Dança do Ventre, Inv(f)erno e Cólicas Menstruais

Bom, eu adoro frio, mas como todas, detesto sentir dor!

Com o tempo, fui adquirindo alguns hábitos que atualmente me protegem e espero que a sugestão possa nos dar algo para pensar a respeito.
1. Faça uso de meias e sapatilhas – e não dispense o agasalho. Cubra seu ventre se for preciso, para não tomar friagem no ventre e lombar, pois épocas frias intensificam não somente cólicas, mas lombalgias e fribromialgias também;
2. Aquecimento prévio, de longa duração, com muita respiração abdominal e alongamento. Não se trata de aquecimento rápido de academia – mas um carinho, um cuidado e uma mensagem para o corpo de que você está dando atenção ao diálogo dele: toda cólica é um sinal de diálogo do corpo;
3. Diminua a friagem ambiente. Feche janelas e se a aula esquentar em função dos exercícios prefira um ventilador à distância com circulação indireta.
4. Bom humor. Não o deixe guardado na gaveta! Coloque um sorriso em seu rosto

BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE PARA CÓLICAS MENSTRUAIS

Creio que para desfrutarmos de qualquer benefício que a dança do ventre possa nos oferecer, precisamos ter consciência de como nos cuidar.

Cólica menstrual - alivie esse problema com a prática da dança do ventre

Cólica menstrual - alivie esse problema com a prática da dança do ventre

Tornou-se comum o crescente índice de reclamações femininas sobre as cólicas menstruais. E os homens também reclamam, pois as mulheres simplesmente “piram” com a TPM.

Vivendo em meio a uma cultura que ensina a detestar os fenômenos femininos do corpo como um dogma que não deve ser questionado, o resultado só pode ser o aumento do sofrimento da mulher.

O que nós, mulheres, precisamos aceitar, é a nossa condição feminina a nível físico, pois a negação e rejeição de qualquer fenômeno orgânico que envolva a nossa natureza é também responsável pela dor que sentimos por termos nascido mulheres.

No plano sintomático, nos comportamos como se estivéssemos num campo de batalha, travando guerras com obstáculos metafóricos de nosso subconsciente, que mês a mês, a cada ciclo lunar, se renova e fisicamente se reoganiza para receber uma nova vida. Aprendemos a considerar nossos ciclos uma abominação.

Abominação é para mim, ouvir mulheres amaldiçoando a menstruação, projetando mais raiva sobre seus úteros já enfraquecidos por drogas e conceitos depreciativos sobre o ser mulher.

UMA LENTE DE AUMENTO SOBRE “OS CONTOS DE FADAS”

O que você precisa saber sobre cólicas menstruais está dentro de você: no seu útero. E saiba que quanto mais raiva você assumir internamente sobre esse tema, mais dor você irá sentir… Infelizmente isso é cientificamente comprovado.

Em se tratando de arquétipos (C.G.Jung, Joseph Campbell, Jean Shinoda Bolen, Cristina Cairo), carregamos através da construção histórica de nossas ancestrais, a “imagem da mulher que obedece mas que precisa ser uma guerreira no lar”, herança da consciência machista de clãs e povos colonizadores que deturparam culturas femininas de poder. A única maneira de realizarem tal feito foi “massacrificando” as crenças sobre o sagrado feminino. O hábito de arquivar registros históricos nos mostra claramente esse resumo.

Eu costumo dizer que a dança do ventre nos faz pensar como mulheres. Como mulheres somos responsáveis por atacar nossos corpos, nossas formas, nossa psicologia e nossa identidade, em troca de paz e aceitação social, ao invés de desvendar os bloqueios psicológicos projetados sobre nós desde a vida intra-uterina. Paz porque nos consideramos “mulheres modernas”, e não podemos perder nosso tempo, dando mais atenção ao diálogo da dor e à sua cura, porque precisamos trabalhar/ganhar dinheiro/pagar as contas; e aceitação social porque apreciar a própria menstruação é sinônimo de “estranhismo”. Afinal, “sangue é nojento”, “sangue é feio”, sangue é “coisa do diabo”. Uma “coisa do diabo” que nos dá vida.

FISIOLOGIA DA DOR

A dor da cólica menstrual é causada pela contração muscular e má oxigenação do útero. A prostaglandina é a substância que age na ovulação e no sangramento menstrual. Quando a taxa de prostaglandina aumenta, aumenta também a concentração de cálcio dentro da musculatura do útero, e este passa a se contrair. Esta contração por sua vez, dificultará a circulação sanguínea e provocará a diminuição de oxigênio no útero.

Imagine isso: o útero está cheio de cálcio, contraído e quase sem ar. Sua única alternativa á gritar por SOCORRO!!!!!!! Acrescente à ocorrência, o aumento de vasopressina, que elevará a pressão dos vasos uterinos, reduzindo o espaço para o oxigênio ser conduzido. Com certeza isso vai gerar mais dor.

Quer saber mais? Tudo isso é somado a um fenômeno que se chama couraça muscular.

Para que serve uma armadura? Para nos proteger. O subconsciente cria sistematicamente diversas armaduras e as armazena pelo corpo afim de nos proteger de situações consideradas desagradáveis. O sinal de estímulo para ativar uma couraça é a emoção. Cada emoção é associada a um tipo de couraça diferente.

Sabendo disso, pense a partir de agora, três vezes antes de proferir uma palavra que menospreze teu útero – até nas entrelinhas! Faça uma programação neurolinguística em você mesma!

A dança do ventre promove exercícios salutares que diminuem a dor das cólicas menstruais porque estimulam a oxigenação no útero, juntamente com exercícios de abandono das couraças musculares que construímos nele – algumas vezes de maneira dolorosa para algumas mulheres.

As ondulações abdominais são um forte “chamariz” e marca registrada da dança do ventre. São também, exercícios renovadores da auto estima da mulher moderna, que tende a projetar sobre seu ventre, toda a idéia de feiúra que a cultura de mídia ensina como verdade massificada, para fazê-la aceitar paradigmas como se fossem suas verdades pessoais.

Não estrague sua felicidade. Fique de Olho!

DANÇA DO VENTRE, INVERNO E CÓLICAS MENSTRUAIS

Um cuidado prático!

Eu posso dizer que com a experiência, fui adquirindo alguns hábitos que atualmente me protegem e espero que a sugestão possa nos dar algo para pensar a respeito nesta época de frio.

  1. Diminua a friagem ambiente. Feche janelas e se a aula esquentar em função dos exercícios prefira um ventilador à distância com circulação indireta;
  2. Faça uso de meias e sapatilhas – e não dispense o agasalho. Cubra seu ventre se for preciso, para não tomar friagem no ventre e lombar, pois épocas frias intensificam não somente cólicas, mas lombalgias e fribromialgias também;
  3. Aquecimento prévio, de longa duração, com muita respiração abdominal e alongamento. Não se trata de aquecimento rápido de academia – mas um carinho, um cuidado e uma mensagem para o corpo de que você está dando atenção ao diálogo dele: toda cólica é um sinal de diálogo do corpo;
  4. Bom humor. Não o deixe guardado na gaveta! Coloque um sorriso em seu rosto :-)

Boa Dança!

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(Uma parte do presente artigo pode ser acessada no fórum do site central dança do ventre. Outra parte foi retirada do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Movimentos da Dança do Ventre II

Passos da Dança do Ventre

O fórum do site Central Dança do Ventre é muito útil e contém dicas para estudo. Postei uma sugestão relacionada a dificuldades de movimentos com os braços.

Movimentos de Braços

Sugestão de exercício para quem tem dificuldades

Faça um cartaz com linhas e siga com os braços

Faça um cartaz com linhas e siga com os braços

Talvez essa seja uma idéia interessante para que o raciocínio consiga “linkar” os movimentos de braços aos de quadril, e, comece a construir um conjunto harmonioso de movimentos, em que braços acompanham quadris e deslocamentos, atribuindo uma harmonia visual e equilíbiro ao conjunto. No entanto, sugiro que o exercício abaixo seja estudado em   s e p a r a d o, para depois ser treinado juntamente com os movimentos de quadril, pois o cérebro precisa de um tempo para “alinhavar” as informações.

  1. Desenhe ondas de movimentos em cartolina e cole na parede;
  2. Fique ao lado do desenho;
  3. Siga as linhas de movimentos que você desenhou, com seus braços. Primeiro um, depois o outro, depois os dois;
  4. Se quiser aprimorar os movimentos de mãos, desenhe linhas menores.

 

Resultado = fiz isso muitas vezes com alunas em workshops e deu muito certo!

Bom Estudo!

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Movimentos da Dança do Ventre I

PASSOS DA DANÇA DO VENTRE

- CAMELOS E SERPENTES -

Um bom exercício de dança do ventre!

As ondulações de ventre conhecidas como camelo e serpente, são a marca registrada da Dança do Ventre. Elas são a verdadeira causa do nome desta forma de dança, e emprestam o encanto que ela carrega.


Luciaureabela

Durante a realização dos camelos ou serpentes, o processo respiratório é mais intenso, pois é provocado pela movimentação diafragmática. Neste processo, a respiração tonifica os órgãos internos (útero, ovários), limpa os pulmões e os intestinos, movimentando o diafragma, tão esquecido por nossas vidas sedentárias.

As ondulações abdominais, geralmente conhecidas como “camelo” e “serpente”, favorecem a sensação de conforto, e trabalham a voluptuosidade, porque carregam consigo o significado do materno e do útero, de modo que também geram influência no campo da visão interior. O útero também representa a sabedoria feminina e esta visão interna depende da aceitação desta sabedoria. O controle dos músculos abdominais, exigido nos exercícios desta natureza, é desenvolvido na medida em que a mente entende o percurso que a forma realiza no abdômen, ou seja, para cima e para baixo, e desenvolve a consciência corporal da região. Tais movimentos intensificam o fluxo sanguíneo na região, afetando positivamente a estrutura interna dos órgãos abdominais.

As ondulações abdominais podem ser feitas de dentro para fora ou de  fora para dentro. Eu chamo de camelo quando o movimento se inicia de dentro para fora, também conhecido como “ondulação contrária”, e de serpente quando o movimento vem de fora para dentro.

Esquema de ondulação abdominal da dança do ventre

Esquema de ondulação abdominal da dança do ventre desenhado por Luciaurea

O aprendizado das ondulações abdominais da Dança do Ventre requer tempo, paciência e persistência.

A primeira coisa que você deve aprender é a respirar corretamente a respiração diafragmática. A priori, será um exercício mecânico, com o tempo, se tornará uma movimentação tão natural, que sua respiração fluirá sem empecilhos durante a realização dos camelos e serpentes.

Uma sugestão que menciono aqui, e que aplico em aula, é pedir que as alunas se posicionem no chão, deitadas ‘de costas’, sobre um colchonete ou superfície forrada, com os joelhos flexionados e próximos, e os pés separados, para haver um equilíbrio das pernas. As mãos devem estar levemente pousadas sobre o abdome para que possam sentir toda a atividade da região, e o corpo totalmente relaxado.

  • Observe primeiro sua respiração. Com calma, sem pressa. Apenas observe. Não faça nada.
  • Deixe o ar sair e entrar livremente pelas narinas. Só pelas narinas.
  • A boca, os lábios e a língua devem estar relaxados. Respire apenas pelas narinas.
  • Apenas acompanhe os movimentos naturais de seu ventre.
  • Imagine que você deseja limpar o seus pulmões.

Em algumas pessoas o processo de “encouraçamento” é tão forte que não sabem, não fazem e não conseguem realizar a respiração com o diafragma. Estas pessoas devem prestar muita atenção na execução do exercício. Devem primeiro compreender o processo e relaxar para que ele flua.

Segue então, uma dica de relaxamento como exercício:

  1. Deite-se confortavelmente. Você não precisa forçar nada…
  2. Permita que o ar flua livremente, e a cada expiração você se sente cada vez mais relaxada.
  3. Agora, inspire profundamente o ar, imaginando que ele entra pela sua vulva e preenche o seu útero, expandindo todo o seu abdome.
  4. Segure este ar por alguns segundos… 1,2,3…
  5. Agora solte lentamente o ar, esvaziando o abdome e relaxando ao máximo sua musculatura.
  6. Repita o processo.
  7. Com calma. Sem forçar nada. Perceba que, quando seu abdome se eleva, o diafragma se expande, que por sua vez, estimula a base do pulmão para que ela fique mais oxigenada.
  8. Perceba que neste processo, o abdome é o único que se movimenta, o tórax permanece quaaaase imóvel, pois sua ondulação é apenas uma consequência do movimento abdominal.
  9. Acompanhe com sua atenção, todo o movimento de seu ventre, sua expansão e relaxamento, seu ritmo, sua história.
  10. Acompanhe as sensações de descanso, paz e liberdade advindas deste processo curativo e perceptivo.
  11. Deixe-se revitalizar por “Aquela que Restitui” as células, o ser físico e o eu.
  12. Harmonize-se com isso conscientemente.

Depois que você experimentou a respiração diafragmática na posição deitada, você pode tentar, agora, controlar mais a sua musculatura, procurando desenhar uma onda com seu abdome. Utilize suas mãos sobre seu ventre para despertar sua consciência visceral.

Para auxiliá-la, faça uso de um espelho e o coloque ao seu lado, não para se criticar, mas para se observar! Para que você possa observar sua ondulação, pois muitas vezes se tem a sensação de que não se está fazendo nada. Isso é apenas uma sensação. Logo, utilize um espelho para que você se sinta mais encorajada. Se ele te atrapalhar, então dispense-o.

O sentido da onda que você desenhar fica a seu critério. Se de baixo para cima ou de cima para baixo. Tanto faz. Aproveite a ação da gravidade para ondular ainda mais. A posição deitada é ótima para o aprendizado das ondulações abdominais.

Tecnicamente, podemos combinar as ondulações com outros movimentos, com os braços ou ainda em deslocamentos, o que deixa as ondulações com um ar de deslizamento e fica visualmente curioso e muito bonito.

*** Luciaurea ***


(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Dança do Ventre e Metodologia de Ensino

Dança do Ventre e Geometria Corporal Expressiva Aplicada

Como isso funciona na prática?
Vamos dar uma olhada.

Quando eu comecei minhas pesquisas há 14 anos atrás, fui percebendo que a forma geométrica era uma linguagem universal.

COMPREENDENDO A BASE

Luciaurea

Luciaurea - efeito geométrico de duplicação

A forma geométrica não existe com perfeição na natureza, dizia um professor meu.

Se a forma é apenas uma interpretação que o cérebro faz a partir da projeção retiniana, não podemos afirmar que elas realmente existem como as percebemos no mundo externo. Interpretamos o mundo como o percebemos,  não como realmente é – as formas nada mais são que interpretações que realizamos.

Assim, quando dizemos que a forma pode interferir no comportamento humano, estamos, na verdade, dizendo que, como seres da mesma espécie, com equipamentos perceptuais semelhantes, reagimos com padrões de comportamentos parecidos, mediante àquilo que percebemos como real.

Na medida em que nossa percepção cresce, conforme nosso desenvolvimento psicofísico, nossos comportamentos vão se individualizando, pois, embora façamos parte de um mesmo mundo biológico, estamos integrados, cada um, em seu próprio mundo sensorial distinto.

Historicamente, na biologia, a microfísica comprova que a natureza é regida em proporções geométricas variadas, que, em sua maioria, podem ser explicadas pela matemática e pelo estudo da  geometria. Embora nem sempre a geometria consiga explicar tudo, ela está sempre presente em nosso mundo. Nossos cérebros possuem circuitos de reconhecimento de padrões que reconhecem uma árvore triangular e um sol circular – mesmo através de um microscópio, vemos um mundo repleto de formas.

A matemática, através da geometria, pode determinar que o modo como sentimos o mundo depende da sua estrutura. Pode determinar, por exemplo, o perfume de uma rosa: quando se aspira ao seu perfume, na realidade, está-se respondendo ao arranjo dos átomos de hidrogênio, oxigênio e carbono em moléculas, num esquema geométrico que, se não existisse, exalaria cheiro de água e fuligem. Pode também determinar, por exemplo, a configuração do rosto humano: cada átomo do corpo é substituído de 7 em 7 anos e, no entanto, a estrutura geométrica do rosto permanece a mesma, de modo que podemos reconhecer a mesma pessoa daqui a alguns anos, mesmo que não tenhamos mais convivido com ela.

Manifestando “existência” material e biológica, a forma é, naturalmente, absorvida pelos mecanismos inconscientes das formas de vida que já são capazes de interpretá-las ou, de alguma maneira, percebê-las. No reino hominal, conforme a evolução dos equipamentos sensoriais do homem, este, foi desenvolvendo uma organização sistemática de vida que, comprovadamente, refletiu tal manifestação, simbólica e arquetipicamente, desde as artes primitivas até as organizações da urbe atual.

Se, num determinado ambiente, nos sentimos excluídos, amedrontados, ou seguros e harmonizados, é porque, de maneira inconsciente, percebemos as mensagens implícitas transmitidas pelas configurações formais deste mesmo ambiente, através de nossos processos cognitivos – ou melhor, interpretamos o conjunto das interações entre massa e espaço, nos identificando ou repelindo estas interpretações, através de posturas e atitudes que redundam em diversos tipos de comportamento – podendo ser agradáveis ou hostis.

APLICANDO A BASE

Em dança ocorre o mesmo: cada forma, na dança do ventre, será interpretada diferentemente por cada praticante, mediante o significado arquetípico que a mesma assumir no interior de cada mulher.

Se, por exemplo, uma mulher tiver fortes problemas de baixa-estima, possivelmente, tenderá a assumir a postura dos ombros arcados para frente e a colecionar problemas de relacionamento de naturezas diversas. Os movimentos-forma da dança do ventre a serem trabalhados nesta região, então provavelmente, no início, serão bloqueados pelo próprio psiquismo da mulher, que, inconscientemente, numa reação de autodefesa, se manifestará sob a forma de coordenação motora travada e confusa.

Este sistema de defesa que possuímos é parte integrante do nosso subconsciente, que não possui o consciente para tecer julgamentos de valor. O nosso subconsciente é uma fita magnética que executa qualquer coisa gravada nela. Se para esta mulher do nosso exemplo, com dificuldades de relacionamento, echar-se para o mundo consistiu numa alternativa para diminuir seu sofrimento, seu sistema somatizou esta informação em seu corpo, impregnando sua postura com a mensagem de “não sou boa o suficiente”.

Para destravar seus movimentos e corrigir sua postura, será necessária a compreensão consciente do que realizar. Será necessário ver, ouvir e sentir os movimentos da dança do ventre. Ver para compreender o percurso de um tipo de oito por exemplo, ouvir uma explicação para reforçar a memória corporal e auditiva, e sentir o oito para desbloquear sua motricidade.

A forma do oito, na dança do ventre, cujo desenho representa o lirismo e a fluência da continuidade, terá a função de trabalhar a sensualidade emocional, levando a mulher a aceitar, através da representação simbólica da forma deste movimento, que precisa soltar os pensamentos negativos do peito, eliminando quaisquer mágoas que tenham se instalado energeticamente na região; criar coragem de responder por si mesma em quaisquer situações e parar de responsabilizar-se por terceiros, tirando o mundo de suas costas; e a amar-se mais, aceitando seu corpo, o que redundará na elevação de sua auto estima. Como esta aceitação acontecerá: de maneira natural – na perfeita ordem tempo e espaço, de acordo com a realidade pessoal de cada praticante de dança do ventre.

Tal é o processo resumido de como ocorrem as interações de influência da forma sobre o comportamento humano feminino na prática da dança oriental.

(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Dança do Ventre e Intuição

Perceber a realidade e dançar com a intuição

Dançar constitui um processo que reúne, geralmente, três capacidades:
1. Olhar-ver-enxergar a dança e através dela (técnica da visualização);
2. Ouvir-escutar na música (técnica do desenho do som);
3. Sentir o movimento (técnica do desenho animado).

Luciaurea

Luciaurea

Tratam-se das capacidades visuais, cinestésicas e auditivas. Só então, interpretar. O tato e o olfato, também parecem estar bastante presentes, principalmente no uso dos véus e do perfume, ou incensos – estes, podem nos levar a um estado de consciência maravilhoso – e o paladar, a não ser o psicológico, fica quase naturalmente esquecido enquanto executamos a dança. Por essa razão, estudaremos apenas as capacidades principais – sem desmerecer as demais.

A maneira de ver a dança, ouvir a música, e a de sentir o movimento enriquece muito a performance.

A DIFERENÇA ENTRE APRENDER E IMITAR

“Ensinar” a dançar é como “ensinar” uma nova maneira de enxergar o movimento, uma nova maneira de senti-lo e uma nova maneira de escutar música. Você pode “imitar” os exemplos, mas se não aprender a vê-los, senti-los (vivenciá-los) e ouvi-los, jamais será o suficiente para dançar com a alma. Dançar é também como desenhar com o seu corpo formas da música no tempo-espaço.

Nem sempre a dança é um “dom” nato. Pode ser um “dom” adquirido. Tecendo um paralelo entre a comparação de Betty Edwards (autora de Desenhando com o Lado Direito do Cérebro), em relação a uma pessoa que é capaz de escrever legivelmente em maiúsculas ser amplamente hábil para desenhar bem, eu ouso dizer que se você pode se movimentar normalmente, você também pode aprender a dançar. E a dançar bem. É claro que existem exceções. Elas sempre existem. Ainda bem que são poucas. Entre as exceções podemos nomear algumas: bloqueios emocionais graves que exijam terapia intensiva, acidentes que debilitem o corpo, doenças que limitem os movimentos. Tais exceções às vezes proíbem, permitem ou indicam a necessidade de alguma atividade, sem, contudo, ser necessariamente física. E quando é, o problema tende a se manifestar, impedindo que a pessoa avance em alguns aspectos específicos da prática, o que não a impede de ter a dança como prática terapêutica, desde que autorizada pela medicina.

Aprender a dançar é aprender a processar informações visuais, auditivas e cinestésicas, diferentemente da maneira como você normalmente as processa.

COMEÇANDO NA INFÂNCIA

Normalmente, desde crianças, aprendemos uma maneira convencional de utilizar o cérebro, pois fomos condicionados às pedagogias (inclua-se neste item a educação dada por nossos pais) aplicadas nos sistemas de ensino de nossa sociedade. Devemos sempre lembrar que vivemos num mundo sensorial distinto e pessoal, e que processamos informações a todo instante. Quando compreendemos o mecanismo de processamento de informações cerebrais, fica mais fácil aprender. Por isso, verbalizar coisas positivas em relação ao próprio aprendizado é extremamente importante, pois o cérebro processa as informações corretamente (para ele não interessa se a informação é verdadeira ou falsa), conduzindo nosso corpo a uma aprendizagem mais fluente ou não. Nosso cérebro simplesmente executa o que desejamos, consciente e inconscientemente, seja positivo ou negativo para nós.

A CAPACIDADE DE DANÇAR

Tecendo um segundo paralelo sobre a capacidade de desenhar e a capacidade de dançar, pode-se dizer que, a capacidade de realizar uma mudança, no estado cerebral, em uma direção que mostre um diferente modo de perceber, ver, sentir, se mover, pode levar uma pessoa a dançar melhor. O desenhista artista, não desenha com as mãos, mas com os olhos. Ele as coisas de uma maneira diferente. Se uma pessoa consegue acessar este estado mental, em que a percepção se torna mais apurada, com certeza ela será bem sucedida.

Na dança ocorre o mesmo. Se uma pessoa consegue entrar na mesma freqüência da percepção sensorial, cerebral e intuitiva, de uma grande bailarina, ela pode, perfeitamente dançar tão bem quanto, pois a aprendizagem do movimento passa a ser, além de um treino motor, uma percepção interior. A bailarina não dança com o corpo. Dança com a percepção que tem dos elementos que compõem a dança. Se você quer dançar, mas acha que para isso é apenas necessário um aprendizado mecânico, apenas mexer o corpo, está redondamente enganada. A bailarina de Dança do Ventre dança com todas as suas percepções, inclusive as que envolvem a intuição na representação artística.

CONTEMPLANDO A ARTE NO ARTISTA

O fato de sabermos que existe um processo acessível a todas nós, que nos faz chegar perto de grandes bailarinas não desmerece o trabalho das mesmas. Ao contrário, o valoriza ainda mais, pois demonstra que conseguiram atingir uma modalidade mental artística sem nem mesmo conhecerem como se dava o processo. E também porque nos incentiva a adotar o mesmo padrão mental, por intermédio de transição – quando se compreende o processo e se adota um novo posicionamento mental.

Todos nós nascemos artistas. Todas as crianças são artistas, mas o grande desafio é continuar sendo ao crescer. Antes de entrar na escola, nossa força criativa ainda está fresca, sem muitos condicionamentos. Nossa forma de perceber o mundo é autêntica e natural. Ao entrarmos na escola, os métodos educacionais transformam nossa percepção original das coisas, e vamos com o tempo, abandonando isso dentro de nós. Mas não perdemos nada daquilo que esquecemos. Por outro lado, a percepção que não recebe estímulos externos, fica embotada.

O artista desteme a própria criatividade. É por isso que todo artista que é realmente artista é considerado louco, pois para dar voz à sua criatividade, precisa estar fora dos padrões e da tradição local. Parece contraditório, pois a Arte também vive da Tradição (ver Volume I do meu livro “Metaforma e Movimento – Geometria Corporal Expressiva na Dança do Ventre”). Na realidade, tradição e novidade se complementam. Precisam existir as duas para haver equilíbrio. Se não fosse pela novidade, a vida humana jamais cresceria e, se não fosse pela tradição, jamais possuiríamos uma identidade cultural.

(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Origem da Geometria Corporal Expressiva

Abrindo os canais da intuição e da criatividade espontânea – uma experiência única

“Todo ato criativo requer… uma nova inocência de percepção, livre da catarata da crença tradicional”.

(Arthur Koestler, na citação de Betty Edwards, “Desenhando com o lado direito do cérebro”).

Luciaurea.danca.do.pandeiroNos workshops geralmente me perguntam: “Lu, como você começou com essa história de geometria na dança?” Há alguns nos atrás eu sempre respondia de uma maneira curta: “estudei arquitetura na faculdade”. Mas nunca me sentia confortável em dar uma resposta inteira. Hoje, com outra mentalidade, posso falar sobre os “grilos” que eu tinha na cabeça.

Até certo ponto de minha vida, há mais de 12 anos atrás, me considerava um pouco “culpada”, isso mesmo, a palavra é forte mas era assim que me sentia, culpada por estar praticando Dança do Ventre, ministrando, sem ser completamente da área. Como se estivesse “roubando” o espaço de quem já era da área há mais tempo. Sentia-me menos que as demais, por não ter o apoio que elas tinham, até descobrir que o maior apoio estava dentro de mim mesma, e eliminar toda e qualquer expectativa de aprovação em relação a como fazia e ao que fazia. Geralmente, quando se está emergindo numa profissão, é necessário eliminar as expectativas, pois sempre aparecerão aquelas pessoas que se sentirão ameaçadas pelas mudanças e irão desaprovar seu trabalho.

(Para conhecer os aspectos técnicos da origem da Geometria Corporal Expressiva acesse o Blog da Geometria Corporal Expressiva)

UMA QUESTÃO DE ESCOLHA

Hoje muita coisa mudou. Bailarinas que não vivem unicamente da dança e dão um show de conhecimento estão aí para mostrarem sua dedicação. Na verdade elas sempre existiram e vão continuar existindo.

Conheci a Dança do Ventre antes de conhecer a Arquitetura. Levada pela minha insegurança em relação aos conflitos familiares, com uma necessidade imensa de ser aceita em função da baixa auto estima, escolhi a Arquitetura, por sentir medo e opressão (ilusões criadas por mim mesma). Com o tempo, fui me encontrando dentro do curso, ou o curso foi me encontrando. Jamais esqueci a dança, contudo. Sempre fui bailarina, nasci bailarina. Encontrei muita resistência por parte de meus familiares por ter escolhido a dança. Na realidade, A Dança me escolheu. Por que não estudei Dança (na faculdade)? Porque não criei oportunidade.

Durante quatro anos de minha vida eu vivi apenas de dança e foi a época em que mais pude investir em conhecimento, prática, shows e apresentações. Mas com a vida que tenho hoje isso não é possível, pelo menos no momento presente. Talvez eu venha a estudar Dança (faculdade) no futuro, mas não ainda. Os momentos se revelam por si mesmos junto com as oportunidades que criamos, e precisamos vivê-las uma de cada vez, senão jamais seremos capazes de nos sentirmos inteiros dentro de uma experiência real. Penso que é importante compartilhar esta experiência porque sempre temos escolhas. No entanto, eu jamais poderia imaginar que a Vida pudesse estar tão certa ao me oferecer alternativas diferentes das que eu esperava naquela época, para estudar um curso que não fosse o de Arquitetura. Jamais poderia imaginar que, de certa forma, a Arquitetura pudesse me oferecer recursos novos que pudessem me auxiliar com a dança. Pois foi o que aconteceu.

(Para conhecer os aspectos técnicos da origem da Geometria Corporal Expressiva acesse o Blog da Geometria Corporal Expressiva)

A COLHEITA

Foi um processo cognitivo, cinestésico, auditivo, o que mais posso dizer?… Luciaurea.danca.da.espadaOs benefícios que recebi foram incontáveis. O aprimoramento da inteligência espacial, a arte de pensar na coisa pronta, como se tivesse já acontecido, o ato de imaginar as formas arquitetônicas no tridimensional, meu deslocamento através delas, me auxiliou a ponto de ouvir uma música e ver a dança, enxergar o interior dela como um espaço repleto de formas transparentes, numa visão de raio x, relacioná-la a um ambiente específico, uma paisagem, um elemento da natureza que produzisse som semelhante.

Comecei a entender a linguagem dos instrumentos e o que eles pediam. Considerava estranho que o lado visual pudesse auxiliar no auditivo. Esta era uma habilidade que não tinha desenvolvido anteriormente. Comecei a ver formas em meus movimentos. Comecei a refletir sobre essa nova linguagem para o corpo, e a aplicar isso na prática com minhas alunas. Como deu certo! Se tivesse feito faculdade de Dança, talvez não tivesse inovado em nada.

Assim nasceu a Geometria Corporal Expressiva, que poeticamente chamo de Metaforma e Movimento.

“(…) Que você pode fazer com a música quando passa a dedicar-se à física? Você tem que esquecer tudo sobre música, mas ela permanece ao fundo. A física está muito distante dela, mas, se você foi bem treinado na música, mais cedo ou mais tarde, você desenvolverá teorias, hipóteses que, de algum modo, terão a cor e a essência da música. É possível que você comece a achar que o mundo é um todo harmonioso – não um turbilhão caótico, mas um cosmo. Talvez você comece a sentir, a pesquisar os domínios mais profundos da física; a achar que a vida é uma sinfonia. Agora, isso não é possível para alguém que não conheceu nada sobre música.
Se um dançarino se transferir para o campo da música, ele trará algo de sua arte para a nova arte.”

(Osho, Quatro Questões, Criatividade e Cruzamento)

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O PRAZER DA CONSCIÊNCIA – COM CONSISTÊNCIA

Certa vez, numa livraria, fui comprar um livro e acabei levando dois. Na realidade, eu não entendi porque comprei o segundo livro. Algo me dizia para comprá-lo e eu não queria, e no fim… Trata-se do livro de Osho sobre criatividade. Qual não foi minha surpresa ao ler aquelas linhas tão sábias “dizendo” coisas que nunca havia pensado antes, havia apenas vivenciado sem entender, sentindo insegurança por isso.

Estilo Tribal - Dança Conceitual

Estilo Tribal - Dança Conceitual

Osho diz que para haver criatividade, é preciso haver cruzamento, ou seja, para ele, “os melhores exemplos de criatividade ocorrem com pessoas cuja formação é de outra área”. Ele fala em hibridação – cujo processo ocorre quando uma pessoa muda de um ramo de atividade para outro, pois ela levará consigo a essência do conhecimento aprendido, apesar de não poder praticá-lo em seu novo campo de atuação.

Foi o que aconteceu comigo. A partir deste dia, tranqüilizei minha mente e passei a trabalhar em paz com os recursos que utilizava, sem medo por serem diferentes e fora dos padrões que a maioria compreendia naquela época.

Tudo o que precisamos vem até nós no momento certo. Não precisamos ir buscar fora desesperadamente. Tudo conspira a nosso favor.

(Para conhecer os aspectos técnicos da origem da Geometria Corporal Expressiva acesse o Blog da Geometria Corporal Expressiva)

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(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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O Certo e o Errado na Dança do Ventre, Tribal e afins

Heisenberg.
Princípio da Incerteza.

Luciaurea

Luciaurea

Na experiência cotidiana, tudo possui múltiplos atributos. Só conseguimos observá-los um-de-cada-vez.

Não pretendo colocar em foco a questão da “atenção plena” aqui. Cotidianamente, mesmo com atenção plena, existem inúmeros estímulos e realidades que nos passam despercebidos.

Pois bem, vamos descascar um pepino aqui.

Realmente, mulher é um bicho complicado… Para falar de outra mulher então, xihhhh… Tantasss gentesss (tecla sap: bailarinas) escrevem em tom crítico – como se fossem “Papas da Dança” – sobre o que é certo e o que é errado em outras profissionais sob a máscara do título “certo e errado na dança do ventre”, esticando o pescoço para além de seus murinhos para “espiar o que a outra está aprontando”, que às vezes eu me pergunto porque não nasci homem…

Eu não tenho muros. Sempre que encontro um que construí sem perceber eu destruo. Minha mente adora posicionar-se ao ar livre. Confio nos meus atributos naturais e no meu sistema imunológico emocional.
Quem procura proteção reverencia o útero da terra e ali é acolhida sempre que necessita.

FOFOCAS SENSACIONISTAS

Tenho notado que quanto mais observamos uma coisa ou alguém, fixando apenas uma maneira de enxergar – a nossa – maior é a probabilidade de ficarmos cegas para a beleza de um processo reparador que a dança feminina vem nos trazendo nos últimos anos.

Minha amiga Adriana sempre diz: “a dança serve para unir as mulheres, não para afastá-las.”

A palavra verdade deve ser empregada com cautela, porque nem sempre ela é relativa – ela tem faces que não são nada relativas. Por exemplo, se temos apenas uma maneira de olhar para alguém, essa maneira é sempre limitada, porque nossa tendência é olhar para apenas uma parte das possibilidades que aquela pessoa mostra – mesmo que o julgamento aponte que ela seja tosca :P

Estudando um pouco de física quântica e aplicando esse conhecimento em minha dança, consegui encontrar coragem para conviver com a possibilidade de outras possiblidades… com portas ou sem portas… com janelas ou sem janelas… isso me lembra aquela música de infância “era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada… ninguém podia entrar nela não, porque na casa não tinha chão…” ;-)

ENXERGANDO ALÉM DAS PAREDES E DOGMAS PAPAIS

Eu aprendi com a prática da Dança do Ventre, e na busca de uma dança mais conceitual – padrão de dança que escolhi desenvolver para mim, através da comunhão entre danças que estudei e que aplico em minhas performances – que a ambiguidade sempre me desafiou a superar os limites de minha criatividade.

Se pararmos para pensar na possibilidade de que o ambíguo pode ser estimulante como tática de aprendizado, ensino e convivência, nós teremos a permissão, sem qualquer culpa na consciência, de desistir das respostas corretas, porque teremos o prazer de mostrar soluções mais criativas, tanto na dança quanto no relacionamento ético-profissional – e com esta nova postura nos sentiremos mais seguras para não espiar a vida alheia, tampouco denegrir a imagem do trabalho de outra colega.

EXPLORANDO UMA NOVA RELAÇÃO COM O DANÇAR

Eu faço um convite:
Vamos explorar a verdade em suas muitas faces.
Em cada ponto de escolha.

Saiba que quanto mais faces você explorar, mais ricas serão suas experiências.

Todo processo criativo é revolucionário – porque o ventre é criativo!
Explicações lógicas sempre sucedem, nunca precedem um processo criativo.

… E continuando a música da casinha:

“ninguém podia fazer pipi! porque pinico não tinha ali… mas era feita com muito esmero, na rua dos bobos número zero!”

Benefícios da Dança do Ventre V

Neurolinguística para quem trabalha com Dança do Ventre, Tribal e Dança Conceitual.

A Programação Neurolinguística é uma área de pesquisa que estuda o conjunto das experiências subjetivas que estruturam o comportamento humano e pode ser aplicada na Dança do Ventre.

Luciaurea

Luciaurea

Partindo dos processos neurológicos referentes aos cinco sentidos principais, utilizamo-nos de uma programação de linguagem, que aprendemos desde a infância, para organizar nossas experiências e nos comunicarmos, verbalmente ou não, com as outras pessoas.

Segundo Arline Davis, Master Trainer em PNL, podemos reprogramar as informações que nos favorecem menos. Podemos aprender a aprender, uma vez que o conjunto de nossas experiências de vida é codificado neurolinguisticamente, isto é, cada um de nossos sentidos possui um sistema de representação (ou linguagem) interna.

Por exemplo:
a) Informação visual → olhos → sistema representacional visual;
b) Informação auditiva → ouvidos → sistema representacional auditivo.

Imagine então, que ao invés de usar apenas a voz e o seu corpo, você pode se utilizar de desenhos, visualizações, e o que mais sua criatividade lhe inspirar para aprender ou facilitar o ensino da Dança do Ventre. E que, ao unir recursos didáticos que falem para todos os sistemas representacionais, você estará enriquecendo seu aprendizado em Dança Oriental, e atingindo um alto nível de informação.

Um Cérebro Fisicamente Simétrico e Funcionalmente Assimétrico

A seguir veremos uma tabela que demonstra claramente as funções de cada “modalidade” cerebral, com os respectivos exemplos no tocante à Dança do Ventre.

Como sabemos, o cérebro possui dois hemisférios (direito e esquerdo) unidos pelo corpo caloso (cuja função é a de viabilizar a comunicação entre os hemisférios, além da transmissão da memória e aprendizado).

Em função de uma característica anatômica, o hemisfério direito comanda o lado esquerdo do corpo e o hemisfério esquerdo comanda o lado direito do corpo, porque suas entradas e saídas se invertem.

Assim, colocando alguns exemplos de como algumas de nossas funções cerebrais estão envolvidas nos processos cognitivos relacionados à dança, foi possível organizar a tabela que se segue.

É necessário, todavia, acrescentar que essas funções são apenas formas paralelas e complementares de ler a realidade, logo, elas podem interagir. Por exemplo: se pensarmos em termos de percepção visual, veremos que lado direito do cérebro é muito bem versado, porém, mesmo a percepção visual é campo de ação do lado esquerdo. Enquanto que este vê o movimento escrito no exemplo visual, o outro lado enxerga o modo de fazer por trás da representação visual.

ESTRUTURAS PERCEPTIVAS DOS HEMISFÉRIOS

por Luciaurea

 

LADO ESQUERDO H.E.

LADO DIREITO H.D.

Verbal

Necessita de palavras para nomear e descrever passos e movimentos.

Não-verbal

Percebe o que é para ser feito a partir de uma relação mínima de palavras.

Analítico

Compreende os movimentos de forma seqüencial e por partes. Sua atenção converge para os detalhes. É ótimo nas coreografias.

Sintético

Compreende conjuntos de movimentos e sintetiza cada conjunto. Sua atenção é divergente, enxerga apenas o todo. É ótimo nas improvisações.

Abstrato

Para entender como funciona a leitura corporal de um instrumento, baseia-se na simplicidade da informação sobre aquele instrumento, resume suas características para poder representar no corpo uma leitura completa. Considera isoladamente os elementos da leitura corporal.

Analógico

Assimila rapidamente a semelhança entre os elementos da leitura corporal, estabelecendo relações por meio de metáforas, ligando instrumento, movimento e leitura. Considera comparativamente dois ou mais elementos do contexto. Assimila experiências concretas e vivenciais.

Temporal

Necessita contar quantas vezes deve fazer um passo, marcar o ritmo para conseguir acompanhá-lo. Primeiro realiza uma seqüência e depois a outra.

Atemporal

O tempo é sempre o agora, uma vez que não possui sentido de tempo. Segue fluindo com o que sente no momento da música.

Racional

Apreende as informações em aula racionalmente, baseadas nas demonstrações, no óbvio e na lógica. Ex: para se ter um bom efeito de shimmy nos quadris os joelhos precisam estar relaxados.

Não-racional

Assimila as informações por saltos imaginativos, sem se basear na razão para formar julgamentos. Ex: segue a música desenhando-a e tem vislumbres de movimentos. Dispensa julgamentos.

Lógico

Só entende uma interpretação se a mesma tiver uma ordem lógica, seguir um esquema de raciocínio. Não aceita padrões que estejam fora da ordem, da simetria e do sentido de ser. A interpretação precisa ter um sentido visível.

Intuitivo

Absorve uma interpretação por imagens visuais, sensações e saltos de reconhecimento. Mesmo que os padrões estejam incompletos e não haja quantidade suficiente de dados, ele compreende as entrelinhas da interpretação.

Digital

Precisa contar números para facilitar a aprendizagem, separando o espaço físico e o espaço de tempo em compartimentos (eixos, planos, 1234). Contabiliza.

Espacial

Compreende como as partes se unem dentro da aprendizagem e utiliza tudo o que estiver disponível para desfragmentar.

Incorpora.

Linear

A continuidade de uma idéia só é compreendida se causa e efeito estabelecerem vínculos. A explicação seguinte deve estar vinculada, à idéia apresentada na primeira, para se ter uma conclusão da coreografia.

Holístico

A continuidade de uma idéia é percebida em tempo real, vincula-se a padrões gerais, e as estruturas de movimentos podem fugir da conclusão coreográfica, levando à improvisação.

Simbólico

Prefere a utilização de símbolos, como letras, formas desenhadas e números, para conseguir representar o que lhe foi pedido. Precisa da representação do movimento no corpo de outra pessoa ou no papel para poder imitar. Copia e cola.

Concreto

Prefere vivenciar o movimento, mesmo sem entendê-lo totalmente. Assim que o experimenta compreende sua metáfora e o desenha. Atua por meio da compreensão cinestésica da realidade. Necessita criar uma referência própria para fazer um movimento. Observa e vivencia.

Auditivo

Extrai conclusões por meio associações auditivas. Só realiza se entender a explicação do como.

Visual

Extrai conclusões por meio de associações imaginativas. Visualiza, enxerga o conceito da forma no movimento apresentado.

Dirigido

Trabalha com objetos conhecidos para poder controlá-los e manipulá-los. Ex: quer coreografar ou adota um plano de intenções de acordo com os conhecimentos que adquiriu da música árabe e dos movimentos.

Livre

É criativo, trabalha com a essência das coisas. Ex: não teme a improvisação, arrisca mesmo quando não conhece a música, e conhecendo, escolhe por deixar a criatividade fluir no momento.

Proposicional

Propõe problemas, condições e apreciações. Ex: Dentro de uma elaboração coreográfica, determina que se deva respeitar os elementos musicais, como os floreios para a representação de temidos, ou passagens circulares para a realização de giros, ou que partes orquestradas pedem deslocamentos.

Imaginativo

Assume qualidades meditativas, criativas, inventivas. Ex: cria uma seqüência de passos inusitados de improviso, uma coreografia incomum (neste caso, interagindo com o lado proposicional na elaboração), ou ainda, cria um movimento novo, dentro ou fora dos padrões da Dança Oriental.

Objetivo

Prático e direto ao estabelecer metas, caminhos e exercícios. Expõe e verbaliza. Expressa o que o momento pede independente de seu estado de espírito. Segue as regras. Fundamenta a Tradição.

Subjetivo

É sutil e relativo ao expor uma questão – prefere contemplá-la. Sente e demonstra, se envolve com o momento e manifesta imersão. Cria novas maneiras de representar o velho – ou o abole. Fundamenta a Inovação.

Dominante

É imprescindível na tomada de decisões. Estabelece regras de composição.

Passivo

Aceita orientações. Flui dentro das regras, respeitando sua própria expressão.

* Shymmy: do inglês tremeluzir. Termo que define as “batidas de quadril na Dança do Ventre.

* Este artigo também está disponível no site Central Dança do Ventre.

(O presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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Benefícios da Dança do Ventre IV

Abrindo Novas Portas: Reverenciando seu corpo para dançar em paz.
Como a Dança do Ventre aumenta a sua auto estima.
Um assunto prático para quem quer se reconstruir de dentro para fora.
Um assunto técnico que não faz abordagem técnica.

Um artigo para dançarinas profissionais e simpatizantes.
Um artigo para as mulheres escrito por uma mulher.

*** *** ***

Luciaurea

Luciaurea

Uma das maiores dificuldades atualmente é aceitar o corpo tal como ele é.

Em razão da ditadura comercial de corpos massificados, encarnamos o conceito de que nunca seremos boas o suficiente se não formos belas segundo as regras do mercado de trabalho.

Com o tempo, escolhemos crer que se trabalhamos com nossos corpos e não satisfazemos os contratantes, mídia, e afins, é porque há algo de errado conosco… Então vamos esclarecer umas coisinhas…

A DANÇA DO VENTRE NOS FAZ PENSAR COMO MULHERES

O fato de dançarmos em um show e obtermos opiniões divergentes não deveria nos abalar já que escolhemos nos sentir tão à vontade com nossos corpos. Mas será que estamos mesmo à vontade? Será que não estamos participando de um dogma industrial e político?

A DANÇA DO VENTRE NOS ENSINA:
NÃO SOMOS O QUE ACEITAMOS, MAS AQUILO QUE ESCOLHEMOS SER

Escolhas, escolhas, escolhas…

O fato é que o corpo em si já possui a matriz de sua própria perfeição, e atitudes como respeito pela sabedoria inata de nossos corpos não são ensinadas em nossa cultura. Acreditamos que devemos enclausurar o corpo em roupas apertadas, mudar sua forma e configuração, segundo o que é estabelecido como bonito – e aceitável. (Anand, em A Arte do Êxtase)

UMA CARTA AO CONTRATANTE

Que tal escolhermos parar de bater em portas fechadas e renovar a maneira como nos apresentamos?

Prazer, o meu nome é Simone. Sou dançarina, acima do peso (até este exato momento), e sou profissional. Na verdade, como o senhor pôde verificar, eu danço muitíssimo bem. Dispenso a modéstia assim como dispenso shows que não me interessam. Tenho auto estima e no momento estou a cuidar de minha saúde, não para ficar magra como o senhor deseja, mas para ser saudável! O tamanho de meu ventre não influencia na beleza do meu dançar, embora influencie na sua opinião. Sim senhor contratante, eu reconheço que o mercado, o público e os formadores de opinião preferem uma dançarina muito mais magra do que eu, mas como o senhor mesmo me informou, “menina! como você dança!”… enfim, não fui eu quem fui bater à sua porta, mas o senhor quem veio bater na minha. Ah! O senhor sabia que eu dançarina, também sou formadora de opinião?

* os dizeres acima são apenas ilustrativos ok?

A DANÇA DO VENTRE ABRE NOSSAS PORTAS MENTAIS

Quando não nos abrimos à beleza que já trazemos dentro de nós, nossos corpos apodrecem. É sério. O termo pode parecer forte, mas observe junto comigo o que acontece… Com o tempo, vamos nos entupindo de remédios para emagrecer, nos embotando de conceitos ridículos que separam o corpo da mente. Oras, a mente está com o corpo! Sua cabeça não flutua acima de seu corpo, seus pés não são separados de seus tornozelos. Uma parte se liga a outra. A mente está inserida no contexto somático.

Beleza é um conceito que tem haver com a palavra em si. Existem gordas bonitas. Existem magras bonitas. Existem voluptuosas bonitas.

O ETERNISMO DO SÍMBOLO SEXUAL

Símbolos sexuais nos impelem a desejarmos uma sensualidade que não é a nossa verdadeira. Inconscientemente, carregamos uma dose de autocrítica que nos impede de amarmos nossos corpos como eles são e de nos soltarmos na dança.

Quem disse que não somos símbolos sexuais da maneira como somos?

Se separamos a mente do corpo não produzimos saúde. Estar acima do peso é uma questão de saúde. Estar abaixo dele também.

Quando separamos corpo de mente, perdemos nossas raízes. É impossível dançar para um público mostrando algo que nós mesmas não valorizamos: nossos corpos. Se interiormente não confiamos em nossos corpos, muito provavelmente atrairemos atitudes hostis do público, porque este perceberá que não estamos confortáveis em nos mostrar – e principalmente, mostrar o que sabemos.

VERDADE SOBRE A ETERNIDADE DA BELEZA FEMININA

Nosso corpo possui uma graça natural, que independe de peso, configuração, idade e cor. Gerações têm provado o quanto a alma feminina é autêntica ao ousar se embelezar além da força dos rótulos.

À medida que entrosamos melhor nosso corpo na dança, desenvolvemos uma elegância que nada tem haver com tendências sociais. Passamos uma idéia de auto-estima que é natural, e o público também se sente confortável com nosso bem estar.

QUANDO DANÇAMOS COM PRAZER O QUE IMPORTA É A MANEIRA COMO USAMOS O CORPO

Se estamos dentro de um padrão de estética definido ou não e se esse tipo de julgamento vai afetar a nota 10 da nossa performance – isso pode acontecer. Mas não pode afetar nossa auto estima profissional.

Beleza não está necessariamente associada a formas perfeitas. A assimetria também possui sua beleza. O caos também tem sua beleza.

O que produz beleza enquanto dançamos é a maneira como nos sentimos. A beleza que transmitimos enquanto dançamos não vem só do nosso corpo, mas do espírito que veste o corpo, da aura da atuação, de dentro da bailarina.

Nós não somos nossos corpos, embora vivamos neles. Nós não somos nossos papéis, embora os tenhamos. Nós não somos nossas frustrações, embora as sintamos.

Não precisamos nos identificar com o conceito de que nossas formas não são popularmente aceitas. Nós somos o que decidirmos ser.

Vamos ser amigas de nossos corpos.

Dançar para o mercado é uma coisa. Dançar para você, é bem diferente disso.

Nosso espírito, nossa essência, está escondido dentro de nossa forma corporal – seu reflexo (expansão) é nossa beleza.

HUMMMMMMMM

Você é gorda, por isso escreveu esse artigo!

Eu escrevi esse artigo porque cansei de ver meninas magras colocando enximento no sutiã só para aparentarem ser mais gostosas e serem aceitas pelo público.

Eu escrevi esse artigo porque cansei de ver meninas como eu, acima do peso, usando cintas para dançar, achando que isso as tornaria mais magras e inibindo a beleza de seus movimentos; trajando roupas que não as vestiam belamente, tornando-as bizarras e alvo de risos e maus comentários, e em nome da auto estima se vestirem de forma vulgar e inadequada para sua natureza feminina. Mulheres redondas são tão lindas como as esguias e hoje possuímos um arsenal de moda especializada em dança do ventre à nossa disposição!

Eu escrevi esse artigo porque cansei de ver meninas com sardas colocando argamassa em seus belos rostos achando que aquilo era maquilagem.

Eu escrevi esse artigo porque cansei de ouvir que para dançar a Dança do Ventre a mulher precisa ter cintura fina – embora eu tenha ;-)

Eu escrevi esse artigo para libertar nossas mentes e abrir as portas do amor ao belo, ao feminino e ao corpo feminino com todas as suas nuances! Do jeitinho que ele é ^.^

Qualquer mudança, até para se tornar um padrão de mercado, começa aí. Como bailarinas somos formadoras de opinião.

Seja você o seu referencial. Construa o seu padrão. Seu nome é sua marca. Se você se respeita, seu nome será respeitado e você estará plantando a semente do reconhecimento com muita tranquilidade, sem estar investindo em neurose sobre ela.

Construa seu caminho sem pressa. Sem apego. Trabalhe bem e feliz, com sua consciência tranquila.

Toda semente plantada em solo fértil e regularmente regada sempre dá bons frutos. O solo não está fora, mas dentro de você. Toda semeadura começa da mente para o coração – e toda colheita parte do coração para o mundo.

Durante o ciclo, você perceberá que vale a pena mudar o filtro que você usa para se perceber, passanado a se contemplar de uma forma mais saudável, porque as pessoas têm a tendência de retribuir nosso bem estar com mais bem estar. E nada é mais prazeroso do que saber que nosso amor pela dança proporciona alegria e alimenta a quem nos assiste!

***Luciaurea***

(Parte do conteúdo do presente artigo foi retirado do meu livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino. Em breve disponível).

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