runas. Mantenha o objetivo claro na mente, porque você está “criando um espírito” para habitar aquele bindrune que irá trabalhar para você. Não é um espírito como a gente, não se preocupe. É como uma programação, obedece ao seu dono* , cumpre sua função e volta para seu universo rúnico ;-)

CRAVANDO RUNAS

Isso mesmo, o assunto aqui é cravar runas.

Cipó-buta
Cipó-buta

Cravar é escrever em profundidade. Um programador usa o computador para criar um programa. Você usa, a grosso modo, seax* e madeira, que é o material tradicional para a confecção de runas. No mito nórdico, os seres humanos foram criados de árvores, por isso, a madeira tem um significado especial que envolve vida, morte e renascimento. Perfeito para a magia de bindrunes!

Não adianta usar canetinha colorida não, isso é coisa de pinks* e gente preguiçosa, porque quando você crava as runas, você usa a força de sua intenção e empenha uma atitude na ação de cravar. Cravar runas é um ritual – leve a sério!

O uso do grafite (não é canetinha!) serve apenas para o papel, porque o grafite contém carbono e o carbono conduz energia. É excelente se sua intenção é gerar gráficos rediônicos. O uso de canetinhas coloridas é indicado para mandalas terapêuticas, não para bindrunes. Se sua intenção é plantar prosperidade, crie um bindrune fora do papel*.

Um outro dado importante é você saber que o pedaço de madeira deve ser polido por você mesmo, sendo o galho vivo de uma árvore ou caule de uma planta nativa brasileira. :O “O que você disse? Planta do Brasil? Mas o certo não é utilizar recursos nativos do Norte?” E eu respondo:

- Utilizar os recursos do Norte não vai fazer sua magia ser mais eficaz. A magia escandinava, a religião e outros elementos que compõem a espiritualidade nórdica, são feitos da natureza para a natureza. Se você é do hemisfério sul, não adianta se esforçar em louvar recursos que estão longe do seu alcance – a não ser que você tenha acesso fácil a eles ;-)

Luciaurea.cipo-butaVale uma dica: eu particularmente aprecio o uso da buta (Aristolochia esperanzae Kuntze) para a confecção de meus binds. A buta é também conhecida como cipó-buta ou cipó-mil-homens. Trata-se de uma espécie trepadeira com ação medicinal abortiva, e por isso mesmo, possui campo magnético expansivo, atendendo a objetivos que requerem abertura nos empreedimentos ou banimentos. É utilizada uma pequena raspa de sua casca em chás para cólicas menstruais. Importante salientar, no entanto, que as propriedades da buta nem sempre se encaixam nas propriedades do ritual, sendo necessária prévia avaliação de sua utilização; portanto, muita atenção aqui, porque suas propriedades expansivas podem realmente abortar uma situação que você muito deseja. Saiba elaborar seu pedido previamente deixando clara sua intenção. Esclareça sua intenção para si mesmo antes de se aventurar ao “mãos à obra!”

… CONTINUA …

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* Bindrune: amuleto rúnico em que se combina uma ou mais runas para um determinado fim. Neste estudo de caso para prosperidade, estamos fazendo o uso de Fehu apenas, mas isso não é uma regra fixa ok? Existem outras maneiras de se combinar runas, seja para a prosperidade, saúde, amor ou qualquer outro assunto de âmbito pessoal.

* Obedece ao seu dono: observe o contexto da expressão e sim, tome cuidado com essa palavra, dono. Você não é “dono” das runas, você interage com elas porque elas são forças anteriores à sua existência na sua forma de consciência atual! O espírito que você criou e cravou nasce, cresce, ganha força em vida, e depois entra em seu ciclo noturno em nosso mundo (Midgard), para retornar ao universo rúnico novamente.  A expressão “obedece ao seu dono” deve ser encarada do ponto de vista da intenção de programar a realidade.

* Seax nórdico: athame ritualístico.

* Pinks: pessoas que brincam de fábrica de poderes.

* Fora do papel: se sua intenção é mover mentalmente sua prosperidade, então use o papel e cole-o num lugar visível onde possa ser contemplado todos os dias, pois os aspectos inconscientes ali gravados por você, acionarão teus aspectos conscientes, trazendo à tona o conceito de prosperidade que você necessita trabalhar, para aprender a manter e a aumentar o que já possui.

Runas, deuses e rituais I – Fehu & Freyja

Ela queria mudar de área e precisava de algo que alavancasse os acontecimentos. Interessou-se pela magia escandinava e paganismo nórdico, em especial pelo relacionamento com os deuses e o que eles poderiam fazer para auxiliá-la.

Neste artigo eu gostaria de falar sobre o trabalho com runas, em especial a runa Fehu* e sua interação com os deuses nórdicos, em especial a deusa Freyja*, em rituais.

CONSIDERANDO AS NECESSIDADES

Luana, vamos chamá-la assim, me escreveu pedindo orientações sobre como proceder com um ritual para a deusa Freyja utilizando as runas. A resposta foi um longo e-mail repleto de considerações sobre as reais necessidades dela.

Ela desejava muito mudar para uma área específica da empresa onde trabalhava, a ponto de sentir essa mudança como uma necessidade em sua vida. Então, não era possível deletar a importância que isso era para ela.

Como já havia sido detectada sua conexão energética com Freyja, a mesma poderia auxiliá-la na abertura de caminhos, e com o auxílio da runa Fehu, ela conseguiria agilizar o processo.

MECANISMO DE FUNCIONAMENTO ENTRE MITOS E RUNAS

Um mito é muitas vezes utilizado para explicar e representar valores e comportamentos humanos. No entanto, um mito também prioriza uma potência da natureza. Quando entramos em contato com uma deidade, não estamos apenas estabelecendo um alinhamento com seu arquétipo dentro de nós, mas também uma comunicação com a natureza.

“A riqueza é um conforto para todos, mas deve partilhá-la aquele que espera sua sorte no julgamento diante dos deuses”.
Havamal*

Para compreendermos um dos mecanismos de funcionamento entre runas e mitos em sua forma mais simples é necessário estudá-los. Através dos estudos poderemos ser capazes de estabelecer as relações entre ambos. Estudaremos aqui as relações entre Fehu e Freyja.

Luciaurea.FehuFehu (lê-se férru) está relacionada à riqueza, prosperidade, abundância e sustentabilidade. É o poder móvel de realização e distribuição. Ideograficamente, representa os chifres do gado, e o gado era sinônimo de dinheiro e bens móveis para os antigos vikings. Princípios como troca, manter o que já se possui e compartilhar a sorte com os demais fazem parte da escala de valores abrangidos pela potência energética Fehu.

Em um outro nível, Fehu representa a força ígnea criativa. No mito da criação, Audhumbla, nascida da interação entre fogo e gelo primordiais, era a vaca cósmica e seu mito retrata a fertilidade e a força criativa direcionados à sustentação da vida, pois Audhumbla alimenta deuses e gigantes.

Fehu é uma runa de abastecimento. Mas pede também para ser abastecida, pois consome energia. Isso significa que seu uso, em especial em rituais, precisa ser constantemente refeito.

É também uma runa de obediência (usuário descontrolado – dinheiro sem destino), pois o gado obedece ao pastor, indo para onde lhe for indicado e permanecendo onde lhe for determinado. Portanto, qualquer ritual feito com essa runa pode ocasionar solução rápida de problemas financeiros e o aparecimento de novas oportunidades.

Fehu pode ser associada à deusa Freyja em um ritual cujo objetivo é a abertura de caminhos, porque Freyja também representa e rege a riqueza, além da fertilidade, mas principalmente porque Fehu é a primeira runa no primeiro Aett, regido pela deusa. Porém, a questão com Freyja, como mentora de um acontecimento, é que ela tem sua própria maneira de solucionar uma situação e nem sempre concordamos com ela. Se você não pede “corretamente”, analisando inclusive as entrelinhas do que você pede, você pode atrair uma situação “ao pé da letra”.

Por exemplo, “quero viver perto da luz” – a pessoa aqui queria estar psicologicamente próxima dos deuses e de energias boas, mas acabou conseguindo um trabalho que tinha que trocar várias lâmpadas por dia! Irônico não? Não deixa de ter sua graça também :P Deuses não possuem humor humano.

UMA MANEIRA DE FAZER ENTRE MUITAS

Certa vez, para conseguir trabalho, eu pedi a Freyja e Odin que me dessem estrutura financeira e um trabalho compatível com os meus talentos.

Luciaurea.runasCravei Fehu 9 vezes em um pequeno pedaço de madeira polida, equivalente a 9 meses (sendo que a cada 9 meses eu refazia meu pacto de prosperidade), entoando o galdor* de Fehu enquanto cravava. Depois plantei (plantar é diferente de enterrar) em minha Yggdrasil (nome de minha comigo ninguém pode* gigante dedicada à Odin, em homenagem à árvore do mundo no mito nórdico). Não acendi velas ou insenso. Foi um ritual simples e direto.

Realizei outros processos que não posso mencionar aqui por uma questão de ética pessoal em relação aos meus procedimentos mágickos.

Porque a cada 9 meses? A prosperidade é como uma planta, se você não cuida, ela não devolve o oxigênio para você! O número 9 tem um significado mágicko para nós, praticantes do paganismo nórdico: por 9 dias e 9 noites Odin ficou auto-imolado em Yggdrasil e depois de um processo de êxtase causado pela dor ele “viu” as runas. Um outro fato é que as runas são divididas em 3 grupos no Old Futhark*, sendo utilizado sempre múltiplos de 3 na elaboração de rituais.

No caso de Luana, foi orientado que ela adquirisse uma muda de comigo ninguém pode* e cuidar dela como se fosse sua planta de poder, antes de pensar em criar qualquer amuleto rúnico.

VONTADE MÁGICKA

Plante seus pedidos como sementes. Você as verá crescer.

… CONTINUA …

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* Freyja: deusa nóridca da fertilidade, do amor, da magia e da guerra.

* Havamal: são os “dizeres do Altíssimo”. Poema, integrante da Edda Poética, relacionado à Odin e a seu conhecimento e sabedoria.

* Galdor: “mantra”.

* Comigo ninguém pode: Dieffenbachia picta Schott. Planta ornamental venenosa cujo trabalho energético envolve a absorção de energias negativas. Quanto mais negativo é o ambiente, maior ela se torna e mais rápido é o seu crescimento. Possui capacidade de concentrar energia e reciclá-la para devolvê-la renovada ao ambiente. Trata-se de uma planta guardiã, portanto, cuida com segredo qualquer elemento mágicko plantado em sua proximidade.

* Old Futhark: é a forma mais antiga encontrada do alfabeto rúnico utilizado pelas tribos escandinavas, cujo uso, segundo Tacitus, ia além da mera escrita, sendo ampliada como arte divinatória e atividade religiosa.

Esvaziando a xícara

Meu amigo Cadu postou um artigo em seu blog sobre o Desejo.
Eu gostei muito do artigo dele e me inspirou a escrever esse.

Desejo é diferente de Vontade.

Na Vontade eu estipulo minhas ações de modo que minha liberdade não fique paralisada sob o julgo de uma decisão que tomei.

O pires pode ter a textura dos acontecimentos, mas xícara continua sendo transparente para que você possa enxergar dentro e através dela.

O pires pode ter a textura dos acontecimentos, mas a xícara continua sendo transparente para que você possa enxergar dentro e através dela.

No Desejo eu me paraliso em função de um filtro que empreguei para interpretar uma situação.

Então, se minhas experiências têm me causado desconforto de alguma maneira, se meus planos falharam, se me frustrei com as pessoas porque as via sob uma outra ótica, eu passo a querer não desejar mais o que havia me comprometido a conseguir ou o que aparentava ser tão fácil de conquistar.

O NÃO DESEJAR

O não desejar também é uma forma de desejo… o estágio intermediário entre o desejo e o não-desejo é o que elimina todo o conflito da dor: o deixar de desejar.

Não é desapego.
Se você pensa que desapego é honestidade com sua essência está enganado. Desapego é uma forma de se causar mais dor ainda.
Desapego é diferente de deixar fluir.
Desa-pego = eu sei que preciso soltar o que se tornou inútil, que deixar que ele se vá vai me fazer muito bem, mas no fundo no fundo, eu continuo desejando pegar aquilo.
Desapego é segurar o que não quero desejar!

Deixar de desejar é diferente de não desejar, porque não desejar implica ainda no desejo.
Sem dor nem fantasia, é quando você se desprende de qualquer máscara, óculos ou filtro que vinha usando para interpretar uma realidade imediata ou construída há tempos atrás.

FILTROS SENSORIAIS

Por causa dos nossos filtros sensoriais, nós temos a tendência de desejar aquilo que “vemos” (incluindo aquilo que fazemos idéia ou nos contaram que existe, fantasias e imaginações em mundos alternativos, que geralmente temos quando crianças e que continuamos a alimentar depois de adultos).
Como consequência, acabamos por enxergar apenas aquilo que desejamos, ou seja, desejamos porque que já vimos e como consequência vemos apenas aquilo que desejamos – apenas o que estipulamos como necessidade.

Determinando necessidades baseadas em falsos pontos de vista, passamos a sofrer arduamente em busca do objeto de nosso desejo.
Essa pequena “distorção” na retina interna da fuga tem correção: o esvaziamento.

ESVAZIANDO A XÍCARA

Esvazie a xícara dos conceitos.
Esvazie a xícara das opiniões.
Esvazie a xícara do “queria que fosse” ou “mas poderia ter sido diferente”.

Deixe a xícara vazia para que ela possa ser preenchida novamente por um novo chá.

A VIRTUDE DA CORAGEM

Adote uma postura de receptividade amorosa consigo mesmo. Coloque um sorriso em seu rosto. Na receptividade amorosa você descobrirá que somente aquilo o que estiver na mesma sintonia se aproximará de você. Na receptividade amorosa você descobrirá que Sua Verdade continua viva porque Você decidiu trocar o filtro. Você perceberá que o tempo todo, foi somente   S i n t o n i a .

Deuses e humanos que fizeram história são amados até hoje porque se propuseram a modificar seus filtros e não tiveram medo do ridículo.

As pessoas também têm seus momentos e nenhum de nós é exatamente aquilo o que faz, mas pensa que é aquilo o que aprendeu a ser! A maioria de nós está passando pela auto descoberta mesmo que não tenha consciência dela.

Nós não somos o resultado do que nossos filtros nos fazem enxergar.
Não somos o que nos propomos a ser porque temos a liberdade de modificar os nossos hábitos mediante nossas descobertas.
Somos apenas um estar constante e mutável que imutavelmente não pára de se expandir.

A VIRTUDE DA PERSEVERANÇA

Como esvaziar a xícara?…

Tome a firme decisão de jogar fora o chá velho.

O chá está velho, o gosto é ruim, mas você insiste em tomá-lo. Seu estômago não aceita mais a consistência dele, mas você ainda insiste em tomá-lo porque aprendeu que ele é o único chá que você pode tomar. Mas isso não é verdade.

Experimente novo chá.

Decida.
E se precisar mudar, decida outra vez.

Geometria Sagrada

ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE GEOMETRIA SAGRADA

Existe uma teoria que diz que toda vida e forma de existência são determinadas por relações geométricas abstratas, “um mundo invisível e imaterial de formas puras e geométricas”. Até mesmo os nossos sentidos estariam relacionados às proporções geométricas.

Stadhas - sistema de posições rúnicas. O figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos de "Mãe das Runas".

* Stadhas - sistema de posições rúnicas. A figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos como a "Runa Mãe".

Isso pode ser provado através de um simples exemplo: a fotossíntese.

O carbono, o hidrogênio e o magnésio das moléculas da clorofila estão dispostos num desenho parecido com uma margarida – um desenho simétrico complexo, de 12 arestas.

O mais curioso é que o 12 aparece com freqüência, no pensamento mitológico, como número da Grande Mãe Universal, doadora da Vida. Ao que parece, “este símbolo de doze partes é necessário inclusive ao nível das moléculas”.

Este fenômeno é representado simbolicamente nas rosáceas de muitas igrejas, que transformam a luz num espectro de cores. Estudiosos, magos, engenheiros e arquitetos do Mundo Antigo e Medieval sabiam disto.

São Bernardo de Claraval, inspirado em Paulo de Tarso, disse:
“Que é Deus? É longitude, largura e profundidade.”

Os gregos herdaram o estudo da geometria dos egípcios. No Antigo Egito, geometria era considerada o trabalho de medir a terra, em função do transbordamento do Nilo. Era o restabelecer dos princípios da ordem e da lei sobre a terra, porque a cada ano a zona medida à margem do rio era diferente. Então, também, se as constelações mudavam de posição, a orientação de um templo ajustava-se a isto. Na verdade, a geometria tinha para os egípcios conotações metafísicas, físicas e sociais.

A geometria surgiu, desta maneira, como prática da observação da Natureza, que sempre encarnou as formas arquetípicas do círculo, do quadrado e do triângulo, tão estudadas por Jung, que declarou estarem presentes no inconsciente coletivo.

A geometria mede as relações entre as formas no estudo da ordem espacial. Unida à aritmética, à astronomia ( observação dos movimentos cíclicos no estudo da ordem temporal) e ao estudo da harmonia e da música, constituíam as disciplinas mais importantes da educação clássica.

O objetivo desta educação era fazer da mente um canal para que o nível da forma manifestada, a terra, recebesse a vida cósmica dos céus, o abstrato, ou seja, uma disciplina para desenvolver a intuição intelectual e espiritual.

No livro “A República”, de Platão, há uma citação de que os geômetras utilizavam as formas visíveis e falavam delas, mas na verdade tratavam daquilo que elas eram um reflexo, estudavam o quadrado em si e a diagonal em si, mas não a imagem que eles desenhavam. Eram realidades vislumbradas pelos geômetras que só podiam ser contempladas pela mente.

Assim, as formas matemáticas têm uma primeira estância na alma, de modo que existem círculos invisíveis antes dos corpos que se movem em círculos, razões harmônicas antes das coisas harmonizadas, e figuras vitais antes das aparentes. (Thomas Taylor)

A geometria pode ser considerada como uma metáfora da Ordem Universal, e por isso, sagrada.

Atualmente os estudos científicos de Exatas, se limitam à visão das aparências, mas com a descoberta de novas tecnologias e com o advento da Física Quântica, já é possível observar a presença da Ordem Universal nos ciclos da vida.

Referência Bibliográfica:

GEOMETRIA SAGRADA, de Robert Lawlor, Edições del Prado.

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* Stadhas – sistema de posições rúnicas. A figura mostra a relação hexagonal com a runa Hagalaz em sua forma primitiva do floco de neve. Tal modelo geométrico é considerado por alguns estudiosos como a “Runa Mãe”, por simbolizar o padrão estrutural do universo físico, sendo uma matriz arquetípica que revela conhecimentos numérios e simbólicos relacionados às runas. Com o apogeu dos estudos sobre magia rúnica da Idade Média, passaram a ser vistas não só como sistema oracular ou alfabeto, mas como padrões energéticos que vibram sobre o “wyrd” ou “fio do destino” individual.

A LÓGICA DE EINSTEIN

Háilsa!
Recebi isso por e-mail de minha amiga Letícia. Não sabemos se a história é verdadeira, mas considerei bárbaro e resolvi postar a mensagem aqui no blog.
Beijos a todos!

Luciaurea.era.do.geloDuas crianças estavam patinando num lago congelado da Alemanha.
Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças,conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!
Nesse instante, o gênio Albert Einstein que passava pelo local, comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Pode nos dizer como?
- É simples, respondeu o Einstein.
- Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.

Penso que nascemos nem perfeitos ou imperfeitos. Somos apenas naturais! Existem crenças que nos causam boas sensações e outras que nos deixam deprimidos.
Mas não somos o que sentimos ou o que fazemos.
Não somos o que nos dizem que somos.

Penso que não somos capazes ou incapazes, nós aprendemos a nos sintonizar com essas palavras embora a Natureza já tenha nos legado tudo o que necessitamos, inclusive as pistas internas que residem dentro de nós.

Penso como Albert Einstein, “fazer ou não fazer algo só depende de nossa vontade e perseverança”. E é isso o que faz com que as mudanças aconteçam porque confiamos tanto naquilo que cremos que conseguimos transformar nossa realidade. Isso é “vontade mágicka”.

Penso que vontade e perseverança nada têm haver com o esforço voltado ao sofrimento, mas com a liberdade de crer na mudança como um resultado natural de nossa auto confiança, o que nos torna mais leves, autênticos e felizes. (Aliás, isso me fez lembrar de um texto do Claudio Crow entitulado Então você quer “evoluir”?  Eu recomendo a leitura dele a todos os leitores deste blog, pois o Crow coloca de uma maneira ímpar o que ninguém poderia ter feito melhor: a questão da evolução como processo de mudança e uma série de paradoxos).

Mas voltando ao e-mail da Letícia, no final dele, uma conlusão que eu concordo em gênero, número e grau:

“Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles”.

Fé ativa é diferente de ansiedade ativa

Como mudar nosso wyrd?
Fé Ativa, vontade mágicka.
Força de vontade ou vontade espontânea?

Luciaurea_gato_misticoA ansiedade ativa vive pelo desejo da pressa.
A fé ativa está consciente de que só vive o agora.

A ansiedade ativa se deixa levar pelas influências externas e pelas ilusões das aparências.
A fé ativa está consciente de que as experiências não param nas expressões do tempo e que o tempo, deixa de existir quando “os olhos se fecham para este mundo e se abrem para o outro”.

A ansiedade ativa escuta as vozes determinantes do destino.
A fé ativa escuta os sons libertadores do criar consciente.

Reconhecer é diferente de encontrar.
Reconhecer o estado de Fé Ativa, é aceitar que o tempo não passa de uma ilusão nas mãos de quem interage consciente no destino – wyrd.

Seidhr: uma viagem para dentro…

Em uma de minhas práticas, vejo Lofn a flutuar em minha frente. Ela é bela, formosa e rosada, leve e diáfana, sempre sorridente e com uma voz nada parecida como as vozes humanas.

Luciaurea.ArteKaminskiÀs vezes me falava sem abrir os lábios, e essa tem sido uma das experiências mais interessantes até agora.

Em uma “meditação” que realizei com meu fylgja, que me levou até Lofn, Ela me fez perceber as incoerências que praticamos no amor, através de uma vivência muito profunda, que compartilho aqui:

... Você está dentro de você… e você é uma gruta…. nessa gruta, as paredes
são escuras e choram muito… é possível ouvir o murmúrio triste
das paredes. Elas são os limites do seu ego…

No centro da gruta, no fundo, há uma fonte bem pequena, na verdade uma bica d’água… e a água que vem dessa fonte é cristalina e rosada…
Embora as lágrimnas escuras das paredes sejam em maior quantidade
que a água da fonte, elas não se misturam.

Agora perceba os sons da fonte. Mergulhe nela… há um pequeno espaço para você mergulhar ali dentro…
…Você se sente bem…

Os sons que ela emite são sons da esperança,
não a esperança que espera, mas a esperança que abraça e cura… a esperança em si mesmo.
E você começa a perceber que quanto mais amor recebe da fonte
mais amor fica disponível pra você mesmo, porque agora você tem uma quantidade boa de amor para se dar… você acaba de perceber também, que agora é capaz de receber amor de si próprio, e essa atitude o deixa elegante
e confortável.

Quando sua atenção se volta para fora de novo,
e repara à sua volta, as chorosas paredes escuras da gruta sumiram, se tornaram belas e naturais,
e acima de sua fonte há uma infinita abertura trazendo a claridade…
as paredes eram seu ego… ele deixou de sofrer e agora, a gruta, que é
você mesmo, está repleta de um brilho natural e beleza… a fonte cresce e a ela se juntam vários afluentes, de modo que a água é obrigada a sair
para fora da gruta… essas águas são como suas veias sanguíneas…

Você não vive sem sangue. Seu sangue está repleto de amor e não tem como seu organismo não reagir à tamanha onda de amor…
Você percebe então, que acaba de voltar para casa…

Notas conscienciais de Lofn:

“Não reprima sua fonte de amor apenas porque ainda não apareceu
um novo ou grande amor na sua vida.

Você é sempre seu grande amor.

Não diminua sua grandeza diante da pessoa que você mais gosta. Não que ela não mereça seu amor, mas no caminho da autosuficiência, entenda-se a liberdade plena dentro de si mesmo, o amor próprio continua sendo a experiência mais prazeiroza, e por essa razão, continua sendo o maior aprendizado.”

Meu aprendizado com Lofn através do Seidhr:

Autorealização.

Com ela tenho aprendido que como humanos, vivemos a tendência de nos privar de nossa fonte natural de amor, quando julgamos não ver com os olhos físicos o amor entrar em nossas vidas.

Desde meu primeiro contato com Lofn, comecei a anotar alguns vícios de comportamento que culturamente são aceitos como normais, mas que nos deixam doentes e inadequados para gerenciar nossos pensamentos e emoções, nos impedindo de seguir um caminho saudável repleto de autoestima, autorealização e autosuficiência.

Compreendi que autosuficiência é um termo mal compreendido e mal empregado, muitas vezes o termo é interpretado como arrogância. No entanto, ele não tem haver com discursos feministas preconceituosos, tampouco com discursos sobre o quanto nos sentimos presos ou somos melhores que os outros… a autosuficiência tem mais haver com liberdade do que com independência.

A liberdade é leve. A liberdade não inibe a convivência com outras pessoas, nem o partilhar dos momentos em companhia delas.

A maioria de nós se esquece de que somos nossos primeiros amantes. Escolhemos morrer por causa da falta de amor. Não o ajudamos a crescer, preferindo reprimir a energia do amor…

E, diante desta controvérsia cultural romântica e doentia, me vêm à mente uma frase de Hela durante um diálogo que tivemos em um outro seidhr… “Nada é absolutamente bom ou ruim!”

Já que é profundo, mas tão simples, deixemos a água de dentro de nós correr para fora, porque somos inesgotáveis, amáveis, espirituais, felizes e gentis, quando aplicamos com coragem e bravura, a nossa vontade mágicka.

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